Quem ocupa uma cadeira independente no conselho de uma empresa é, necessariamente, independente de quem a controla? Um levantamento da XP com 141 companhias mostra como se distribuem os assentos dos conselhos de administração e quem participa da eleição de seus integrantes.Apenas 39% das empresas analisadas têm conselho com maioria de membros independentes. Ao mesmo tempo, em 72% das companhias, pelo menos metade dos assentos é ocupada por conselheiros eleitos pelo acionista controlador. Em 44% da amostra, todos os membros foram indicados pelo controlador.Outro dado do levantamento mostra que 52% dos próprios conselheiros classificados como independentes foram eleitos pelo acionista controlador. Isso não significa, por si só, que esses profissionais deixem de atender aos critérios de independência. A XP afirma, no entanto, que essa dinâmica pode afetar a percepção sobre a independência dos conselhos e merece ser considerada na avaliação de sua composição.O estudo foi elaborado a partir dos Formulários de Referência publicados na CVM até 25 de agosto de 2026 e considera empresas de 17 setores. Além da independência, foram avaliados tempo de mandato, participação dos mesmos profissionais em diferentes conselhos e diversidade de formação acadêmica.Leia tambémPetrobras volta atrás em reajuste da gasolina e acende alerta sobre governançaEstatal corrigiu informação horas após anúncio de aumento de R$ 0,19/litro; analistas veem risco para previsibilidade da política de preçosSó 39% têm conselho com maioria independenteNa média, 48% dos assentos dos conselhos analisados são ocupados por membros independentes. O percentual fica ligeiramente abaixo da referência de 50% citada pela XP com base nas recomendações da OCDE.A distribuição varia entre as empresas. Em 22% delas, os conselheiros independentes representam menos de 30% do total. A faixa entre 20% e 29% de independência é a mais frequente da amostra, presente em 31 companhias.A partir dos resultados, a XP aponta a independência como a principal área de possível evolução entre as dimensões de governança consideradas pelo estudo.Segundo a casa, a avaliação também deve considerar se os membros independentes têm experiência, influência e autonomia para exercer suas atribuições de supervisão.Vale elege Ollie para presidir conselho; executivo reforça governança e protagonismoControlador elege maioria em 72% das companhiasA participação dos acionistas controladores aparece com mais clareza quando o levantamento observa quem elege os integrantes dos conselhos.Em 102 das 141 empresas, equivalentes a 72% da amostra, pelo menos metade das cadeiras é ocupada por membros eleitos pelo controlador. Em 61 companhias, ou 44%, todos os integrantes do conselho foram indicados pelo acionista controlador.Entre os conselheiros classificados como independentes, 52% também foram eleitos pelo controlador.Ser eleito pelo acionista controlador não retira automaticamente a condição de independente nem permite concluir como esse conselheiro atua nas decisões do colegiado. A XP observa que o dado acrescenta uma dimensão à análise da independência, que não se limita à classificação formal dos membros.Esse tema também aparece nas discussões sobre governança corporativa e as regras do Novo Mercado, que estabelecem critérios relacionados à composição dos conselhos das companhias listadas no segmento.Hapvida: acionistas aprovam aumento dos assentos do conselho e indicações da SquadraBancos e petróleo apresentam diferenças na composiçãoA participação de conselheiros independentes também varia de acordo com o setor.Entre os oito bancos analisados, os independentes representam cerca de 40% dos conselhos. Nesse grupo, 92% dos assentos foram ocupados por membros eleitos pelo controlador.Em Petróleo, Gás e Petroquímicos, também com oito empresas na amostra, a independência média chega a 63%, enquanto 28% das cadeiras foram preenchidas por membros eleitos pelo controlador.No varejo, que reúne 18 companhias na pesquisa, a independência média ficou em aproximadamente 48%. Em Transportes, com 14 empresas, foi de cerca de 43%.Os dados mostram que tanto o nível de independência quanto a participação dos controladores na eleição dos conselheiros apresentam diferenças entre os setores pesquisados.Axia “em uma nova fase”: o que muda para as ações com a migração para o Novo Mercado10% dos conselheiros ocupam 22% das cadeirasA XP também avaliou o chamado overboarding, termo utilizado para a participação de um mesmo profissional em mais de um conselho.Dos 1.038 conselheiros identificados, cerca de 90% atuam em apenas uma empresa da amostra. Os outros 10% participam de mais de um conselho e, juntos, ocupam 22% de todos os assentos analisados.Transportes registra a maior sobreposição entre os setores: 36% das cadeiras são ocupadas por membros que participam de mais de um conselho dentro da amostra. Em Petróleo e Gás, a proporção é de 31%.A XP avalia que a presença de profissionais em diferentes conselhos pode trazer experiência acumulada e conhecimento de outras companhias. O relatório também cita aspectos que podem ser considerados na análise desses casos, como disponibilidade de tempo, possíveis conflitos de interesse e dedicação às atividades de cada conselho.O tema do acúmulo de assentos em conselhos de administração também já esteve presente nas discussões sobre as regras de governança das empresas listadas.Por que ainda precisamos perguntar o que é ser um bom conselheiro?Conselheiros ficam, em média, 7,4 anos no cargoO levantamento encontrou tempo médio de mandato de 7,4 anos entre os conselheiros.Do total, 37% estão no cargo entre dois e cinco anos, enquanto 36% permanecem entre cinco e dez anos. Outros 15% participam dos conselhos há mais de uma década.A XP interpreta o resultado agregado como um equilíbrio entre renovação e preservação do conhecimento institucional. O relatório ressalta, porém, que períodos mais longos de permanência também devem ser considerados na análise da independência e da renovação dos colegiados.A relação entre tempo de mandato e independência dos conselheiros também faz parte das discussões sobre práticas de governança corporativa.Engenheiros e administradores representam 53% das cadeirasA formação acadêmica foi outra dimensão considerada pelo levantamento.Engenheiros representam 28% dos assentos e administradores, 25%. Juntas, as duas formações respondem por 53% das cadeiras analisadas.Segundo o estudo, oito profissões representam 95% das formações identificadas entre os conselheiros. Além disso, 16% das empresas têm pelo menos 60% dos integrantes do conselho com a mesma formação acadêmica.As diferenças também aparecem entre setores. Na Construção Civil, por exemplo, engenheiros representam 45% dos assentos.The post Quem manda nos conselhos? Só 39% das empresas têm maioria independente appeared first on InfoMoney.