Olympikus vai “carregar o piano” da Vulcabras em meio a incertezas na economia

Wait 5 sec.

A agenda da Vulcabras (VULC3) já foi mais otimista. Depois de 24 trimestres consecutivos de crescimento, a companhia espera continuar aumentando as receitas nos próximos balanços, mas agora em meio a um cenário econômico mais incerto. E quem deve “carregar o piano” é a sua marca própria, a Olympikus.Mais de 10 mil varejistas são responsáveis por cerca de 80% das vendas de produtos da Vulcabras. Foi por meio do contato com esses clientes que a empresa construiu seu prognóstico: “A população está muito endividada e o poder aquisitivo está diminuindo”, afirma o CEO da Vulcabras, Pedro Bartelle, ao InfoMoney.Pedro Bartelle, CEO da Vulcabras. (Foto: Divulgação/Vulcabras)De acordo com o executivo, esse cenário se consolidou a partir da Copa do Mundo de 2026 e provocou uma adaptação da produção. Diante da tendência de maior seletividade dos consumidores, a empresa quer que um mesmo tênis de suas linhas possa ser calçado em cada vez mais situações.“Precisamos de um produto que a pessoa possa usar para trabalhar, mas também para ir à academia e transitar no final de semana. Isso vai desde as cores até a cosmética”, afirma Bartelle. A ideia é direcionar metade do portfólio a produtos que observem a “multifuncionalidade” e a melhor relação custo-benefício.Leia mais: Vulcabras retoma neste ano busca por parceiros para ampliar negócioA estrutura verticalizada da Vulcabras ajuda na estratégia. Como a companhia desenvolve e fabrica as coleções, é possível fazer mudanças estratégicas mais rapidamente em resposta a mudanças no contexto macroeconômico ou de mercado.“Quando lançamos uma coleção de seis meses, conseguimos identificar em 20 a 30 dias aquilo que não está vendendo bem. O varejo então tem cinco meses para vender esses produtos”, conta o CFO da Vulcabras, Wagner Dantas, ao InfoMoney. “Mais importante: conseguimos identificar os best-sellers e abastecer o mercado com o que o consumidor está buscando.”Projeções feitas pelo Relatório Indústria de Calçados 2026, da Albicalçados, indicavam dois cenários para o mercado interno brasileiro neste ano. No pessimista, estima-se um crescimento de 0,5% em relação a 2025. Já no otimista, o consumo aumentaria em 3,11%.Wagner Dantas, CFO da Vulcabras. (Foto: Divulgação/Vulcabras)No segundo trimestre de 2026, a receita líquida da Vulcabras avançou 11,2% em relação ao segundo trimestre do ano anterior, alcançando R$ 994,8 milhões. É o 24º trimestre consecutivo de crescimento no indicador.Olympikus “carrega o piano”É na marca Olympikus, com tênis de menor custo, que a estratégia traçada pela Vulcabras funciona melhor para conseguir manter o ritmo de crescimento. “Já é um produto que cuidamos muito para ser multifuncional. Vamos amplificar essa coleção. O próprio consumidor e o lojista acabam nos demandando mais deste tipo de produto”, conta Bartelle.No caso da Mizuno, marca japonesa cuja operação e produção no Brasil são tocadas pela Vulcabras, a aposta é a categoria de corrida, na qual as linhas podem ser adaptadas para ganhar características que se adequem a outras ocasiões de uso. Já na Under Armour, desenvolvedora americana também operada pela Vulcabras no Brasil, o cenário é diferente. “Na Under Armour é muito mais difícil. Além de ser uma marca que mundialmente vende 80% do seu faturamento em vestuário e acessório, e apenas 20% em calçado, é uma marca que vende produtos mais específicos”, aponta o CEO da Vulcabras. São os casos de itens funcionais relacionados à academia ou ao basquete, e não tanto à corrida, onde é mais fácil criar as alternativas “multifuncionais”.A boa notícia para a empresa é que, hoje, a Under Armour tem o menor impacto nos resultados. “Sem dúvida nenhuma, a Olympikus será a marca que mais vai carregar o piano ao longo do período em que visualizamos enfrentar algumas dificuldades”, diz Bartelle.The post Olympikus vai “carregar o piano” da Vulcabras em meio a incertezas na economia appeared first on InfoMoney.