O primeiro debate entre candidatos ao Senado por São Paulo foi protagonizado por pautas sobre segurança pública, maioridade penal e mudanças no STF (Supremo Tribunal Federal) diante da crise institucional que a Corte passa.O debate, realizado pela TV Bandeirantes nesta quarta-feira (10), contou com a presença de André do Prado (PL), Geraldo Rufino (Podemos), Guilherme Derrite (PP), Marina Silva (Rede), Ricardo Salles (Novo), Simone Tebet (PSB) e Soninha Francine (Cidadania). Leia mais PT vai ao STF por retirada de sigilo do caso Master após pedido de Lula Renan Santos tem candidatura validada pelo TSE; ainda faltam Marçal e Cury Entenda as decisões de Fachin contra Moraes, Mendonça e Dino 1º blocoNo primeiro bloco, os candidatos convidaram outros para debater ideias.No púlpito, Ricardo Salles pontuou que André do Prado não tem credencial de direita, com um passado repleto de apoio à esquerda. Em contrapartida, Prado lembrou dos tempos em que Salles trabalhou ao lado do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), quando era governador de São Paulo.Já Simone Tebet e Derrite debateram sobre saúde, com o ex-secretário destacando seus feitos pelo estado, e a ex-ministra pontuando seus projetos futuros. Tebet também aproveitou para falar sobre a crise institucional que o STF enfrenta e disse que “se o Supremo não fizer nada, o Senado terá que resolver”.Soninha Francine e Geraldo Rufino falaram sobre a população de rua. A jornalista pontuou a importância do atendimento de saúde às pessoas em situação de vulnerabilidade nas ruas por causa de vícios, e Rufino disse conhecer bem a questão e defendeu a ampliação da geração de renda para essa população e para os jovens que estão nas comunidades, para não serem “pegos” pelo tráfico.Marina Silva e Tebet defenderam juntas o fim da escala de seis dias trabalhados e um de descanso. As ex-ministras afirmaram que aqueles que defendem que a medida será um prejuízo não “entendem nada” sobre o desenvolvimento econômico.“Não só eu, mas com você, estaremos votando juntas pelo fim da escala 6×1. Como ministra, eu pedi o estudo ao Ipea do impacto da escala, no agro não chega 1%, porque o mundo está tecnológico, e quem pode dar prejuízo é aquele empregado que tem até 9 funcionários e o governo pode com isso”, disse Simone Tebet.Prado criticou falas anteriores de Marina nas quais ela acusava Lula de corrupto, cobrou da ministra os feitos por São Paulo e relembrou que, quando eleita deputada, deixou o cargo dias depois para assumir o Ministério do Meio Ambiente. Como resposta, a ex-ministra disse que se posicionou ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em 2022 em defesa da democracia, que, em seu ministério, destinou bilhões ao estado paulista e que não considera o cargo de ministra um demérito.Por fim, Derrite e Salles enfatizaram o discurso de segurança pública e atacaram a esquerda por seus posicionamentos.“A esquerda não gosta de polícia, demoniza a polícia e romantiza o bandido”, disse Salles. “Nós temos a Marina, que votou contra a redução da maioridade penal, e a Tebet, que também se posicionou contra. (…)”, concluiu Salles.2º blocoNo segundo bloco, foi a vez de os jornalistas fazerem perguntas a dois candidatos.A Tebet e Prado, a pergunta foi sobre segurança pública. A ex-ministra disse que “bandido bom é bandido preso”, que nunca foi contra a maioridade penal para jovens de 16 anos que cometeram crimes graves, propôs que o presidiário estude e trabalhe dentro das cadeias para não roubar vagas dos civis e solicitou a revisão do PL (Projeto de Lei) Antifacção.Prado defendeu a mudança de leis, disse ser a favor da maioridade penal e sugeriu mudar a progressão de pena: “Se condenados a 30 anos, são 30 anos que devem cumprir”.Questionados sobre a reforma tributária, Derrite e Soninha defenderam a revisão do projeto para que seja feita uma reforma que reduza os impostos. “Concordo com o Derrite, essa reforma não resolveu questões (…) colocaram muitas alíquotas diferentes e inclusive de maneiras questionadas.”A atual crise institucional do STF também foi abordada entre os candidatos. Marina Silva e André do Prado defenderam que senadores exerçam suas prerrogativas e penalizem aqueles que forem condenados. “Ninguém está acima da lei”, disse Prado. “O ministro pode e deve ser cassado se agir ilegalmente, conforme a Constituição”, completou Marina.Já sobre o fim da escala 6×1, Salles se posicionou contra e afirmou que toda vez que “o Estado entra na relação privada acaba gerando pobreza”. Segundo ele, é necessário haver flexibilidade entre o empregado e o funcionário e que a pauta que está sendo debatida tem um teor “eleitoreiro”. Em resposta, Tebet afirmou que o “Brasil não vai quebrar” com a pauta 6×1. Em sua análise, o prejuízo será apenas para empresas que possuem menos de nove funcionários e, para estas, o governo consegue dar suporte.Questionados sobre o limite da concessão privada no estado, Soninha apontou a concorrência como limite, uma vez que o Estado permanece detentor do serviço, ao contrário da privatização. Rufino também defendeu que as concessões no estado são necessárias. “O governo não tem condições de cuidar das pessoas, então é necessário.” 3º blocoNo terceiro bloco, os candidatos escolhiam com quem desejavam debater.No primeiro embate, Soninha e Tebet defenderam uma reforma no Judiciário e no Legislativo diante das denúncias de corrupção no Supremo e o estabelecimento de novas regras para a eleição de ministros do STF.“Eu já votei no fim da vitaliciedade para ministro do STF. Eu já votei em algumas questões sobre decisão monocrática, porque a decisão tem que ser coletiva”, disse a ex-ministra. Soninha completou dizendo que a escolha deve ser feita pelos magistrados de carreira e que devem valer algumas regras de compliance, como as relacionadas à aceitação de presentes e à inclusão de parentes no trabalho.Derrite e Marina protagonizaram o debate sobre a maioridade penal. Questionada, a ex-ministra disse que votou contra por ser professora e acredita que não se “deve tratar adolescente como bandido”. Já o secretário afirmou que, se aos 16 anos o indivíduo pode votar para definir o caminho do país, pode arcar com suas responsabilidades. “Foram 3 mil assassinatos cometidos por esses criminosos, foram mais de 400 latrocínios.”Os dois candidatos da direita trocaram farpas. Salles acusou Prado de envolvimento em casos de corrupção e de mentir sobre ser de direita: “Você quer enganar o eleitor fingindo que é bolsonarista”.Já Prado apontou que Salles ainda não foi inocentado de uma decisão que está nas mãos do Alexandre de Moraes e, por esse motivo, não se posiciona contra o impeachment do ministro.Senador explica apoio a pedido de impeachment de Moraes: "Há uma cobrança da sociedade" | CNN 360°