PT aciona STF para apurar suposto custeio estrangeiro à campanha de Flávio

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O PT (Partido dos Trabalhadores) entrou com uma notícia de fato no STF (Supremo Tribunal Federal) pedindo que se investigue um possível investimento estrangeiro na campanha do candidato do PL à Presidência da República, Flávio Bolsonaro. Conforme a peça — assinada pelo deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) — o financiamento viria do fundo de investimentos norte-americano Rockbridge, fundado em 2019 pelo atual vice-presidente dos Estados Unidos, J.D. Vance.  Leia Mais Flávio cancela agenda de campanha no interior de SP após fortes chuvas Lindbergh é acusado de forjar denúncia contra Alfredo Gaspar; petista nega Flávio reforça "impacto zero" com caso Master: "É disso que eu precisava" O partido utilizou de base reportagens do veículo Amado Mundo, o discurso do candidato a presidente Renan Santos (Missão) em 5 de setembro, na qual afirmava que o fundo teria entrado na campanha de Flávio Bolsonaro; e uma apresentação montada pelo candidato ao governo do Rio de Janeiro, André Marinho (Novo), cujo pai, Paulo Marinho, é suplente de Flávio Bolsonaro no Senado.À CNN Brasil, Marinho confirmou a autoria da apresentação nomeada como “Brasil – EUA: Aliança minerais críticos e terras raras”, mas diz que o documento se trata de “um exercício hipotético de análise de cenários”.Ainda que a abertura do documento contenha os dizeres “Flávio Bolsonaro | Campanha 2026”, Marinho afirma que “qualquer tentativa de atribuir a esse estudo uma articulação com a campanha de Flávio Bolsonaro ou com autoridades americanas não corresponde aos fatos”.Entre os “pilares” que estruturam a apresentação, há propostas como a execução de reformas a fim de acelerar o processo de licenciamento ambiental de extração de terras raras e posicionar o Brasil em um bloco alinhado aos Estados Unidos.Na petição apresentada por Lindbergh, a legenda estabeleceu uma cronologia que começa em 19 de março de 2026, data em que a apresentação de Marinho teria sido criada, como indicam os metadados do arquivo.Nove dias depois, em 28 de março, Flávio proferiu um discurso na CPAC (Conferência de Ação Política Conservadora), evento anual do movimento conservador realizado no estado do Texas, afirmando que o Brasil é a “solução dos Estados Unidos” para romper com a dependência da China na obtenção de minerais críticos. Três semanas após o documento ser feito, em 13 de abril, André Marinho se reuniu com o vice-presidente norte-americano J.D. Vance. O candidato diz que a viagem “não teve qualquer relação com esse estudo”.Em sua manifestação, o PT reforça que a lei das eleições trata o financiamento eleitoral por entidade ou governo estrangeiro “como vedação absoluta”, e não como limite quantitativo ou exigência formal de registro. Tais ações, poderiam configurar “ocultação e dissimulação da origem e da movimentação de bens provenientes de infração penal”, diz a petição.“A cláusula que alcança o recebimento indireto e as vantagens estimáveis em dinheiro assume relevo particular diante do fato novo, pois um documento estratégico de vinte e duas páginas, em idioma estrangeiro, produzido para orientar a relação de uma campanha presidencial com determinado ambiente político externo, é serviço com valor econômico aferível”, sustentou a legenda em uma segunda petição que a CNN Brasil teve acesso. Pivô das investigações, Renan Santos diz que o empresário Tallis Gomes, que já afirmou fazer parte da Rockbridge e que, segundo Renan, atuaria como representante do grupo junto da campanha de Flávio Bolsonaro. Ainda conforme o candidato do Missão, o empresário Pedro Sang seria mais um aliado do grupo.“(…) eu estou advising (aconselhando) alguns candidatos à Presidência, então eles estão me perguntando muito sobre isso: ‘cara como é que tá em termo de AI, termo de energia?’. Eu faço parte de um grupo empresarial nos Estados Unidos chamado Rockbridge, que é fundado pelo J.D. Vance. J.D. Vance e o Chris Buskirk criaram esse grupo onde a gente basicamente discute sociedade, discute globalmente onde vai o mundo”, disse durante entrevista ao podcast “Os Sócios”.“Esses caras que põem dinheiro em eleição. [Tallis Gomes] Virou representante deles, junto com um rapaz chamado Pedro Sang”, afirmou Renan.A reportagem entrou em contato com Tallis Gomes via e-mail, mas não obteve retorno até a publicação desta matéria. O espaço segue aberto. A CNN Brasil procurou Pedro Sang, que afirmou nunca ter sido membro da Rockbridge ou exercer qualquer papel formal de representação. “Em Outubro de 2025, conheci a Rockbridge através do meu amigo de infância André Marinho. Interessei-me pela proposta de reunir investidores e empresários de tecnologia em uma rede que estimula negócios entre seus membros. Como entusiasta da inteligência artificial e da tecnologia como um todo, vi ali a oportunidade de atrair para o Brasil parte dos US$ 7 trilhões previstos em investimentos globais no setor, com potencial para gerar emprego e renda no país. A iniciativa, no entanto, nunca avançou e está suspensa desde maio”, escreveu em nota enviada à CNN Brasil.Em outra oportunidade, quando participou do ciclo de debates “O Brasil que Queremos”, organizado pela Amcham Brasil, Renan Santos afirmou que é “inadequado” que o governo norte-americano apoie um candidato. O presidenciável atribui esse apoio a operações da família do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) em redutos trumpistas e, novamente, citou a empresa de J.D. Vance. “O Flávio Bolsonaro e a família dele operam em Mar-a-Lago com o governo Trump e, para ser claro, o J.D. Vance trabalha com um grupo chamado Rockbridge que está na campanha do Flávio Bolsonaro”, concluiu.A campanha de Flávio Bolsonaro foi procurada pela CNN Brasil, mas não retornou até a publicação da reportagem. O espaço segue aberto.