O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), proibiu o deputado Mario Frias (PL-SP) de deixar o país e de manter contato com os outros investigados no inquérito sobre o filme Dark Horse. O parlamentar foi alvo de operação da Polícia Federal, na manhã desta quinta-feira (10/9).A força-tarefa, autorizada por Dino, cumpre 49 mandados de busca e apreensão em produtoras ligadas à cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro.Além de Frias, a empresária Karina da Gama, sócia da Go Up Entertainment, está entre os alvos. Duas entidades de propriedade dela — o Instituto Conhecer Brasil (ICB) e a Academia Nacional de Cultura (ANC) — também foram alvo de buscas pelos investigadores. Leia também Manoela AlcântaraMoraes cancelou pronunciamento devido à operação sobre filme Dark Horse São PauloDark Horse: antes de autorizar PF, Dino pediu dados de investigação em SP São PauloDark Horse: alvo da PF, Karina Gama é investigada por contrato de Wi-Fi BrasilDark Horse: PF investiga envio de R$ 2 milhões em emendas de Mario Frias Na decisão, Dino aponta a suspeita de uma existência de uma organização criminosa integrada por Mario Frias.“Assim sendo, já por ocasião da instauração, foram encontrados indicativos da prática de crimes de peculato, fraude em licitação ou contrato, contratação direta ilegal, falsificação de documento particular e falsidade ideológica e uso de documento falso, emprego irregular de verbas ou rendas públicas, advocacia administrativa, lavagem de dinheiro e participação em organização criminosa”, destacou.A PF investiga o suposto desvio de emendas parlamentares para bancar a obra. A restrição de contato e de sair do país recai também sobre todos os 29 alvos da operação desta quinta-feira.São investigados os seguintes crimes:PeculatoFalsidade documental.Lavagem de dinheiro.Organização criminosa.Crimes licitatórios.As buscas foram realizadas em endereços das seguintes unidades da Federação: Distrito Federal, Ceará, São Paulo e Rio de Janeiro. Além de aparelhos eletrônicos e documentos, agentes encontraram armas e veículos de luxo em endereços relacionados aos alvos. O material recolhido será analisado no decorrer da investigação.Filme investigadoA obra que retrata a trajetória de Jair Bolsonaro conta com duas frentes de investigação. O inquérito sob a relatoria de Dino apura se houve uso irregular de emendas parlamentares e dinheiro público que chegou a entidades e empresas ligadas à produtora do filme.O outro processo é de responsabilidade do ministro André Mendonça e investiga os repasses feitos por Daniel Vorcaro, dono Banco Master, de R$ 61 milhões a pedido do candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) e o destino desse dinheiro. Uma das suspeitas é de que uma parte do montante seria para bancar ações criminosas de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.Nesta semana, o gabinete de Mendonça homologou a delação premiada do empresário Antonio Carlos Freixo Júnior, o Mineiro, dono da Entre Investimentos e Participações, sobre a produção do filme.Segundo a investigação, a empresa teria sido usada para receber os repasses de Vorcaro destinados à produção da cinebiografia.