Shein amplia vantagem de preço no Brasil, e Zara retoma expansão; concorrência estrangeira aperta varejistas locais

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A competitividade no mercado brasileiro de vestuário está se acirrando, com a Shein pressionando nomes como Riachuelo (RIAA3), Renner (LREN3) e C&A (CEAB3). Levantamento do BTG Pactual mostra que comprar na asiática custa quase metade do preço do que nas opções nacionais.O índice mais recente do banco mapeou 72,2 mil itens comparáveis contra 70,1 mil em junho, sendo 21,2 mil da Lojas Renner, 8,3 mil de C&A, 5,5 mil da Riachuelo e 37,1 mil da Shein.A conclusão mais clara, segundo os analistas, é que a vantagem de preço da Shein aumentou. O valor da cesta comparável de produtos caiu para R$ 756, ante R$ 939 em junho, enquanto o valor médio da compra local subiu para R$ 1.344, ante R$ 1.427. Como resultado, a Shein agora está 44% mais barata que o valor médio da compra local, contra 34% em junho, diz o BTG em relatório.A concorrência internacional se intensifica no setor. Neste cenário, a Inditex, dona da marca Zara, retomou a expansão física no Brasil depois de anos com foco na qualidade das lojas em vez do tamanho da rede.Expansão da ZaraO grupo contava com 54 lojas no Brasil no final do ano fiscal de 2025, sendo 45 lojas Zara e nove Zara Home, e desde então adicionou duas lojas Bershka, totalizando 56 unidades. A Zara retornará ao Barra Shopping Sul, em Porto Alegre, com uma loja de 2.643 m², a maior do Rio Grande do Sul, enquanto a Bershka abrirá sua terceira loja brasileira em Brasília antes do final do ano, após inaugurar unidades em São Paulo em março e no Rio de Janeiro em agosto.“A expansão continua altamente seletiva: todas as lojas em destaque estão em shoppings da Multiplan, e a loja de Brasília deverá se beneficiar de uma área de influência já consolidada – o Park Shopping atraiu 12 milhões de visitantes e gerou R$ 1,84 bilhão em vendas em 2025, com 84% de seus clientes pertencendo às classes de renda A/B”, diz o BTG.Acirramento da concorrênciaA Bershka preenche uma lacuna estratégica em meio à crescente concorrência internacional, representando mais do que apenas um crescimento incremental de lojas para a Inditex ao expandir o mercado potencial do grupo para um consumidor que a Zara historicamente teve dificuldade em alcançar. A Bershka tem como público-alvo clientes de 13 a 25 anos, opera 854 lojas em 68 mercados globais e oferece preços significativamente mais baixos do que a Zara, aproximando-se do segmento disputado pela Shein e, cada vez mais, pela H&M. O BTG nota que a Inditex está implementando a marca com cautela, com a primeira loja brasileira inaugurada com cerca de 1.000 m² no Shopping Morumbi, seguida por uma unidade com mais de 1.000 m² no Shopping Barra e agora em Brasília, aproveitando shoppings onde a Zara já fornece dados extensivos de clientes e fluxo de pessoas.Enquanto isso, a H&M também está acelerando sua expansão e espera-se que alcance 13 lojas no Brasil, distribuídas em três das cinco regiões do país, enquanto a Massimo Dutti continua com previsão de entrada no Brasil, embora a Inditex ainda não tenha divulgado a localização ou a data de inauguração. “De modo geral, vemos a notícia como evidência de uma mudança mais ampla no setor de vestuário brasileiro: as empresas internacionais estão investindo de forma mais agressiva, enquanto a própria Zara se tornou uma operadora mais eficiente”, diz o BTG. Para as empresas nacionais, como Renner, C&A e Riachuelo, a ameaça competitiva vem, portanto, cada vez mais de ambas as pontas do mercado: plataformas internacionais que oferecem ampla variedade e preços baixos online, e marcas globais que trazem suas propostas para o Brasil.Vestuário caro no BrasilO relatório do BTG chama atenção para a questão dos preços elevados no setor de vestuário brasileiro em comparação com outros países. O banco publica seu índice sobre a Zara desde 2014 e vem, desde lá, alertado para os preços elevados.“Temos repetidamente alertado que o Brasil é um dos países mais caros para comprar roupas e um mercado difícil para empresas estrangeiras. Existem vários motivos, que vão desde a volatilidade cambial, a complexidade da logística e do sistema tributário (apesar das melhorias nos últimos anos), até a presença de concorrentes locais já consolidados”, dizem os analistas do banco.No início de 2025, os produtos da Zara chegaram a ficar 7% mais baratos no Brasil do que nos Estados Unidos. No entanto, com a valorização do real ante o dólar, o cenário se inverteu. Os produtos da Zara são agora 3% mais caros no Brasil do que nos EUA e o país continua sendo um dos mercados mais caros para os consumidores da Zara.Por dentro dos mercadosReceba gratuitamente as newsletters do Money TimesOBS: Ao clicar no botão você autoriza o Money Times a utilizar os dados fornecidos para encaminhar conteúdos informativos e publicitários.