Ibovespa dispara 1,42% com ‘trade eleitoral’ e bancos; Vale (VALE3) recuaO Ibovespa virou para o campo positivo nesta quinta-feira (10) e fechou em alta de 1,42%, aos 188.268,59 pontos, com ganho de 2.639,55 pontos. Depois de começar o dia pressionado pelo exterior, o índice ganhou força com novas pesquisas eleitorais e o avanço das apostas em um cenário de alternância de poder.O movimento foi reforçado pela pesquisa AtlasIntel divulgada nesta quinta, que mostrou Flávio Bolsonaro numericamente à frente de Lula em uma simulação de segundo turno. A leitura aumentou o chamado “trade eleitoral”, com investidores reajustando posições em ativos brasileiros.Josias Bento, especialista em investimentos e sócio da GT Capital, destaca que a virada ocorreu justamente após a divulgação do levantamento. “O mercado vê Flavio mais próximo de Lula no segundo turno com a expectativa que consiga criar uma política fiscal mais responsável com as contas públicas. E isso favorece a bolsa.”Fernando Bresciani, analista de investimentos do Andbank, também aponta que “as pesquisas eleitorais continuam ajudando o mercado, com um cenário de empate técnico e desgaste do governo”.Bancos e Petrobras (PETR4) puxam o IbovespaOs grandes bancos estiveram entre os principais motores da alta. Bradesco (BBDC4) avançou 3,88%, Banco do Brasil (BBAS3) subiu 2,80% e Itaú Unibanco (ITUB4) ganhou 1,83%. Santander (SANB11) destoou e caiu 0,13%.A Petrobras (PETR4) avançou 1,45%, favorecida pela nova disparada do petróleo. O Brent voltou a superar US$ 100 por barril em meio à escalada das tensões entre Estados Unidos e Irã.“O petróleo também sobe forte, diante da falta de novidades sobre o conflito entre Estados Unidos e Irã”, afirma Bresciani. Segundo ele, o avanço da commodity voltou a alimentar preocupações com inflação e juros mais elevados.No varejo, Magazine Luiza (MGLU3) disparou 6,64%, enquanto outros papéis sensíveis aos juros também se destacaram.Cotação do dólar hojeDólar comercial: queda de 0,18%, a R$ 5,103.A moeda acompanhou a melhora dos ativos brasileiros com o cenário eleitoral, mesmo em uma sessão de alta dos rendimentos dos Treasuries. Vale (VALE3) fica na contramãoA Vale (VALE3) caiu 1,10%, refletindo a fraqueza do minério de ferro e impedindo um avanço ainda maior do índice.Entre os destaques positivos, além de Magazine Luiza, Hapvida (HAPV3) e Assaí (ASAI3) estiveram entre os papéis beneficiados pelo apetite por ações mais sensíveis ao ciclo doméstico.Na ponta contrária, Natura (NATU3) apareceu entre as maiores quedas, em um movimento que Josias relaciona ao fim do programa de recompra e ao elevado volume de aluguel das ações.Inflação e Fed pressionam Wall StreetNo exterior, o cenário foi bem diferente. O PPI dos Estados Unidos mostrou alta acumulada de 5,4% em 12 meses, acima dos 5,3% esperados, ampliando as preocupações com a inflação.Segundo Josias Bento, o mercado passou a precificar uma probabilidade elevada de alta de juros já na reunião de setembro, movimento potencialmente negativo para países emergentes em meio ao início de um ciclo de flexibilização monetária no Brasil.Fechamento das bolsas americanasWall Street terminou novamente no vermelho, pressionada pela alta dos Treasuries e pelo petróleo mais caro. Dow Jones: -0,60%, aos 52.064,10 pontosS&P 500: -0,58%, aos 7.591,75 pontosNasdaq: -0,65%, aos 26.081,73 pontos A atenção agora se volta ao CPI de agosto, que será divulgado nesta sexta-feira e poderá recalibrar novamente as apostas sobre a decisão do Federal Reserve.Apesar do ambiente externo mais negativo, o Ibovespa conseguiu se descolar de Wall Street mais uma vez, sustentado principalmente pelo cenário eleitoral e pelo desempenho de bancos e ações ligadas ao mercado doméstico.A última cotação do Ibovespa, referente ao pregão de quarta-feira (9), foi de 185.629,04 pontos, com queda de 0,93%.