Luciano Hang, conhecido o como “Véio da Havan”, é investigado pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) por suposto assédio eleitoral em discurso sobre o fim da escala 6×1.O episódio ocorreu durante a inauguração da 196ª unidade da Havan, em Caldas Novas, Goiás. Em reunião com funcionários da nova loja, Hang comentou sobre a PEC que prevê o fim do modelo de trabalho e que atualmente tramita no Congresso.Nesse contexto, o empresário disse que a escala 5×2 reduziria o poder de compra da população e que, caso a proposta fosse aprovada, funcionários da Havan teriam de “arranjar outro emprego”. Ele também classificou a proposta como uma “medida eleitoreira” e afirmou que ela seria uma forma de enganar os trabalhadores.Atualmente, o MPT apura o caso por meio de uma notícia de fato. O órgão investiga um possível caso de assédio eleitoral: quando alguém em posição de poder usa essa hierarquia para constranger, ameaçar ou induzir subordinados a votar de determinada forma.O que foi dito pelo “Véio da Havan” Em vídeo que circula nas redes sociais, Luciano Hang aparece em um palco diante de uma multidão de trabalhadores. O discurso começa com a declaração de que “a liberdade de trabalho é de vocês (trabalhadores), não é do Congresso Nacional”.Em seguida, sustenta que a escala 5×2 faria com que o custo da mão de obra crescesse proporcionalmente ao tamanho da empresa. No caso da Havan, segundo o empresário, esse custo poderia aumentar 15% com a mudança.Na sequência, o “Véio da Havan” argumenta que essa diferença se refletiria nos preços dos produtos e que, caso os salários permanecessem os mesmos, os trabalhadores teriam um “poder de compra menor”.Como consequência, diz que “vocês vão ter que arranjar outro emprego” e menciona a possibilidade de um subemprego, sem registro em carteira e sem benefícios como 13º salário e férias.Por fim, Luciano Hang declara que os trabalhadores “vão ter que trabalhar mais para comprar o que estão comprando hoje”. Ele também classifica a proposta como um “estelionato eleitoral” e que os políticos estariam interessados em conquistar os votos dos trabalhadores em outubro para, depois, permanecer no poder.Assédio eleitoral por Luciano Hang?O MPT foi acionado pela deputada federal Sâmia Bomfim (Psol-SP) para investigar o ocorrido.Segundo a parlamentar, as falas do “Véio da Havan” sobre o fim da escala 6×1 são mentirosas, configuram assédio eleitoral e refletem uma reação dos setores patronais contra a garantia de direitos trabalhistas.As falas de Luciano Hang são apuradas pelo MPT, que investiga se elas de fato configuram assédio eleitoral. O órgão analisa se a associação entre a eventual aprovação da PEC e alguns possíveis impactos aos trabalhadores pode ter explorado uma relação de emprego marcada pela desigualdade hierárquica.A investigação ainda está em etapa inicial e, por enquanto, não significa uma conclusão sobre eventual irregularidade cometida por Luciano Hang.‘Véio da Havan’ já respondeu por assédio eleitoral antesO episódio deste ano coloca em xeque um acordo firmado entre a Havan e o MPT em 2025. Pelo termo, Luciano Hang e a empresa se comprometeram a não tentar influenciar o voto dos funcionários nem realizar pesquisas de intenção de voto entre os empregados.O acordo foi firmado após o empresário ser condenado por assédio eleitoral durante as eleições de 2018, quando foi um dos principais apoiadores do então candidato Jair Bolsonaro. Naquele período, o MPT recebeu denúncias relacionadas à realização de reuniões e manifestações de cunho político dentro da empresa.Em 2024, Luciano Hang e a Havan foram condenados pela Justiça do Trabalho ao pagamento de R$ 1 milhão por danos morais coletivos e de R$ 1 mil de indenização individual a empregados que mantinham vínculo com a companhia até outubro de 2018.Considerando também as multas previstas na decisão, o valor provisório da condenação chegou a R$ 85 milhões.*Sob supervisão de Ricardo Gozzi.