Na manhã desta terça-feira (8), o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou o afastamento preventivo de Andrei Rodrigues da direção-geral da Polícia Federal e de Leandro Almada da Costa da Diretoria de Inteligência Policial da corporação. Os dois ocupavam postos de cúpula da PF.Mendonça justificou que ele próprio e o advogado-geral da União, Jorge Messias, foram alvo de monitoramento sistemático pela Polícia Federal. A decisão foi tomada após a divulgação de relatórios internos da corporação que analisavam a atuação do ministro e de outras autoridades em investigações relacionadas às fraudes no INSS e ao Banco Master.“Ao menos há mais de 30 dias este relator tem sido monitorado pela Polícia Federal. Trata-se de monitoramento ilícito de Ministro da Suprema Corte do país, o que por si só revela a gravidade da situação”, afirmou Mendonça na decisão. Leia mais Gilmar cita possível tentativa de Mendonça em interferir em eleição Messias diz ter tido “conversa institucional e republicana” com Fachin Fachin recebe Messias e ministro da Justiça após afastamento de Andrei Quem é Leandro Almada da CostaNatural do Rio de Janeiro e formado em Direito pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), Leandro Almada é delegado da Polícia Federal desde 2008. Antes de assumir a Diretoria de Inteligência Policial, em 2024, comandou três superintendências regionais da corporação: Amazonas, Bahia e Rio de Janeiro.Almada participou de duas fases das investigações dos assassinatos da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes. Antes da federalização do caso, atuou na apuração que concluiu ter havido obstrução das investigações e apontou a existência de uma organização criminosa que agia para dificultar o esclarecimento dos crimes.Anos depois, como superintendente da PF no Rio, entre 2023 e 2024, Almada participou, com sua equipe, das negociações que resultaram nas delações premiadas de Ronnie Lessa e Élcio de Queiroz, condenados como executores dos assassinatos. As colaborações contribuíram para o avanço das investigações sobre os supostos mandantes.Em março de 2024, a PF prendeu os irmãos Domingos e Chiquinho Brazão e o então chefe da Polícia Civil do Rio, Rivaldo Barbosa, apontados pela investigação como envolvidos no crime.Antes disso, a trajetória de Almada na segurança pública começou no Exército, onde foi oficial temporário da Arma de Infantaria entre 1990 e 1994. Depois, atuou por dez anos como delegado da Polícia Civil de Minas Gerais. Na PF, passou por áreas ligadas ao combate ao crime organizado e foi corregedor-geral do Sistema de Segurança Pública do Amazonas.Em 2020, Almada ocupou por cerca de dois meses, entre julho e setembro, a Diretoria de Operações do Ministério da Justiça e Segurança Pública. Naquele período, a pasta era comandada pelo próprio André Mendonça, então ministro da Justiça do governo Jair Bolsonaro.Afastamentos e investigaçãoAlém do afastamento preventivo de Almada, ministro André Mendonça também determinou a abertura de investigação pela Corregedoria da Polícia Federal para apurar as circunstâncias da produção dos documentos que levaram à decisão.Ao justificar o afastamento dos dois dirigentes, Mendonça afirmou ter identificado “robustos indícios” não apenas de “grave omissão”, mas também de “participação e conhecimento” na elaboração dos relatórios por ocupantes dos postos mais altos da PF ligados à atividade de inteligência.Ainda nesta terça, a decisão de Mendonça foi submetida à Segunda Turma do STF. O colegiado formou maioria para referendar os afastamentos, com os votos de Mendonça, Luiz Fux e Nunes Marques. A conclusão do julgamento, no entanto, foi interrompida por um pedido de vista do ministro Gilmar Mendes. A suspensão não derruba a decisão cautelar de Mendonça, que produziu efeitos imediatos. Rodrigues e Almada, portanto, permanecem afastados.