Ferrogrão é vista pelo agro como peça-chave para reduzir custo logístico

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A Ferrogrão voltou a ser apontada pelo setor privado como um dos projetos mais importantes de infraestrutura para o agronegócio brasileiro. Durante o Bradesco BBI Agro Summit 2026, um painel que reuniu representantes do governo, da indústria e da logística.A ferrovia foi apresentada como uma alternativa para conectar a região produtora do norte de Mato Grosso aos terminais de Miritituba, no Pará, criando um novo corredor para o transporte de soja e milho até a saída para o mercado internacional.Para o setor privado, o impacto da obra vai além da retirada de caminhões das rodovias. A Ferrogrão poderia aumentar a competição entre os corredores de transporte utilizados pelo agronegócio e, consequentemente, pressionar para baixo o custo do frete. Leia Mais Ferrogrão deve ir para análise do TCU ainda neste mês, prevê ministério CNA e Aprosoja comemoram ação do STF que viabiliza a Ferrogrão Análise: Projetos de infraestrutura parados esbarram na falta de diálogo Paulo Sousa, CEO da Cargill, afirmou que a Ferrogrão é hoje o projeto mais relevante para o agronegócio brasileiro. “O principal projeto que tem hoje, o mais relevante para o agro brasileiro, não é novidade para ninguém. É um tema que já discutimos há 15 anos praticamente, que é a Ferrogrão”, afirmou Sousa durante o painel.A avaliação ocorre em um momento em que a infraestrutura passou a ser um dos principais desafios para o crescimento da produção brasileira. O Plano Nacional de Logística, apresentado pelo governo, trabalha com um cenário de pelo menos duplicação do volume de cargas destinadas à exportação até 2050. Em algumas regiões, a projeção é de triplicar a movimentação.O problema é que parte desse crescimento está concentrada justamente em áreas que ainda não possuem infraestrutura suficiente para acompanhar a expansão da produção. Mato Grosso é um dos principais exemplos. O Estado é o maior produtor de grãos do país e vem ampliando a produção de soja e milho, mas depende de corredores cada vez mais eficientes para levar essa carga aos portos.A BR-163 exerce papel central nesse sistema, especialmente no transporte até os terminais do Arco Norte. Mas, na avaliação do setor privado, somente a rodovia não será suficiente para absorver o crescimento futuro. “A BR-163 é a peça-chave. Sem uma BR-163 eficiente, não vai ter ferrovia que vai salvar, nem hidrovia na ponta aqui que vai melhorar essa história”, afirmou Sousa.Ao criar uma alternativa ferroviária para conectar o norte de Mato Grosso a Miritituba, o projeto pode reduzir a dependência do transporte rodoviário em longas distâncias e aumentar a capacidade do Arco Norte.A mudança também pode alterar a dinâmica de formação do frete. Segundo Sousa, o preço internacional das commodities é determinado pelo mercado global, o que deixa o custo logístico como uma das principais variáveis sobre as quais o Brasil pode atuar para preservar sua competitividade.“Tem que existir ramais, tem que ter modais que possam competir”, afirmou.A lógica econômica é aumentar as opções disponíveis para o embarcador. Com mais de um corredor capaz de transportar grandes volumes, tradings e produtores ganham alternativas para decidir por onde escoar a produção, enquanto os operadores passam a disputar cargas.Além da soja e do milho, a Ferrogrão pode ter impacto sobre outro ponto considerado crítico para o setor, como de fertilizantes. O projeto pode facilitar a entrada de fertilizantes pelo Arco Norte e permitir que parte desses produtos percorra o caminho inverso da produção agrícola, chegando às regiões produtoras por uma alternativa ferroviária.“Ferrogrão também facilita e aumenta a nossa competitividade trazendo fertilizantes”, afirmou Sousa.Esse fluxo de ida e volta é considerado importante para aumentar a eficiência econômica do corredor. Uma ferrovia que transporta apenas cargas de exportação em uma direção tende a ter menor aproveitamento de sua capacidade no sentido contrário. O transporte de fertilizantes pode ajudar a melhorar a utilização da infraestrutura.A discussão sobre a Ferrogrão também ocorre em paralelo à expansão de outros projetos ferroviários no país. A Rumo, por exemplo, ampliou a capacidade do corredor que conecta Mato Grosso ao Porto de Santos. Após investimentos na Malha Paulista, o volume transportado passou de aproximadamente 30 milhões para 60 milhões de toneladas, segundo executiva da companhia.Durante o evento, representantes do setor estimaram que o Brasil poderá se aproximar de 400 milhões de toneladas de grãos em poucos anos.