Sem passaporte e longe de finanças: as proibições feitas a sócios da Naskar

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Apesar de a 4ª Vara Criminal de Brasília conceder liberdade aos três ex-sócios da fintech Naskar Marcelo Liranco Arantes, Rogério Vieira e José Maurício Volpato, o deferimento do pedido foi aceito mediante a imposição de medidas cautelares. Dentre as restrições está a proibição da atuação do trio no mercado financeiro.O alvará de soltura foi expedido na quinta-feira (3/9). Desde então, os investigados estão tendo de cumprir oito medidas cautelares determinadas pela Justiça.As cautelares são:Comparecimento a todos os atos em eventual ação penal;Proibição de manter contato, por qualquer meio, direto ou indireto, com vítimas, testemunhas, colaboradores e demais pessoas relacionadas aos fatos investigados;Proibição de acesso ou frequência às empresas relacionadas aos fatos investigados, inclusive por intermédio de terceiros;Proibição de ausentar-se da comarca sem prévia autorização judicial;Recolhimento domiciliar no período noturno e nos dias de folga, ressalvadas situações excepcionais previamente autorizadas pelo Juízo;Suspensão do exercício de atividades empresariais e financeiras relacionadas aos fatos investigados, nos termos das determinações anteriormente proferidas;Entrega e retenção dos passaportes e demais documentos de viagem; eManutenção das constrições patrimoniais anteriormente deferidas, inclusive bloqueios, arrestos e indisponibilidades, nos exatos limites das decisões já proferidas.3 imagensFechar modal.1 de 3Maurício Jahu, sócio da Naskar. O mais famoso do trio, Jahu foi apresentador da ESPNReprodução2 de 3Marcelo Arantes, sócio da NaskarReprodução3 de 3Rogério Vieira, sócio da NaskarReproduçãoNa decisão que determinou a soltura, o juiz Aimar Neres de Matos considerou, entre outros pontos, que a investigação foi formalmente encerrada em 28 de agosto. Além disso, ressaltou que a eventual realização de análises periciais sobre materiais já apreendidos não seria suficiente para manter os investigados presos.“As medidas de busca e apreensão já foram cumpridas, tendo sido arrecadados celulares, notebooks, pen drives, chips telefônicos, livros contábeis, documentos e outros elementos de interesse da investigação, os quais se encontram sob a custódia do Estado”, disse.O magistrado também avaliou que não havia notícia de tentativa de interferência na investigação, constrangimento de testemunhas ou risco concreto de fuga. Segundo ele, as medidas patrimoniais já determinadas e a suspensão das atividades empresariais também permanecem vigentes.Aimar Neres de Matos indeferiu a imposição por tornozeleira eletrônica. O magistrado considerou o monitoramento “desproporcional, diante da suficiência do conjunto das demais medidas cautelares impostas”.Relembre o casoA Naskar Gestão de Ativos chegou a ter sede no DF e, atualmente, tinha endereço fixo em São Paulo (SP). Apresenta-se como fintech (empresa de serviços financeiros que oferece facilidades aos clientes em comparação com bancos tradicionais);A empresa atuava captando recursos de clientes com retorno de 2% ao mês, valor bem acima do operado pelo mercado;Para se ter um exemplo: se uma pessoa investisse R$ 1 milhão, receberia R$ 20 mil mensais pagos pela fintech, enquanto a empresa cuidaria do patrimônio investido pelo cidadão;A financeira atuou por 13 anos sem problemas. Até que, em maio de 2026, o pagamento mensal de rendimentos não foi realizado;Os clientes buscaram entender o que estava acontecendo e não obtiveram resposta. Tempos depois, houve o anúncio de que a Naskar seria vendida para Douglas Silva de Oliveira Azara;Pressionado por clientes, Douglas dava declarações de que estava no aguardo de documentação para iniciar o reembolso às vítimas do golpe, mas, meses depois, anunciou que desistiu da compra da fintech;Marcelo Arantes, Maurício Jahu e Rogério Vieira foram presos pela Polícia Civil do DF (PCDF), em junho deste ano, suspeitos de fraude devido ao desaparecimento e à suposta venda da Naskar;Douglas Silva de Oliveira tem mandado de prisão contra si por conta de outro processo, que trata de fraude contra a Zema Financeira, conforme revelou o Metrópoles. A última aparição pública do empresário foi realizada em Dubai.Mais sobre os ex-sóciosMais conhecido como Maurício Jahu, José Maurício é um ex-atleta de vôlei. Fez carreira no Clube Atlético Pirelli, de São Paulo, e teve passagens pela Seleção Brasileira na década de 1980. Maurício Jahu ainda foi treinador e modelo antes de decolar em uma segunda profissão, a de apresentador de TV. Trabalhou na ESPN Brasil durante cerca de 20 anos.Marcelo Liranco Arantes, por sua vez, era sócio-administrador de outras três empresas além da fintech antes de ser preso. Já Rogério Vieira comandava duas companhias do ramo financeiro.