BRB pagou bilhões ao Master mesmo após alertas internos, aponta PF

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O BRB continuou comprando carteiras de crédito do Banco Master mesmo depois de relatórios internos apontarem problemas como falta de comprovação dos créditos, dados inconsistentes e risco de fraude. Segundo laudo da Polícia Federal, os alertas não interromperam as novas operações. A informação consta em documentos cujo sigilo foi retirado pelo ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), após despacho de Edson Fachin, presidente da Corte.A perícia identificou 22 operações, que somaram R$ 7,63 bilhões, nas quais o dinheiro foi pago antes da conclusão de pelo menos um dos pareceres técnicos previstos. O valor corresponde a 43,41% do total desembolsado nas compras de carteiras de varejo analisadas.Os problemas também já haviam sido registrados pelo próprio BRB. Um relatório concluído em 4 de abril de 2025 apontou falhas na documentação, ausência de comprovação dos créditos e risco de fraude. Depois desse documento, o banco ainda desembolsou R$ 5,23 bilhões. Desse total, R$ 2,19 bilhões foram pagos após o relatório final, concluído em maio.A PF também encontrou 25 aprovações de compras do Master que somaram R$ 17,5 bilhões. Em 21 delas, o valor foi exatamente de R$ 750 milhões, limite que permitia que a decisão permanecesse na Diretoria Colegiada do BRB. Acima desse valor, a operação deveria ser analisada pelo Conselho de Administração. Para a perícia, o padrão permitiu que as compras fossem mantidas fora da instância superior de controle.Sigilo do caso MasterOs documentos vieram a público depois que o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, mandou retirar o sigilo das investigações do Banco Master e dos processos relacionados ao caso. André Mendonça, relator das apurações, cumpriu a determinação e liberou o material, além de encaminhar cópia aos demais ministros.A retirada do sigilo ocorre em meio à crise aberta no STF após relatórios da Polícia Federal sobre Daniel Vorcaro atingirem integrantes da Corte. Mendonça chegou a afastar o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e o diretor de Inteligência, Leandro Almada. Flávio Dino determinou a volta dos dois aos cargos, e Fachin depois suspendeu as duas decisões, concentrou na Presidência do Supremo a análise dos processos e convocou o plenário para discutir o caso no dia 15.