Andrei Augusto Passos Rodrigues chegou ao comando da Polícia Federal no primeiro dia útil do terceiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Mais de três anos depois, o delegado tornou-se um dos personagens da crise que envolve a PF e ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).Nesta terça-feira (8), o ministro André Mendonça determinou seu afastamento preventivo da direção-geral da corporação. A medida ainda será submetida à análise dos demais ministros do Supremo.A Segunda Turma chegou a formar maioria pela manutenção da decisão, mas o julgamento foi interrompido por um pedido de vista do ministro Gilmar Mendes.Leia tambémCaso Vorcaro-Moraes: o que falta para STF decidir se abre investigaçãoFachin aguarda esclarecimentos antes de levar caso aos ministros; afastamento do diretor-geral da PF adiciona novo elemento à criseApós afastamento, Mendonça manda PF abrir investigação contra Andrei RodriguesDiretor-geral foi afastado do cargo por decisão do ministro do STF; apuração terá frentes penal e administrativaDuas décadas na Polícia FederalNatural de Pelotas, no Rio Grande do Sul, Rodrigues é formado em Direito pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel) e acumula mais de 20 anos de carreira na Polícia Federal.Antes de chegar ao posto mais alto da instituição, passou por diferentes áreas da corporação. Chefiou a Delegacia de Repressão a Entorpecentes em Manaus, a unidade de combate a crimes fazendários em Porto Alegre e a delegacia da PF no Aeroporto Internacional de Brasília. Também trabalhou fora do país como oficial de ligação da Polícia Federal em Madri, na Espanha.Sua trajetória inclui ainda passagens pela segurança presidencial. Rodrigues coordenou a proteção de Dilma Rousseff durante a campanha de 2010, quando a petista foi eleita presidente pela primeira vez.Doze anos depois, voltou a exercer função semelhante na campanha de Lula. Após a vitória do petista em 2022, permaneceu responsável por sua segurança durante a transição e no início do governo.Em 22 de dezembro daquele ano, o então futuro ministro da Justiça, Flávio Dino, anunciou Rodrigues como escolhido para dirigir a PF. Ele assumiu o cargo em 2 de janeiro de 2023.Master e INSSRodrigues comandou a corporação durante investigações que atingiram o sistema financeiro, o INSS e o Congresso. Uma delas foi a Operação Compliance Zero, que apura fraudes financeiras relacionadas ao Banco Master. A PF também deflagrou, durante sua gestão, a Operação Sem Desconto, sobre descontos indevidos em benefícios do INSS.Outro caso de repercussão foi a Operação Overclean, que investiga suspeitas de desvios de recursos de emendas parlamentares, corrupção, fraudes em licitações e lavagem de dinheiro.São justamente os desdobramentos das apurações sobre o Master que agora colocam o diretor-geral no centro da crise institucional.A crise que levou ao afastamentoO afastamento ocorre poucos dias depois de Alexandre de Moraes utilizar um relatório atribuído à PF para pedir a investigação de André Mendonça. Moraes apresentou a solicitação dentro do inquérito das fake news, sob sua própria relatoria.Na sexta-feira (4), o presidente do STF, Edson Fachin, interveio e retirou a controvérsia daquele inquérito. O ministro abriu um procedimento separado e solicitou esclarecimentos aos envolvidos.Nesta terça, Mendonça determinou o afastamento preventivo de Rodrigues e do diretor de Inteligência Policial da PF, Leandro Almada. Também ordenou à Corregedoria da corporação que abra procedimentos para investigar a conduta do diretor-geral.The post Quem é Andrei Rodrigues, diretor da PF afastado por André Mendonça appeared first on InfoMoney.