Um novo estudo descobriu que mesmo uma pequena exposição à luz durante o sono pode alterar a forma e a função dos músculos cardíacos, aumentando o risco de doenças cardíacas no futuro.“A poluição luminosa surgiu como um novo fator de risco para doenças cardiovasculares”, disse o autor sênior do estudo, Dr. Lu Qi, titular da Cátedra Distinta HCA Regents, professor e diretor do Centro de Pesquisa sobre Obesidade da Universidade de Tulane, em Nova Orleans.“Nossos resultados, juntamente com evidências de outros estudos, sugerem que a redução da exposição à luz noturna deve ser considerada como uma das estratégias potenciais para a prevenção de doenças cardíacas por médicos e formuladores de políticas”, disse Qi em um comunicado. Leia Mais Consumo diário de café pode reduzir riscos cardiovasculares; veja doses Frio pode aumentar em até 30% o risco de infarto, alerta cardiologista Projeto de lei: especialista avalia benefício do cordão roxo para Alzheimer Para uma boa noite de sono, especialistas afirmam que o ideal é que o quarto tenha, no máximo, um lux o que é considerado bastante escuro. O lux é uma unidade de medida de luminosidade estabelecida pelo Sistema Internacional de Unidades. 3 lux equivalem à luz da lua ou à luz que entra por baixo da porta fechada do quarto, segundo especialistas.Neste estudo, os pesquisadores descobriram que as paredes do músculo cardíaco de pessoas expostas a mais de 3 lux de luz durante o sono engrossavam de maneiras que reduziam a eficiência da ação de bombeamento do coração.Segundo o estudo, a extensão dos danos aumentou à medida que o quarto ficou mais iluminado. Exemplos de luz extra podem incluir o brilho de um smartphone com a tela voltada para cima, a luminosidade de um despertador digital ou a poluição luminosa externa.Músculos cardíacos mais espessos podem levar à insuficiência cardíacaO estudo, publicado na quarta-feira no European Heart Journal, analisou o sono de mais de 11.000 pessoas sem doenças cardiovasculares que faziam parte do estudo UK Biobank, um banco de dados biomédico que contém dados genéticos e de saúde de 500.000 residentes do Reino Unido.Todos os participantes do estudo usaram um sensor de pulso durante sete dias para medir os níveis de luz durante a noite. Três anos depois, cada pessoa fez uma ressonância magnética cardiovascular para examinar a estrutura e a função do coração.Em comparação com pessoas que não se expõem à luz durante a noite, dormir em ambientes com mais de 3 lux causa espessamento das paredes do ventrículo esquerdo do coração, reduzindo o espaço interno. Também houve redução na capacidade do músculo cardíaco de se contrair durante os batimentos cardíacos um indicador precoce de disfunção cardíaca. Danos adicionais também foram encontrados em outras duas câmaras cardíacas.A remodelação do músculo cardíaco é chamada de “remodelação” cardíaca, disse o Dr. Andrew Freeman, diretor de prevenção e bem-estar cardiovascular do National Jewish Health em Denver.“Não queremos que o músculo cardíaco engrosse. Não queremos que o músculo cardíaco fique rígido. Não queremos que o coração fique muito grande”, disse Freeman, que não participou do estudo. “E todas essas coisas parecem acontecer quando há exposição excessiva à luz e, potencialmente, a uma má qualidade de sono.”Entre 24% e 49% do impacto no coração foi devido a uma duração de sono inferior a cinco ou seis horas, o que é uma “consequência direta da exposição à luz noturna”, disse Qi. Outros fatores podem ser responsáveis pelos restantes 51% do risco.“A exposição à luz noturna pode afetar outros fatores de risco de doenças cardiovasculares, como estresse e alterações biológicas”, disse Qi em um e-mail, referindo-se a questões como pressão arterial e frequência cardíaca.Cortinas blackout são eficazes para bloquear a luz externa. Se isso não funcionar, experimente uma máscara de dormir. • gorodenkoff/iStockphoto/Getty ImagesO estudo apresentou limitações, afirmou Karl Lawrence, professor do Instituto de Ciências Farmacêuticas do King’s College London. Por exemplo, uma semana de testes é um período muito curto para medir a exposição total. Além disso, o uso de um sensor de luz no pulso “não é um bom indicador da dose recebida pelos olhos podendo resultar tanto em superestimação quanto em subestimação”.“Correlacionar isso com exames cardíacos três anos depois parece um tanto forçado”, disse Lawrence em um e-mail. “Seriam necessários mais estudos para demonstrar a causalidade.”Bloquear a luz à noiteÉ relativamente fácil bloquear a luz no quarto, dizem os especialistas. Coloque cortinas pesadas ou persianas blackout baratas em cada janela. Não se esqueça de abri-las pela manhã para aproveitar a luz natural que ajuda a regular o ritmo circadiano do corpo.Apague as luzes do corredor à noite. No entanto, se a luz ainda entrar por baixo da porta ou pelas frestas das janelas, experimente usar espuma ou fitas de bloqueio de luz, que podem ser vendidas como isolantes contra correntes de ar ou materiais de vedação. Se a luminosidade persistir, mesmo que baixa, experimente usar uma máscara de dormir. Escolha lâmpadas de leitura para a cabeceira que sejam de cor branca quente, âmbar escuro ou vermelha, com temperaturas de cor efetivas baixas ou próximas de zero. Se precisar de uma luz noturna, mantenha-a fraca e ao nível do chão, e escolha lâmpadas com tons avermelhados ou acastanhados.