A Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef) defendeu, nesta terça-feira (8/9), que a Polícia Federal (PF) permaneça acima das disputas políticas após o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinar o afastamento preventivo do diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues, por 90 dias. A entidade pediu que as circunstâncias do caso sejam apuradas com isenção, responsabilidade e transparência. Leia também Manoela AlcântaraMendonça determina o afastamento de Andrei Rodrigues da direção da PF “É fundamental evitar qualquer tentativa de politização da Polícia Federal, seja pelo STF (onde o princípio da colegialidade deve ser observado), seja pelo Poder Executivo ou por políticos que disputam o pleito eleitoral. A instituição deve permanecer acima das disputas políticas”, afirmou.A Fenapef disse acompanhar os acontecimentos com atenção e preocupação, mas ressaltou que não pretende antecipar qualquer julgamento sobre os fatos ou sobre as medidas adotadas. Segundo a entidade, cabe às instâncias competentes realizar as apurações necessárias e definir eventuais responsabilidades a partir dos elementos levantados.A federação também defendeu que o caso seja conduzido sem prejulgamentos e com respeito ao devido processo legal. Para a entidade, eventuais investigações não devem ser utilizadas para comprometer a imagem ou a autonomia da Polícia Federal.“A Federação atua de forma independente e apartidária, tendo como princípios a defesa das prerrogativas da categoria, a valorização profissional, o fortalecimento institucional e o respeito ao Estado Democrático de Direito. A missão institucional da Polícia Federal e o compromisso de seus servidores com a sociedade permanecem acima das circunstâncias e dos acontecimentos do momento.”AfastamentoA manifestação ocorre após Mendonça determinar, nesta terça-feira (8/9), o afastamento de Andrei Rodrigues do cargo de diretor-geral da PF. A medida tem duração de 90 dias. Na mesma decisão, o ministro também determinou o afastamento do delegado federal Leandro Almada da Costa, diretor de Inteligência Policial da corporação.Mendonça afirmou ter sido alvo de “monitoramento sistemático e ilegal” da PF por mais de 30 dias. O caso está relacionado aos desdobramentos das investigações envolvendo o Banco Master, nas quais o nome de Andrei Rodrigues apareceu em mensagens do banqueiro Daniel Vorcaro.A decisão de Mendonça foi analisada pela Segunda Turma do STF nesta terça-feira. Os ministros Kassio Nunes Marques e Luiz Fux acompanharam o relator, formando maioria para manter o afastamento do diretor-geral.O ministro Gilmar Mendes pediu vista do processo, interrompendo o julgamento. Dias Toffoli se declarou impedido de votar. Apesar da suspensão da análise, o afastamento de Andrei Rodrigues permanece em vigor.