Quem é William Murad, delegado que assume o comando da PF

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O delegado William Marcel Murad (foto em destaque) assume temporariamente o comando da Polícia Federal (PF) após o afastamento preventivo do diretor-geral Andrei Rodrigues, determinado nesta terça-feira (8/9) pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).Até então diretor-executivo da corporação, cargo que ocupa desde janeiro de 2025, Murad tem mais de duas décadas de carreira na PF e acumula passagens por áreas consideradas estratégicas da instituição, como inteligência, combate ao crime organizado, repressão ao tráfico de drogas, tecnologia e cooperação internacional. Leia também Mirelle PinheiroAndrei Rodrigues aguarda notificação para passar comando da PF a Murad 7 imagensFechar modal.1 de 7BRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsakiFoto2 de 7BRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsakiFoto3 de 7BRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsakiFoto4 de 7BRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsakiFoto5 de 7BRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsakiFoto6 de 7BRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsakiFoto7 de 7BRENO ESAKI/METRÓPOLES @BrenoEsakiFotoA mudança no comando ocorre em meio a uma das maiores crises recentes envolvendo a cúpula da Polícia Federal.Além de Andrei, Mendonça determinou o afastamento preventivo do diretor de Inteligência Policial, Leandro Almada da Costa, e mandou a Corregedoria da PF abrir procedimentos criminais e administrativo-disciplinares para investigar a produção de relatórios de inteligência sobre autoridades.Como mostrou a coluna, Murad já esteve ao lado de Andrei nesta manhã. Os dois se reuniram na Academia Nacional de Polícia (ANP), em Brasília, onde ocorreria a abertura do LXIII Curso de Formação Profissional para agentes da PF.Andrei estava na Academia, mas não apareceu no auditório para a cerimônia. Murad, por sua vez, discursou no evento e fez uma defesa pública da direção da instituição.“Não nos deixaremos abalar por ataques, repito, venham de onde vierem”, afirmou.O delegado também manifestou “total confiança” na direção-geral e disse que o momento exigia serenidade.“Mas saberemos atravessar essa tempestade, como tantas vezes o fizemos”, declarou.Mais de 20 anos na PFMurad ingressou na Polícia Federal em 2002. Naquele ano, ficou em primeiro lugar no 17º Curso de Formação Profissional para delegado da PF, realizado na Academia Nacional de Polícia.Bacharel em Direito pela Universidade de São Paulo (USP), ele também passou pela FBI National Academy, na Virgínia, nos Estados Unidos, em 2010. Dois anos depois, realizou o Curso Superior de Polícia da Academia Nacional de Polícia.A formação do delegado inclui ainda cursos específicos de inteligência. Em 2003, participou de treinamento em Inteligência Antidrogas na Escuela Regional de la Comunidad Americana de Inteligencia Antidrogas, em Lima, no Peru. Em 2005, fez o Curso de Inteligência Policial da própria PF.Antes de chegar aos cargos de direção em Brasília, Murad passou por diferentes áreas operacionais da corporação.Entre 2002 e 2004, atuou na Superintendência da PF em Pernambuco, onde foi chefe substituto da Delegacia de Repressão a Entorpecentes.Depois, seguiu para o Rio Grande do Norte. Entre 2004 e 2008, exerceu funções de comando no estado, incluindo as chefias da Delegacia Regional de Combate ao Crime Organizado, do Núcleo de Inteligência Policial e da Delegacia de Repressão a Entorpecentes.De 2008 a 2010, comandou a Divisão de Repressão a Crimes Fazendários da PF. Em seguida, assumiu a chefia da Delegacia da Polícia Federal em São José do Rio Preto (SP), onde permaneceu até 2013.Antes de chegar à Diretoria-Executiva, Murad passou mais de três anos no exterior.De novembro de 2021 a dezembro de 2024, foi adido policial federal no Reino Unido da Grã-Bretanha e Irlanda do Norte, função ligada à cooperação policial internacional.Retornou ao Brasil e, em janeiro de 2025, assumiu a Diretoria-Executiva da PF.Murad também é instrutor da Academia Nacional de Polícia. Segundo seu currículo, é fluente em inglês, tem espanhol avançado e francês básico.CriseMendonça determinou o afastamento preventivo de Andrei e de Almada ao apontar irregularidades na produção de relatórios de inteligência que, segundo o ministro, envolveram monitoramento e “coleta dirigida” de informações sobre ele e sobre o advogado-geral da União, Jorge Messias.Os afastamentos são preventivos e não representam condenação dos delegados.