A Petrobras (PETR4) busca realizar um aumento de cerca de R$ 1 por litro no preço do diesel vendido em refinarias, mas aguarda a publicação de medidas do governo federal que evitariam impactos para os consumidores, disseram duas fontes com conhecimento das discussões à Reuters.O reajuste ajudaria a Petrobras a reduzir a defasagem entre os preços domésticos e as cotações internacionais do diesel, ampliada após a recente alta do petróleo e dos derivados no exterior, de acordo com as pessoas, que pediram anonimato.“Com mais um real, a defasagem que está grande quase zera. Claro que, se o petróleo e o diesel continuarem aumentando, o governo vai ter que pensar em novas soluções”, disse a fonte.Na véspera, o governo anunciou por meio de medida provisória um novo subsídio ao diesel inicialmente fixado em R$1 por litro. O valor será somado ao benefício atualmente em vigor, de R$ 1,12 por litro, disse o ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, a jornalistas ao comentar as medidas na quarta-feira (9).Mas há incertezas sobre o formato final da medida, se haveria algum outro tipo de desoneração de tributos e seu prazo de vigência.Pelo sistema de pagamentos de subsídios, produtores e importadores devem conceder o desconto nos preços de venda e registrar o abatimento nas notas fiscais, sendo posteriormente reembolsados pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).Um programa mais robusto de subsídios poderia ajudar também empresas privadas do setor, incluindo aquelas que lidam com dificuldades para importar por conta dos preços mais altos no exterior. O Brasil importa cerca de 25% de suas necessidades de diesel, mas uma parte do consumo é atendida por refinarias privadas locais.“A Petrobras aumentará um real e, para o consumidor, o efeito será neutro”, acrescentou.A fonte afirmou ainda que o governo teria espaço fiscal para a medida em razão do aumento da arrecadação do setor de petróleo e gás, incluindo com um imposto de exportação de petróleo, implantado temporariamente para que o governo consiga recursos para programas de subsídios e desonerações de combustíveis.“O governo tem de onde tirar porque está arrecadando mais com royalties, participação especial, PPSA, taxas de exportação e resultados da própria Petrobras, que pagará mais dividendos com mais lucro”, disse.Pelos cálculos da mesma fonte, o diesel vendido pela Petrobras nas refinarias estaria atualmente em torno de R$ 3,30 por litro, enquanto a subvenção em vigor soma perto de R$ 1,12 por litro.Com a ampliação do benefício em mais R$ 1 por litro, o subsídio total passaria para aproximadamente R$ 2,12 por litro.O total de subsídios, mesmo que efetivado, pode não ser suficiente para zerar a defasagem em relação ao preço no exterior, mas traria alívio importante.Cálculos da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom) estimam em cerca de R$ 3,20 a defasagem média do produto da Petrobras, não somente pelo avanço dos preços do petróleo, que estão oscilando acima de US$ 100 o barril, devido à intensificação da guerra no Irã, mas pela menor oferta global do combustível, pelos ataques a refinarias da Rússia pela Ucrânia.Quando questionada sobre defasagem, a Petrobras afirma que suas bases logísticas contam com maior eficiência e abrangência no território nacional, e que por isso os cálculos para empresas menores não são adequados para a petroleira.A companhia também afirma que não antecipa movimentos sobre reajustes de preços. Questionada sobre eventual alta do diesel, não comentou imediatamente.Procurados, os ministérios da Fazenda, Planejamento e Minas e Energia não comentaram o assunto imediatamente.Uma segunda fonte também afirmou que a empresa ainda aguarda uma regulamentação oficial da medida.“Aguarda-se uma medida do governo, uma portaria do Ministério da Fazenda, para diminuir a defasagem que aumentou. A expectativa é de uma desoneração de mais de um real e isso melhora a diferença de preço. Vai dar um fôlego para a Petrobras”, disse.A Petrobras informou em nota na madrugada desta quinta-feira que aguarda a publicação dos atos necessários antes de avaliar e implementar qualquer nova subvenção.“Com relação à concessão de nova subvenção econômica à comercialização de óleo diesel anunciada pelo Governo Federal, a Petrobras aguarda a publicação dos atos legais necessários para sua avaliação e implementação”, afirmou a companhia.Por dentro dos mercadosReceba gratuitamente as newsletters do Money TimesOBS: Ao clicar no botão você autoriza o Money Times a utilizar os dados fornecidos para encaminhar conteúdos informativos e publicitários.