Investigação do ‘Haaretz’ revela que o líder israelense havia sido avisado pelos Emirados Árabes sobre invasão do Hamas quase 10 dias antesVários líderes da oposição israelense manifestaram sua indignação com Benjamin Netanyahu nesta terça-feira, 8, após vir a público uma investigação que revelou que o governo dos Emirados Árabes Unidos alertou o primeiro-ministro de Israel sobre o ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023. A bomba política veio a menos de dois meses do pleito que, em outubro, escolherá um novo governo para o país, encarado como uma espécie de referendo sobre a atual administração.Segundo o jornal israelense Haaretz, o presidente emirati, Mohamed bin Zayed Al Nahyan, conversou com Bibi quase 10 dias antes da incursão terrorista e avisou que o grupo armado de Gaza estava preparando uma grande ofensiva contra o Estado judaico.A reportagem afirma ainda que o premiê israelense “não fez nada” com a informação. Questionado sobre a publicação, o gabinete de Netanyahu disse que as alegações são “puras mentiras” e negou que ele tenha interagido com o mandatário dos Emirados Árabes naquela época.“As informações publicadas pela imprensa são falsas. O primeiro-ministro não recebeu nenhuma advertência dos Emirados Árabes Unidos antes de 7 de outubro”, disse o comunicado. A nota acrescenta, porém, que os dois países podem ter trocado mensagens por meio de canais de inteligência.O Ministério das Relações Exteriores emirati, por sua vez, afirmou não ter “nenhum comentário” acerca das informações publicadas pela imprensa.PressãoApós a reportagem do Haaretz, Gadi Eisenkot, um ex-comandante militar que atualmente é um dos principais rivais de Netanyahu nas eleições, denunciou que o primeiro-ministro fugiu de suas responsabilidades e deu desculpas “patéticas” para as falhas na reação à incursão do Hamas, como dizer que não o acordaram cedo o suficiente na manhã do ataque.“Netanyahu recebeu dezenas de avisos antes de 7 de outubro e ignorou todos. Ele é inapto”, publicou Eisenkot no X, antigo Twitter.O ex-primeiro-ministro Naftali Bennett disse, por sua vez, que o líder do país “tem uma responsabilidade pessoal e direta” pelos 1.221 israelenses mortos naquele dia, o mais violento da história do Estado judaico, fundado em 1948. “Netanyahu não pode seguir no cargo nem por mais um minuto”, complementou.O líder do partido Democratas, Yair Golan, também se manifestou nas redes sociais. “Netanyahu, você colocou Israel em perigo, você nos levou à catástrofe. As histórias de ‘ninguém me acordou’ acabaram. Você sabia, você ignorou, você falhou, a culpa é sua”.Mensagem de GazaDe acordo com o Haaretz, o líder do Hamas em Gaza, Yahya Sinwar, posteriormente assassinado por Israel durante a guerra, avisou um dirigente palestino sobre o ataque. O texto explica que as palavras usadas para descrever a incursão eram “uma tremenda operação”, um “terremoto”.A mensagem chegou a um assessor emirate por meio do dirigente palestino, apurou o jornal israelense. Depois disso, o aviso teria sido encaminhado ao presidente Mohamed bin Zayed Al Nahyan. Quando soube do plano, o líder político logo quis ligar para Netanyahu e explicar a situação, segundo o Haaretz.Dias depois, o ataque em 7 de outubro de 2023 matou 1.200 pessoas em solo israelense, enquanto outras 251 foram levadas como reféns para a Faixa de Gaza, onde muitas permaneceram por quase 800 dias. De lá para cá, Israel conduziu operações implacáveis por céu e terra contra o enclave dominado pelo Hamas, com custo humano altíssimo à população civil.Mais de 73 mil palestinos foram mortos, segundo o Ministério da Saúde de Gaza; cerca de 80% de todas as construções e edifícios no território foram destruídos; e quase um ano após o cessar-fogo que encerrou os combates mais hostis, cerca de 67% da população local, o equivalente a mais de 1 milhão de pessoas, enfrenta graves níveis de fome e insegurança alimentar severa.(Com informações da AFP)O post Netanyahu sabia dos ataques de 7 de outubro, diz jornal, e oposição pede renúncia do premiê apareceu primeiro em Vitrine do Cariri.