Candidatos a deputado da chapa do PSDB de São Paulo têm demonstrado revolta pela fata de verba para campanha destinada pelo partido. Em conversas de Whatsapp (veja abaixo), os postulantes manifestam insatisfação com a situação e trocam informações sobre as respostas que cada um têm recebido de membros da direção da legenda sobre os recursos.“Piada. Quem faz campanha assim”, disse um dos candidatos. Outra afirma que o partido havia disponibilizado cerca de 20 mil santinhos, mas que não iria pegar por não ter dinheiro para pagar a distribuição. “Conversei com alguns comerciantes que disponibilizaram deixar o material nos estabelecimentos”, afirmou.Em outra conversa a que a coluna teve acesso, um candidato a deputado estadual cobra o recurso de um assessor do partido, que justifica dizendo que o presidente estadual do PSDB, Paulo Serra, estava tentando viabilizar a verba com o diretório nacional.4 imagensFechar modal.1 de 4Candidatos reclamam de falta de repasses para tocar campanha em SPReprodução2 de 4Em grupo de Whatsapp, candidatos do PSDB conversam sobre falta de dinheiro para a campanhaReprodução3 de 4Assessor explica a candidato que presidente estadual do PSDB está tentando viabilizar recursos para a campanhaReprodução4 de 4Partido tem enviado R$ 5 mil para candidatos que não possuem mandato. Quase metade ainda não recebeuReprodução“O Paulinho Serra está tentando viabilizar um recurso maior junto a Brasília. Mas por enquanto, a previsão de Fundo Eleitoral para os candidatos a estadual está em R$ 5 mil”, explica.Ao Metrópoles, Paulo Serra confirmou que o PSDB tem tido dificuldade em contemplar os candidatos da chapa e disse que ele mesmo, que é candidato a deputado federal, se sente prejudicado com a situação.O ex-prefeito de Santo André afirma que tem negociado com o diretório nacional mais repasses, já que, até o momento, o PSDB paulista recebeu cerca de R$ 6 milhões para a campanha estadual, cerca de 60% do que estava esperando.“Sem dúvida nenhuma que gera uma insatisfação, inclusive em mim como presidente e como candidato. Como candidato, eu esperava também ter pelo menos 30% ou 40% a mais do que eu vou receber, Mas a gente está fazendo um baita esforço e estamos tentando mais recursos para chegar mais próximo daquilo que tinha sido planejado”, afirmou.Serra afirma que uma ação trabalhista de anos atrás acabou “travando” cerca de R$ 3 milhões do fundo partidário do PSDB, o que também dificultou o financiamento das campanhas. No mês passado, o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF) deu uma decisão liberando o recurso, mas o dinheiro ainda não foi disponibilizado. “Estamos aguardando essa liberação do fundo partidário, que poderia ajudar um pouco”, disse.Além disso, o presidente estadual do PSDB explica que a legenda tem como regra destinar 50% dos seus recursos a mulheres, o que tem sido cumprido. Afirmou ainda que o diretório nacional definiu que dará mais recursos para quem tem mandato.Outra situação que tem “drenado” os recursos da legenda, segundo tucanos, são candidaturas majoritárias de nomes de peso, como Aécio Neves, presidente do partido e que disputa o Senado por Minas Gerais; Marconi Perillo, que tenta voltar ao governo de Goiás; e Ciro Gomes, que retornou ao PSDB para se candidatar ao governo do Ceará.Metade da chapa sem verbaDe acordo com os registros na Justiça Eleitoral, da chapa de deputados federais, 25 dos 60 candidatos ainda não receberam nenhum aporte do fundo eleitoral para rodar a campanha. Já na lista de 70 candidatos a deputado estadual, 42 não foram contemplados até o momento. Com isso, mais da metade dos candidatos ainda estão sem receber nenhum valor do partido.“Quando fomos convidados, o partido falou que ofereceria estrutura, cada candidato teve a sua conversa. Para mim, prometeram R$ 30 mil, depois falaram que seria só R$ 5 mil. Mas até agora não recebi nada”, afirma Luciano Aquino, candidato a deputado estadual. Ele ainda afirma que, quando negociou a candidatura, lhe foi informado que, caso fizesse dobrada com Paulo Serra, poderia receber mais recursos.Candidata a deputada federal, Elaine Amorim conta que a situação tem feito alguns candidatos cogitarem a desistir da corrida. “Um monte de gente dizendo que vai renunciar da candidatura”, diz.Ela, que recebeu até o momento R$ 10 mil, diz que fez um empréstimo de R$ 25 mil para contratar uma agência de marketing e que não sabe como vai arcar com o custo. “Não sou laranja, agora preciso do dinheiro para pagar a pessoa e não sei como conseguir”, afirma.ReclamaçõesNos grupos, os candidatos reclamam da concentração da verba para o casal Paulo Serra e Ana Carolina Serra, que busca a reeleição como deputada estadual. “Eles deviam pagar com o dinheiro deles e deixar o fundo para quem precisa”, disse uma candidata.O presidente do partido recebeu até o momento R$ 595 mil do diretório nacional do PSDB para a sua campanha à Câmara dos Deputados. O Já Ana Carolina Serra recebeu até o momento R$ 375 mil do fundo do PSDB para tocar a campanha de reeleição à Alesp. Do total repassado aos 130 candidatos até o momento, cerca de 30% foi para o casal Serra.Embora não tenha mandato atualmente, Serra diz que o partido o enquadra na mesma regra, mas mesmo assim ele “abriu mão” de cerca de 40% do que receberia para distribuir para outros candidatos. O presidente estadual disse que o mesmo se enquadra a Ana Carolina, que deixou de receber o total a que teria direito como deputada com mandato.