Crise no STF: próximo presidente poderá indicar até 4 ministros

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Em meio à uma grave crise institucional marcada por  vazamentos e trocas de acusações entre ministros, o Supremo Tribunal Federal (STF) terá parte do futuro definido nas urnas.Isso porque, quem vencer a eleição presidencial de 2026 e assumir o Palácio do Planalto em 2027, poderá indicar até quatro novos ministros para a Corte até 2030 — um poder capaz de redesenhar a maioria do tribunal, mudar o equilíbrio interno e influenciar diretamente os rumos do Judiciário nos próximos anos.O número incomum de trocas tem uma explicação dupla. Primeiro, o Senado rejeitou a indicação feito pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para a vaga aberta na Corte e o preenchimento foi adiado. Depois, o próximo mandato presidencial vai coincidir com a aposentadoria compulsória de três ministros aos 75 anos.A regra é da chamada PEC da Bengala, em vigor desde 2015. Antes, o limite era de 70 anos. Portanto, pelo calendário, três cadeiras ficarão vagas no próximo governo, que começa em janeiro de 2027. Confira as próximas aposentadorias:Luiz Fux, em abril de 2028;Cármen Lúcia, em abril de 2029;Gilmar Mendes, em dezembro de 2030, já no fim do mandato.Antes mesmo dessas três aposentadorias programadas, há uma cadeira vaga desde a aposentadoria antecipada do ex-ministro Luís Roberto Barroso, em outubro de 2025. Leia também Grande AngularDefesa de Deltan diz que STF nunca barrou sua candidatura em 2026 Manoela AlcântaraSegurança do STF para 7 de Setembro terá drones e ação integrada Mundo“Bomba atômica” e “silêncio”: imprensa internacional repercute crise no STF Igor GadelhaLula tem conversa reservada com Fachin e Gonet sobre crise no STF O presidente Lula tentou indicar o advogado-geral da União, Jorge Messias, para a vaga, mas sofreu uma derrota no Senado: 42 votos a 34 contra o nome do auxiliar. Diante do placar, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), acertou com a oposição que a escolha ficará para depois das eleições.Pelas regras, Lula apode indicar um nome ainda neste ano. No entanto, a expectativa é que a indicação só caminhe no Senado se o presidente for reeleito no pleito de outubro.Lista do tempo restante de cada ministroLuiz Fux: faltam cerca de 1 ano e 7 meses (aposentadoria em abril de 2028);Cármen Lúcia: faltam cerca de 2 anos e 7 meses (aposentadoria em abril de 2029);Gilmar Mendes: faltam cerca de 4 anos e 3 meses (aposentadoria em dezembro de 2030);Edson Fachin: faltam cerca de 6 anos e 5 meses (aposentadoria em fevereiro de 2033);Dias Toffoli: faltam cerca de 16 anos e 2 meses (aposentadoria em novembro de 2042).Flávio Dino: faltam cerca de 16 anos e 7 meses (aposentadoria em abril de 2043);Alexandre de Moraes: faltam cerca de 17 anos e 3 meses (aposentadoria em dezembro de 2043);Kassio Nunes Marques: faltam cerca de 20 anos e 8 meses (aposentadoria em maio de 2047);André Mendonça: faltam cerca de 21 anos e 3 meses (aposentadoria em dezembro de 2047);Cristiano Zanin: faltam cerca de 24 anos e 2 meses (aposentadoria em novembro de 2050).PresidenciáveisA última pesquisa Quaest, divulgada na segunda-feira (7/9), mostra Lula e Flávio Bolsonaro (PL) empatados no 2º turno, com 41% das intenções de voto.5 imagensFechar modal.1 de 5Lula e Edson FachinPresidente do Supremo Tribunal Federal BRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsakiFoto2 de 5Em meio à crise do STF, Edson Fachin e Lula se reúnem em evento no PlanaltoBRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsakiFoto3 de 5Reprodução/YouTube4 de 5Com Fachin e Gonet, Lula fala em discussão profunda sobre reforma do Judiciário ano que vemBRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsakiFoto5 de 5O presidente do STF Edson Fachin e o presidente Lula falam sobre reforma no JudiciárioBRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsakiFotoCaso seja reeleito, Lula pode aumentar ainda mais o número de aliados dentro da Supremo Corte. Do atual colegiado, quatro ministros foram indicados pelo petista. São eles: Cármen Lúcia (indicada em 2006), Dias Toffoli (indicado em 2009), Cristiano Zanin (indicado em 2023) e Flávio Dino (indicado em 2024).Crítico ferrenho da atual conjuntura do STF, Flávio Bolsonaro — caso eleito — pode ter a oportunidade de aumentar a ala “direitista” na Corte. Antes de indiciar o ministro André Mendonça ao STF, o ex-presidente Jair Bolsonaro chamou o à época advogado geral da União de “ministro terrivelmente evangélico”. 4 imagensFechar modal.1 de 4Flávio BolsonaroSam Pancher/Metrópoles2 de 4Flávio Bolsonaro durante sabatina no Jornal NacionalReprodução/ Tv Globo3 de 4Reprodução/ Tv Globo4 de 4Flávio Bolsonaro (PL) herdou o lugar do pai como o principal opositor de Lula nas eleiçõesReprodução/ Flávio BolsonaroDo atual colegiado, Nunes Marques e Mendonça foram indicados pelo pai de Flávio. Para o cientista político Leandro Gabiati, o STF será um das principais pontos a serem analisados pelo eleitor no momento do voto.De acordo com o especialista, a crise do Banco Master no STF fará o eleitorado olhar com mais atenção também para quem escolherá para o Senado Federal. “Aqueles candidatos mais tendentes a serem a favor do impeachment de ministro, já tiram uma vantagem. Com o caso que nós estamos vendo agora, essa agenda ganha ainda mais força”, analisou Gabiati.Sobre possíveis indicações de Lula e Flávio ao STF, o cientista político entende que o próximo presidente pode moldar o novo perfil da Corte. Crise MasterApós conversas entre o banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes virarem à tona, tanto Lula quanto Flávio se manifestaram.Sem citar diretamente Moraes, em vídeo divulgado na noite de quinta (3/9), Lula defendeu investigações sobre o escândalo. O presidente declarou que a democracia “precisa de instituições fortes e respeitadas” e classificou ser “fundamental que se investigue todo mundo, sem blindagem de ninguém, doa a quem doer”.Já o candidato do PL, senador Flávio Bolsonaro (RJ), aproveitou o caso para intensificar os ataques ao Judiciário. O parlamentar cobrou a abertura “imediata” de um processo e disse que os senadores estão “anestesiados”.“É inadmissível que tenhamos pessoas da cúpula do poder deste país suspeitas de vários crimes e isso não seja o assunto principal. É muito preocupante essa espécie de anestesia que estamos pelo Legislativo. Em especial, por parte desta Casa”, disse Flávio, durante discurso no plenário do Senado.Durante manifestação na Avenida Paulista, nessa segunda-feira (7/9), Flávio defendeu o impeachment de Moraes e chegou a dizer que se eleito vai indicar “cinco ministros” para o STF — as quatro vagas que estarão em aberto e a cadeira de Moraes.