Com Petrobras (PETR3;PETR4) de volta ao centro das atenções dos investidores com a proximidade das eleições e disparada dos preços do petróleo, o BTG Pactual revisou as estimativas para a companhia e elevou o preço-alvo para as ações. Agora, o banco prevê PETR4 a R$ 65 no fim de 2027, o que implica em um potencial de valorização de 32% sobre o preço de fechamento anterior. O preço-alvo anterior era de R$ 56.Para os papéis negociados na Bolsa de Nova York (Nyse), sob o ticker PBR, o preço-alvo é de US$ 26, o que representa um potencial de valorização de 21,6% até dezembro do próximo ano, ante os níveis atuais.Petrobras segue como a preferida (top pick) do setor de Óleo & Gás. A revisão incorpora os resultados do segundo trimestre, premissas atualizadas de produção, preços de combustíveis e margem de refino, além da expectativa de Brent mais alto no curto prazo e preços internacionais de combustíveis mais altos. Hoje, as ações operam em queda, pressionadas pelo desempenho negativo do petróleo no mercado internacional e aversão a risco doméstica. Por volta de 11h30 (horário de Brasília), os papéis preferenciais PETR4 caíam 1,14%, a R$ 48,56, e também figura como mais negociada da B3; já os ordinários PETR3 registravam recuo de 1,10%, a R$ 54,04. Por que comprar PETR4?Para os analistas, a produção e o refino oferecem um ponto de partida “mais forte” do que o previsto para o acumulado do ano, o que pode refletir nos dividendos da estatal. A companhia vem produzindo cerca de 2,68 milhões de barris por dia (MMbpd) no acumulado do ano, acima do intervalo de 2,4 milhões a 2,6 milhões de barris por dia previsto no guidance atual, sustentada por uma produtividade mais forte dos poços do pré-sal, FPSOs operando acima da capacidade nominal e a expansão de novas unidades. Nas contas do BTG, considerando o novo modelo em nível de FPSO, a produção doméstica de petróleo deve alcançar 2,73 MMbpd em 2026, avance para 2,84 MMbpd em 2027 e chegue a 2,88 MMbpd em 2028.“Com a produção no acumulado do ano já acima da faixa de guidance de 2026, acreditamos que uma revisão no curto prazo é cada vez mais provável”, destacaram os analistas Marcel Zambello, Gustavo Cunha e Rodrigo Almeida, em relatório divulgado nesta sexta-feira.O refino também segue altamente rentável, na visão do banco. “A Petrobras realiza atualmenteaproximadamente US$ 135 por barril para o diesel, podendo subir para US$ 167 por barril com a nova subvenção, e US$101 por barril para a gasolina.Com produção e refino mais fortes, a estimativa é de fluxo de caixa ao acionista de cerca de US$ 22 bilhões, enquanto os dividendos poderiam somar aproximadamente US$ 15 bilhões.Mais gatilhos no radarAlém do cenário-base, os analistas do BTG Pactual veem mais quatro gatilhos para as ações no curto prazo. A primeira ‘alavanca’ seria uma redução de custos, com potencial de economia de aproximadamente US$ 3 bilhões por ano em despesas gerais e administrativas (SG&A).Já o segundo gatilho envolve os investimentos. Embora o banco veja pouco espaço para reduzir os desembolsos já comprometidos com projetos do pré-sal e do refino, uma redução de US$ 1 bilhão a US$ 3 bilhões no capex anual poderia elevar o yield médio do fluxo de caixa ao acionista de 2027 e 2028 de 14% para entre 15% e 16%.Um programa renovado de reciclagem de portfólio poderia gerar entre US$ 5 bilhões e US$ 10 bilhões em recursos brutos, também entra na conta dos analistas.O recurso poderia ser utilizado para financiar novos projetos, incluindo desenvolvimentos na Margem Equatorial, ou para pagar dividendos extraordinários.Além disso, a maior previsibilidade na alocação de capital e na formação de preços de combustíveis poderia sustentar um custo de capital próprio (Ke) mais baixo e uma expansão relevante do valuation.De olho no ciclo eleitoralO BTG Pactual ainda avalia que a Petrobras entrou no ciclo eleitoral com uma posição operacional e financeira consideravelmente mais forte na comparação com períodos anteriores. Nesse momento, a companhia apresenta “um perfil de produção de baixo custo e crescente, um balanço patrimonial conservador e um arcabouço de governança mais robusto, amparado pela lei das estatais brasileira e por um estatuto social aprimorado”, destacaram os analistas. Do ponto de vista de capex, a equipe avalia que os projetos de upstream e refino parecem oferecer retornos sólidos, e a administração pode simplesmente decidir dar continuidade à sua estratégia focada em upstream, especialmente diante do potencial da Margem Equatorial.“Embora esses argumentos não eliminem totalmente os riscos políticos e de alocação de capital, acreditamos que o longo prazo de maturação dos projetos; um pipeline extenso de projetos; e projetosrobustos tornam menos provável uma deterioração súbita na alocação de capital”, diz o banco.