O ex-ministro da Fazenda e candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad (PT), afirmou nesta terça-feira (8) que a PF (Polícia Federal) é um órgão de “altíssima respeitabilidade”. A fala, dita no mesmo dia do afastamento de Andrei Rodrigues da direção-geral da instituição, ocorreu em entrevista ao canal Bacci Notícias, onde o petista também voltou a defender a retirada de todos os sigilos relacionados às investigações do Banco Master.“Como combater essa crise? Eu não colocaria mais nada em sigilo, estamos a 25 dias do primeiro turno. Está tudo confuso, tem ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) se bicando, instituições se bicando, como o STF e a PF, e vamos combinar que a Polícia Federal é um órgão de altíssima respeitabilidade, assim como o Ministério Público. Abre tudo, abre os inquéritos e nada em sigilo e deixa as pessoas julgarem com base no que está disponível. (…) Não podemos ficar nesse jogo de empurra sobre o que a população pode ou não saber”, afirmou Haddad.Segundo o petista, a proximidade das eleições aumenta a necessidade de transparência nas apurações. O candidato avaliou que a divulgação de novas informações poucos dias antes do primeiro turno poderia interferir na disputa e reduzir o tempo de resposta dos citados. Quaest: Tarcísio tem 42% no 1º turno em SP; Haddad, 27% Quaest: Tarcísio tem 48% no 2º turno em SP; Haddad, 31% Haddad defende fim de sigilo de processos do Master "antes das eleições" “Imagina se sai uma coisa três dias antes da eleição? Não é melhor sair agora para cada um poder se defender?”, questionou.Ao comentar uma conversa entre o ministro Alexandre de Moraes, do STF, e o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, Haddad também se declarou favorável à retirada do sigilo. “Telefone funcional é prova, inclusive para provar inocência”, afirmou.Haddad diz que não recebeu VorcaroDurante a entrevista, Haddad afirmou que nunca recebeu o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, embora o empresário tenha solicitado audiências por diferentes canais. O petista também disse que não conversou com Vorcaro por telefone.Segundo o ex-ministro, o sistema de controle interno do Ministério da Fazenda o alertou sobre os riscos relacionados ao Banco Master. Haddad afirmou que recebeu a avaliação de que o caso representava uma “bomba atômica” e que repassou informações às autoridades com as quais poderia tratar do assunto.Haddad também relatou que Vorcaro esteve uma vez no Palácio do Planalto para reclamar de uma suposta perseguição. Segundo o candidato, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) respondeu que acionaria o Banco Central para garantir que o empresário não sofresse perseguição nem recebesse tratamento privilegiado. Para Haddad, o intermediário que promoveu o encontro com o presidente cometeu um erro.Afastamento da Polícia FederalAs declarações ocorrem no mesmo dia em que o ministro André Mendonça, do STF, determinou o afastamento preventivo de Andrei Rodrigues da direção-geral da Polícia Federal e Leandro Almada da Costa da Diretoria e Inteligência Policial.Mendonça afirmou na decisão que relatórios internos indicariam um monitoramento irregular de autoridades. A apuração envolve documentos produzidos pela PF em meio aos desdobramentos do caso Banco Master.A Segunda Turma do Supremo formou maioria para manter os afastamentos. O julgamento, no entanto, foi suspenso após um pedido de vista do ministro Gilmar Mendes. A decisão de Mendonça continua válida enquanto a análise não for concluída.Afastamento de chefe da PF põe em xeque estratégia de Fachin na crise; entenda | CNN 360º