O Brasil precisa se preocupar com a ruptura (por Ricardo Guedes)

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 Utilizando o conceito dos três tipos de “equilíbrio” da Física, “estável”, “indiferente” e “instável”, o Brasil está prá lá de instável, quase caindo, em uma disruptura difícil de se recuperar.O Brasil passa por sua maior crise desde 1929, quando Getúlio Vargas foi alçado à Presidência da República, com uma mudança radical do sistema político, econômico e social. O problema é que hoje não temos um “Getúlio”, mas atores incapazes da modelação de um país.No Brasil, hoje, o Executivo não funciona, sem plano desenvolvimento para o país e gastos em programas improdutivos que comprometem o equilíbrio fiscal de 2027; o Legislativo não funciona, sem legislar, interessados nas Emendas Parlamentares e em sua auto reprodução; e o Judiciário funciona precariamente, se não na maior, mas certamente em uma das maiores crises que o STF já viveu. Sem o tripé, sem um mínimo de regras institucionais, o país não vai para a frente.Na economia, patinamos de US$ 2,2 trilhões de PIB em 2010 para US$ 2,3 trilhões em 2025, enquanto o mundo cresceu de US$ 86 trilhões para US$ 118 trilhões neste período; Estados Unidos de US$ 15 trilhões para US$ 31 trilhões; União Europeia de US$ 15 trilhões para US$ 21 trilhões; China de US$ 6 trilhões para US$ 20 trilhões. Nossa taxa anual de reinvestimento na economia é de 17% do PIB, para média mundial de 26%. Nossa elite econômica mais se diverte do que investe.Nas eleições Presidenciais deste ano, o voto varia do ruim previsível à renovação temerária. A 3ª via, sem demérito para o autor e sua obra, não apresenta um projeto para o Brasil, mas de autoajuda.A economia decai, a concentração de renda aumenta, e a crise ecológica se avoluma, com o desespero das pessoas no “salve-se quem puder”. Esquecem-se, todos, inclusive a elite, de que a sobrevivência de uma sociedade industrial-tecnológica depende de sociedades numerosas minimamente organizadas. Isso dentro daquilo que se possa inferir, fora as imprevisibilidades. Se chegarmos a uma ruptura, sem a existência de lideranças que possam nos tirar da crise, todos vamos naufragar, com uma espécie de “balcanização” do país.Muita calma que o “andor é de barro”. Ricardo Guedes é Formado em Física pela UFRJ e Ph.D. em Ciências Políticas pela Universidade de Chicago