“Morte e mistério na Amazônia”: série teve ameaça de morte nos bastidores

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A equipe de “Morte e Mistério na Amazônia”, nova série documental da HBO Max que estreou na quinta-feira (10), precisou deixar a região do Alto Rio Negro às pressas após ser ameaçada de morte durante as gravações da produção.Em entrevista à CNN Brasil, a diretora Tatiana Issa contou que o risco surgiu quando o homem foco do documentário, Tatunca Nara, percebeu que a produção pretendia confrontá-lo com informações e documentos levantados pela investigação sobre a versão dos fatos ocorridos entre as décadas de 1970 e 1980 na Amazônia. O homem defende, até hoje, a existência de uma “cidade perdida” na floresta, chamada de Akakor. "Morte e mistério na Amazônia" desmistifica fantasia e dá voz às vítimas Netflix anuncia nova série brasileira com Marieta Severo e Alice Wegmann Após prejuízo milionário, "Supergirl" chega ao streaming; veja data De acordo com ela, a equipe havia acabado de realizar uma entrevista quando percebeu que havia uma ameaça real ali.“A gente teve que sair da Amazônia, corrido, fugido de madrugada no barco”, contou. “Tínhamos acabado de fazer uma entrevista quando a gente entende que está sendo ameaçado ali, de morte. Tivemos que sair correndo. Foi uma operação de entrar no barco e sair às pressas de madrugada. Foi muito perigoso e complexo essa produção”, relatou.Foi a primeira vez em que Tatunca concedeu uma entrevista longa, apresentando sua versão dos fatos.“As poucas vezes que ele deu uma outra entrevista, sempre foram entrevistas ou muito rápidas ou nas quais o jornalista ou repórter deixa ele falar ou não contesta”, afirmou Tatiana.“Então, era muito importante para a gente tê-lo, não para dar voz, mas para confrontá-lo”, complementou a profissional.Expedição pelo Alto Rio NegroAlém do risco durante as entrevistas, a própria realização das gravações na Amazônia impôs desafios logísticos à equipe. A produção foi feita em locações da região retratada pela história, incluindo uma expedição pelo Alto Rio Negro.“A gente realmente gravou na Amazônia, in loco, em quase todos os lugares retratados. A gente fez essa expedição de subir o Alto Negro de barco, e foram muitos dias, muitas horas”, contou Tatiana.Para a diretora, filmar na região exigiu uma imersão que ia muito além da logística convencional de uma produção audiovisual.“Eu acho que filmar na Amazônia foi complexo. Complexo, porque a gente está lidando com uma Amazônia de uma época específica em que essa história se passa”, explicou.A equipe precisou navegar por diferentes territórios, lidar com longos deslocamentos e enfrentar o cansaço e o desgaste de uma produção realizada em áreas de difícil acesso.“E a gente teve que mergulhar em partes e territórios da Amazônia, complexos de navegar em todos os sentidos: na logística, no cansaço, no perigo, no desgaste.”A experiência de gravar nos próprios territórios relacionados à história, no entanto, trouxe uma camada de realidade à produção.“Nós lidamos ali com locações muito impactantes, e que trouxeram essa realidade para a série, que a gente quer passar.”Relembre o casoO caso ganhou notoriedade nas décadas de 1970 e 1980, a partir dos relatos sobre Akakor, uma suposta cidade perdida que, segundo a lenda, estaria escondida no coração da floresta amazônica e teria sido habitada durante milhares de anos por uma antiga civilização.As histórias despertaram o interesse de aventureiros, pesquisadores e exploradores, principalmente da Europa e dos Estados Unidos. Motivados por relatos sobre a suposta civilização, diversos estrangeiros viajaram para a região amazônica em busca da cidade. As expedições acabaram cercadas por desaparecimentos, mortes e investigações que se estenderam por décadas.Tatunca Nara tornou-se o principal personagem dessa história ao afirmar que era descendente dos Ugha Mongulala, um povo indígena que, segundo seus relatos, teria ligação com Akakor. Ele também dizia conhecer o caminho até a cidade perdida e passou a atuar como guia para expedições que entravam na floresta em busca do local.Com o passar dos anos, Tatunca passou a ser associado ao desaparecimento e à morte de alguns dos exploradores que estiveram na região. As circunstâncias dos casos deram origem a diferentes investigações, suspeitas e teorias.Apesar das décadas de buscas e investigações, a existência de Akakor nunca foi comprovada.Confira o trailer de “Morte e Mistério na Amazônia”Morte e Mistério na Amazônia | Trailer Oficial | HBO MaxCivilização perdida na Amazônia pode ter reunido até 3 mi de pessoas