O Itaú BBA elevou o preço-alvo para as ações da Totvs (TOTS3) de R$ 46 para R$ 47, mantendo a classificação outperform (equivalente à compra), o que implica um potencial de alta de cerca de 42%. A empresa de tecnologia acumulou alta de 22% desde as mínimas recentes, apoiada por uma melhora gradual do sentimento em relação ao setor global de software e por uma sólida tendência de resultados do segundo trimestre de 2026, que deve se estender para a segunda metade do ano, na visão dos analistas.O BBA continua vendo uma assimetria positiva de retorno para aqueles com horizonte de investimento superior a 12 meses, a 15,3 vezes o preço sobre o lucro (P/L) ajustado de 2027 e um CAGR (taxa de crescimento anual composta) de lucro por ação de 3 anos de 21%.“No entanto, reconhecemos que a volatilidade da ação no curto prazo pode persistir à medida que o mercado continua avaliando as implicações da IA generativa (GenAI) para a economia do software”, dizem os analistas. Por dentro dos mercadosReceba gratuitamente as newsletters do Money TimesOBS: Ao clicar no botão você autoriza o Money Times a utilizar os dados fornecidos para encaminhar conteúdos informativos e publicitários.O setor de softwareO Itaú BBA aponta que o sentimento dos investidores globais em relação ao setor de software vem melhorando gradualmente. Os resultados de SaaS (software como serviço) melhores do que o esperado, o otimismo crescente em torno das oportunidades de receita com Inteligência Artificial (IA) e evidências iniciais de que os LLMs (modelos de linguagem de grande escala) são mais valiosos quando incorporados a softwares desenvolvidos para finalidades específicas sustentaram a recuperação do IGV, inclusive entre empresas inicialmente percebidas como mais expostas ao risco de disrupção.Nesse cenário, o ambiente global de software — principal direcionador da movimentação da ação neste ano — e o desconto da Totvs em relação aos pares continuam deixando espaço para uma relação risco-retorno favorável.Paralelamente, um debate fundamental importante é se a pressão recente sobre as taxas de retenção irá persistir, de acordo com os analistas. Os pessimistas esperam que o ambiente macroeconômico mais difícil continue pressionando as taxas de retenção, que ficaram em 97,3% no segundo trimestre de 2026. Enquanto isso, o BBA aponta que os otimistas argumentam que a Totvs continua mais resiliente em termos relativos devido à natureza crítica de seus produtos para as operações dos clientes e aos altos custos de troca. “Acreditamos que as taxas de retenção provavelmente continuarão pressionadas na comparação anual no segundo semestre de 2026 e próximas dos níveis do segundo trimestre no terceiro trimestre, com melhorias graduais condicionadas ao cenário macroeconômico e esperadas para ocorrer até o fim do ano.”, dizem os analistas.Ainda assim, o BBA espera um sólido crescimento de volume no semestre, especialmente impulsionado pelos habilitadores de IA da Totvs (por exemplo, Cloud) e pelo upselling. Inteligência ArtificialA IA continua sendo central para a discussão de longo prazo. Os investidores continuam focados em obter maior visibilidade sobre os planos da Totvs, particularmente em relação à estratégia de produtos, aos modelos de monetização e às possíveis mudanças de longo prazo na economia do software. “Nossa visão positiva sobre a ação reflete os motores de crescimento visíveis da companhia, incluindo migração para a nuvem, oportunidades de upselling e a complexidade tributária e regulatória do Brasil”, dizem os analistas. Para o BBA, esses fatores podem sustentar um crescimento de dois dígitos no longo prazo e podem proporcionar à companhia algum grau de proteção contra o risco de disrupção no médio prazo, em relação às empresas globais de software com menor exposição a soluções críticas para as operações dos clientes e especializadas localmente.Estimativas para a TotvsPara 2026, as estimativas atualizadas do Itaú BBA apontam para um lucro líquido ajustado de R$ 1 bilhão, próximo do consenso, uma vez que a maior depreciação é amplamente compensada por um resultado financeiro melhor e uma taxa efetiva de imposto menor em comparação com o modelo anterior. Para 2027, os analistas incorporaram uma melhora mais gradual nas taxas de retenção, resultando em uma revisão para baixo de 2% na receita líquida e de 4% no Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização). “No entanto, isso foi mais do que compensado por um resultado financeiro mais favorável, refletindo um custo da dívida menor após a 7ª emissão de dívida e uma taxa de imposto mais favorável”, diz o BBA. Isso leva a uma revisão para cima de 4% na estimativa do BBA de lucro líquido ajustado, para R$ 1,24 bilhão, valor 4% acima do consenso.