Reino Unido sanciona produtos de assentamentos israelenses na Cisjordânia

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O Reino Unido anunciou na terça-feira (8) uma proibição comercial de produtos fabricados nos assentamentos israelenses na Cisjordânia ocupada, em coordenação com França e Canadá, nas mais recentes sanções dirigidas a Israel, que enfrenta um crescente isolamento diplomático.O ministro das Relações Exteriores britânico, Ed Miliband, afirmou que o Reino Unido não poderia mais se limitar a simplesmente “denunciar” a injustiça e o sofrimento, mas disse à Câmara dos Comuns que o país agora precisava “agir” para se opor à expansão dos assentamentos.“Hoje nos recusamos a ser meros espectadores do sofrimento crescente e da destruição da solução de dois Estados”, disse Miliband, referindo-se ao apoio de longa data do Reino Unido à ideia de dois Estados, à qual Israel se opõe. Leia Mais União Europeia vai impor sanções contra colonos violentos da Cisjordânia Chanceler de Israel rompe com chefe da diplomacia da União Europeia Israelenses tomam casas palestinas na Cisjordânia após cerco de colonos Os EUA, por meio de seu embaixador em Israel, já criticaram as novas sanções do Reino Unido, enquanto dois ministros israelenses pediram que medidas sejam tomadas contra o Reino Unido.Miliband, que assumiu o cargo de ministro das Relações Exteriores do Reino Unido em julho, também afirmou que a posição do país é de que a ocupação na Cisjordânia é ilegal e que Londres acredita que há limpeza étnica de palestinos em áreas da Cisjordânia.O impacto sobre o comércio bilateral anual de 6 bilhões de libras (8,12 bilhões de dólares) provavelmente será mínimo, já que ainda não estão claros os detalhes de como o Reino Unido diferenciará entre mercadorias originárias dos assentamentos da Cisjordânia e produtos fabricados em Israel.Reação israelenseDois ministros israelenses proeminentes reagiram com indignação à medida. O ministro das Finanças, Bezalel Smotrich, pediu que o embaixador britânico em Tel Aviv fosse expulso, enquanto o ministro da Segurança Nacional, Itamar Ben-Gvir, solicitou ao primeiro-ministro Benjamin Netanyahu que fechasse o consulado britânico em Jerusalém Oriental, que é credenciado junto à Autoridade Palestina na Cisjordânia.O presidente israelense Isaac Herzog, por sua vez, acusou o Reino Unido de interferir nas próximas eleições de Israel, previstas para o final de outubro.O foco das preocupações recentes é o projeto de assentamento E1 de Israel na Cisjordânia, não muito longe de Jerusalém, que atravessaria terras que os palestinos buscam para um futuro Estado independente e que, segundo Miliband, colocaria em risco a solução de dois Estados.Smotrich anunciou na terça-feira o avanço dos planos para a construção de 1.000 novas moradias em dois outros assentamentos na Cisjordânia.As Nações Unidas, os palestinos e a maioria dos países consideram os assentamentos ilegais segundo o direito internacional. Israel contesta isso.Em 2025, o Reino Unido se juntou a outros países para reconhecer um Estado palestino como forma de promover a solução de dois Estados e, em junho, impôs sanções a redes israelenses envolvidas no financiamento, na facilitação e na prática de violência na Cisjordânia ocupada por Israel.As relações entre Israel e Reino Unido têm se tornado cada vez mais tensas nos últimos anos, com Londres criticando a conduta de Israel em Gaza, a expansão dos assentamentos na Cisjordânia e o aumento dos ataques de colonos contra palestinos.O embaixador dos EUA em Israel, Mike Huckabee, disse à BBC que as sanções equivaliam a “discriminação contra o povo judeu”. Ele alertou que elas poderiam limitar a capacidade do Reino Unido de fazer negócios em alguns Estados norte-americanos que proíbem que empresas que boicotam Israel sejam elegíveis para contratos governamentais estaduais, compras públicas ou investimentos públicos.Os produtos originários dos assentamentos são principalmente agrícolas, incluindo produtos frescos e vinho, e representam apenas uma fração minúscula do total dos fluxos comerciais de Israel.O gabinete do primeiro-ministro israelense e o Ministério das Relações Exteriores não responderam imediatamente aos pedidos de comentário.Qual a importância de grandes nações reconhecerem o Estado Palestino?