Revolut quer licença bancária no Brasil, mas diz que não tem pressa para virar banco

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A fintech britânica Revolut, avaliada em US$ 115 bilhões (quase o dobro do Nubank), quer obter uma licença bancária no Brasil, mas não considera esse um movimento imediato. Segundo Glauber Mota, CEO da Revolut no país, a companhia pretende se tornar banco em todos os mercados em que atua, mas a decisão brasileira dependerá da escala alcançada pela operação e do ambiente regulatório.“A resposta direta é sim”, afirmou Mota, quando questionado sobre os planos de buscar uma licença bancária no Brasil. “Já é público e notório que a Revolut quer ser banco em todos os países em que opera e sempre no maior grau de compliance em seus respectivos países.”A fintech já é uma instituição financeira regulada pelo Banco Central e está submetida ao arcabouço de compliance e reporte regulatório, segundo o executivo. A licença bancária, portanto, seria um próximo passo na evolução da operação.“Você precisa ser banco agora? Não preciso ainda”, disse Mota, em entrevista ao Money Minds, programa do Money Times no YouTube. Assista abaixo à entrevista na íntegra.Licença depende de escalaA estratégia da Revolut é avançar primeiro na construção da operação brasileira e, conforme a empresa ganhe escala, avaliar o momento adequado para solicitar uma licença mais ampla.“O modelo de licença, apesar de estar na nossa ambição, vai obedecer à maturidade do nosso crescimento em escala no Brasil e, obviamente, os tempos e movimentos que o próprio Banco Central permitir para que a gente faça esse movimento legal”, afirmou o CEO.A postura indica que a licença é vista como parte de uma estratégia de longo prazo, e não como um requisito para a expansão imediata dos negócios.A Revolut está há pouco mais de três anos no Brasil. A operação local reúne cerca de 250 pessoas em duas empresas: uma de tecnologia e outra instituição financeira regulada pelo Banco Central. A companhia afirma que a estrutura de tecnologia também desenvolve soluções para outras operações do grupo no mundo.De fintech global a uma “Amazon” financeiraA busca por uma licença bancária está ligada a uma ambição maior da Revolut: ampliar o número de produtos oferecidos dentro da mesma plataforma.Mota compara a estratégia da companhia à de empresas como Amazon e Mercado Livre. A ideia é que o consumidor encontre em um único lugar diferentes soluções financeiras, em vez de precisar recorrer a instituições distintas para cada necessidade.“Eu quero que seja conhecida como a solução onde o cliente não precisa pensar muito, ele sabe que lá ele vai encontrar o melhor — o melhor preço, o melhor benefício, a melhor combinação de fatores que o atende”, afirmou.Hoje, a empresa concentra sua oferta em serviços como conta global, câmbio, pagamentos, cartão de crédito, investimentos e acúmulo de pontos. O próximo movimento é ampliar essa prateleira também para pessoas jurídicas.Crédito está no radarA expansão da oferta de crédito é outro fator que pode aumentar a relevância de uma estrutura bancária mais completa no futuro.A Revolut já possui cartão de crédito no Brasil, mas ainda tem uma exposição relativamente pequena ao crédito quando comparada ao volume de depósitos e ao potencial de sua operação. Segundo Mota, a fintech pretende abrir outras linhas.“Quando a gente fala que não entrou no crédito, tem que colocar em termos relativos”, disse. “No Brasil, especificamente, a gente já tem uma operação de cartão de crédito ativa e ambiciona abrir outras linhas de crédito.”O executivo reconhece, porém, que o cenário brasileiro é desafiador. A combinação de juros elevados, inadimplência e características próprias do mercado de crédito torna a operação mais complexa do que em outros países.A aposta da empresa é usar escala, tecnologia e análise de dados para operar com custos mais baixos e, eventualmente, oferecer crédito a preços mais competitivos, segundo o executivo.Brasil é teste para a estratégia globalA Revolut considera o Brasil um mercado estratégico não apenas pelo tamanho, mas também pelo grau de competição e pela maturidade da infraestrutura financeira digital.Mota afirma que o país funciona como um laboratório para a companhia, especialmente por causa do Pix e dos sistemas de pagamentos instantâneos desenvolvidos localmente. Ao mesmo tempo, competir no Brasil é visto como uma forma de validar a estratégia da fintech em um dos mercados mais disputados do mundo.“Querer vencer no Brasil significa provar um case de negócio muito relevante”, afirmou.