A capacidade instalada de produção de etanol de milho no Brasil deve mais que dobrar até o fim da década, passando de 10,9 bilhões de litros, em 2025, para 25,3 bilhões de litros em 2030, segundo levantamento do Itaú BBA.A expansão, porém, traz uma preocupação bilionária: a oferta de biomassa utilizada na geração de energia pelas usinas. Para o banco, garantir matéria-prima suficiente e sustentável pode se tornar um dos principais limitadores do crescimento da indústria.Caso o eucalipto fosse a única fonte energética das plantas, o setor precisaria de aproximadamente 816 mil hectares de florestas plantadas no país para sustentar a capacidade projetada para 2030. Nesse cenário, as usinas consumiriam ainda cerca de 57 milhões de toneladas de milho por ano.O desafio é especialmente relevante em Mato Grosso, principal polo de etanol de milho do Brasil. A capacidade produtiva do estado deve subir de 6,9 bilhões para 11,9 bilhões de litros entre 2025 e 2030, exigindo aproximadamente 383 mil hectares de eucalipto.Atualmente, Mato Grosso possui cerca de 165 mil hectares plantados com a cultura. Pelas estimativas do Itaú BBA, seria necessário adicionar aproximadamente 218 mil hectares de florestas energéticas.Considerando um custo de implantação e condução de R$ 35 mil por hectare durante um ciclo de 13 anos, essa expansão demandaria investimentos próximos de R$ 7,6 bilhões. Em um cenário de menor eficiência das usinas e das florestas, a conta poderia alcançar R$ 14,3 bilhões.Corrida do etanol por biomassaA preocupação aumenta porque as usinas de etanol não são as únicas consumidoras de biomassa. Esmagadoras de soja, frigoríficos e unidades de secagem de grãos também utilizam madeira e outros materiais em seus processos, elevando a competição pelo insumo.Além disso, Mato Grosso estabeleceu um cronograma para reduzir o uso de biomassa proveniente da supressão de vegetação nativa. A regra limita essa participação a 40% até 2034 e prevê sua eliminação a partir de 2035 para as indústrias já instaladas.Diante desse cenário, o Itaú BBA avalia que empresas precisarão antecipar investimentos em florestas próprias ou firmar contratos de longo prazo para garantir abastecimento e previsibilidade de preços.O banco ressalta que o eucalipto não será necessariamente a única fonte utilizada. Bambu, casca de arroz, bagaço e palha de cana, capins energéticos e outros resíduos agroindustriais poderão complementar a matriz. Ganhos de eficiência nas caldeiras também podem reduzir a demanda projetada.Ainda assim, a formação de florestas plantadas será estratégica tanto para sustentar o avanço da produção quanto para reforçar as credenciais ambientais do etanol de milho brasileiro, especialmente no acesso a mercados de baixo carbono.