A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) condenou o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, por fraudes no mercado financeiro, em decisão tomada nesta terça-feira (8/9).O banqueiro foi penalizado em R$ 20 milhões. Já o banco foi sancionado em R$ 12,5 bilhões. Ao todo, outras pessoas físicas e empresas também foram condenadas no processo, como o pai do banqueiro, Henrique Vorcaro, e seu primo, Felipe Vorcaro.Foram aplicadas multas em mais 13 suspeitos de operacionalizar a ação, entre empresas e pessoas físicas. A CVM aplicou multas que somadas chegam a R$ 201,5 milhões.O julgamento envolve irregularidades na gestão e na oferta de cotas de um fundo imobiliário, o Brazil Realty, no âmbito de um processo de 2020.Segundo a CVM, Vorcaro e outros investigados participaram de um esquema para inflar artificialmente o valor de ativos do fundo, com uso de laudos fraudados e operações simuladas. A prática teria criado uma aparência de valorização e liquidez para atrair investidores, que compraram cotas com preços acima do valor real. Leia também EconomiaCVM rejeita acordo com diretores da Ambipar em caso de recompra de ações EconomiaBraskem confirma recuperação extrajudicial em comunicado à CVM EconomiaCasas Bahia diz à CVM que não fechou empréstimo de R$ 1 bilhão BrasilCVM marca julgamento de fraude envolvendo Master para 8 de setembro As irregularidades estão ligadas à terceira emissão de cotas de um fundo imobiliário, que levantou cerca de R$ 139 milhões. Parte relevante desse valor teria sido sustentada por ativos superavaliados. De acordo com a investigação, empresas ligadas ao esquema ajudaram a inflar preços e simular negociações no mercado secundário.O caso é um dos principais desdobramentos do escândalo envolvendo o Banco Master, que foi liquidado pelo Banco Central (BC) após suspeitas de fraudes e problemas de governança.As investigações também deram origem a operações da Polícia Federal (PF) que apuram crimes financeiros, lavagem de dinheiro e manipulação de mercado.EntendaO caso envolve um esquema para inflar o valor de um fundo imobiliário e repassar prejuízos a investidores.Segundo o relator, João Accioly, o grupo incluiu no fundo imóveis avaliados por valores acima do real, com base em laudos considerados inconsistentes. Depois, as cotas foram negociadas entre empresas e pessoas ligadas aos próprios envolvidos, em operações que simulavam movimentação no mercado e criavam uma falsa sensação de liquidez.Com isso, os responsáveis conseguiram vender essas cotas a investidores de fora do esquema, ou seja, esses compradores acabaram assumindo o prejuízo, já que os ativos valiam menos do que o informado.O processo foi aberto em 2020. No ano seguinte, em outubro de 2021, os investigados tentaram encerrar o caso por meio de um acordo com a CVM, que previa o pagamento de multas.As propostas foram analisadas ao longo dos anos seguintes, com pedidos de vista que adiaram a decisão. O caso só voltou à pauta após a piora da situação do Banco Master, que entrou em liquidação, e a prisão de Daniel Vorcaro.