A Polícia Federal (PF) identificou gastos de luxo feitos pela produtora responsável pelo filme Dark Horse, sobre a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro, durante o período de gravações da obra. Segundo análise financeira citada na decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), a Go Up Entertainment movimentou R$ 19 milhões em operações consideradas atípicas, incluindo R$ 906,7 mil pagos a um hotel de luxo e R$ 653,1 mil em serviços de alimentação corporativa.A avaliação consta no documento em que o ministro autorizou os mandados de busca e apreensão contra o deputado federal Mario Frias (PL-SP) e outros 48 investigados. As medidas foram determinadas no âmbito da Operação Make Up, deflagrada nesta quinta-feira (10/9), para investigar um suposto esquema de desvio de recursos públicos provenientes de emendas parlamentares. Leia também Mirelle PinheiroDark Horse: PF vê rede de desvios e Dino cita “razões de sobra” para buscas Mirelle PinheiroQuem são os alvos da PF na operação que apura financiamento de Dark Horse Mirelle PinheiroPF suspeita de contrato retroativo com doador de campanha de Mario Frias Mirelle PinheiroPF rastreia caminho de emendas de Mario Frias até filme de Bolsonaro Segundo a investigação, a empresa Go Up Entertainment Ltda., que tem como sócia a empresária Karina Ferreira da Gama, também alvo da operação, e como produtor executivo Frias, movimentou R$ 8,9 milhões a crédito e R$ 10 milhões a débito entre 10 de novembro e 30 de dezembro de 2025.O período das transações coincide com a fase em que o filme foi gravado na cidade de São Paulo, entre 20 de outubro e 7 de dezembro de 2025.GastosEntre os principais destinos dos recursos que saíram das contas da produtora, os investigadores destacaram pagamentos realizados a empresas dos setores de hotelaria e alimentação.R$ 906,7 mil foram repassados, em nove transações, à Unique Serviços de Hotelaria e Alimentação, empresa responsável pelo Hotel Unique, estabelecimento de alto padrão na capital paulista.Outros R$ 653,1 mil foram destinados à Foodflix Alimentação Ltda., especializada em serviços de planejamento alimentar e refeições corporativas.Além disso, a produtora também transferiu R$ 896,6 mil para a BAW Facilitadora de Pagamentos Ltda. e R$ 492,2 mil para produtoras audiovisuais, entre elas J D da Silva Produções e Mazal Produções.A apuração também mapeou a origem dos recursos que abasteceram a Go Up Entertainment durante o período analisado. Entre os remetentes identificados pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) está a NTT Brasil Ltda., que transferiu R$ 750 mil para a produtora.Segundo a PF, o valor é compatível com os R$ 700 mil recebidos por empresas do mesmo grupo econômico por meio do Instituto Conhecer Brasil (ICB), no âmbito de termos de fomento custeados por emendas parlamentares.O próprio Mario Frias transferiu R$ 645,4 mil para a produtora em menos de 60 dias. A movimentação chamou a atenção dos investigadores porque os rendimentos mensais do deputado eram de aproximadamente R$ 44 mil.Outra empresa ligada a Karina Gama, a GO7 Assessoria, transferiu R$ 2,61 milhões para a Go Up Entertainment.Na avaliação da corporação, reproduzida na decisão de Dino, os repasses cruzados entre o parlamentar, entidades sociais e a produtora do filme fazem parte da apuração sobre um “circuito financeiro fechado” voltado ao direcionamento e à ocultação de recursos públicos.OperaçãoA Operação Make Up foi realizada pela PF em parceria com a Controladoria-Geral da União (CGU). Ao todo, foram expedidos 49 mandados de busca e apreensão pelo STF, cumpridos em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e Distrito Federal.A coluna apurou que os investigadores apreenderam o celular de Mario Frias. Também foram apreendidas sete armas de fogo e carros de luxo ligados ao parlamentar.