Mercado se anima com eleições e aumenta aposta em ativos brasileiros, que disparam

Wait 5 sec.

O mercado iniciou o mês passado à espera da temida volatilidade que costuma anteceder as eleições, mas a cautela rapidamente deu lugar a um certo otimismo após pesquisas de intenção de voto mostrarem uma disputa mais acirrada entre o presidente Lula e o senador Flávio Bolsonaro.A Bolsa, o câmbio e o mercado de juros, que já traziam sinais de melhora na semana passada, têm uma nova onda de apreciação nesta terça-feira (8), após a Quaest mostrar empate no segundo turno, e nesta terça, a BTG/Nexus trazer o primeiro efeito da crise no Supremo Tribunal Federal, com Flávio numericamente à frente de Lula no segundo turno.Em reação, o Ibovespa avança aos 189 mil pontos, o dólar cede a R$ 5,08 e as taxas do Tesouro Direto operam em queda. O trade eleitoral ficou evidente nesse último preço, que apresenta alívio mesmo com um cenário externo adverso com rendimentos do Tesouro americano em alta após o petróleo Brent subir rumo a US$ 100.Para a Quantitas Asset Management, o imbróglio no STF envolvendo a relação do ministro Alexandre de Moraes com Daniel Vorcaro, além do caso Lulinha, são mais benéficos à candidatura de Flávio. Por isso, levando em conta a reação das pesquisas, “é razoável atribuir a Flávio Bolsonaro, pelo menos, 50% de chance de vitória, com viés de alta”.Leia tambémVale a pena travar juro da renda fixa agora? IPCA desta sexta vira teste de fogoPrévia de agosto trouxe deflação e reacendeu a aposta em juros menores, mas economistas divergem sobre alongar prazos ou preservar liquidez; errar a mão pode custar até 5% dependendo do papelIbovespa Hoje Ao Vivo: Bolsa sobe com eleição e Focus no radarBolsas dos EUA operam em baixa em meio à alta do petróleo Na avaliação da Legacy Capital, mesmo com o ambiente externo mais incerto, os fatores domésticos “justificam alguma exposição ao país em nosso portfólio”. Para diversas gestoras, como Ibiuna e Verde, a exposição ao Brasil vem sendo feita principalmente por meio de opções de EWZ, consideradas mais baratas de operar, frente à compra direta de ações ou índice na B3 – se a aposta em um governo de direita se confirmar, o ganho seria alto, ao passo que a perda não seria tamanha em caso de reeleição do presidente Lula.“Se a oposição continuar ganhando competitividade nas pesquisas, a mudança nas probabilidades eleitorais poderá produzir uma reprecificação relevante dos ativos brasileiros”, avalia a gestora RPS Capital, que entrou no mês de setembro aumentando a exposição a ativos locais por meio de opções, mas também com ações defensivas e alguma exposição a setores cíclicos, como incorporadoras voltadas à baixa renda.“Depois de um período prolongado no qual o investidor estrangeiro reduziu sua exposição ao país, pequenas mudanças na percepção sobre crescimento, juros e política podem produzir movimentos significativos de fluxo”, diz a casa em carta a clientes.Alguns dados já começam a aparecer. Na semana passada, o fluxo estrangeiro para a Bolsa voltou para o positivo, com R$ 2,8 bilhões em compras líquidas, levando o total de entradas no ano outra vez para mais de R$ 20 bilhões. Os fundos de ações seguiram com resgates, após saída líquida de R$ 100 milhões, mas os multimercados viram aporte líquido de R$ 300 milhões.Além das eleições, ajuda a expectativa de uma acomodação da inflação, que pode permitir uma queda mais acelerada da Selic – e ajudar tanto a renda fixa quanto a Bolsa. Diante disso, o Bank of America acaba de elevar a recomendação para ações brasileiras, de neutro para overweight (equivalente a compra), citando a chance de um recuo mais forte da taxa de juros, para até 11,25% em 2027.“O impacto de uma política monetária mais flexível deverá impulsionar as avaliações das ações para níveis menos deprimidos, superando os riscos de revisões em baixa dos lucros, desaceleração da demanda e, em certa medida, até mesmo a incerteza eleitoral”, avalia o time de estratégia do banco chefiado por David Beker. O estrategista lembra que o Ibovespa, excluindo commodities, está sendo negociado com um desconto de 10% em relação à sua média histórica, mas “as ações sensíveis às taxas de juros estão sendo negociadas com descontos ainda maiores.”No câmbio, o JPMorgan aponta a dinâmica fiscal como a principal fonte de preocupação, e afirma que “os planos em torno dela vão ditar a reação do mercado aos resultados eleitorais”, com o estágio do ciclo global do dólar atuando como fator adicional relevante. Diante desse quadro, o banco considera as estruturas alavancadas em opções mais atrativas que as operações direcionais convencionais e adiciona uma ratio put spread 1×2 de três meses em dólar/real, com strikes em R$ 5 e R$ 4,80.A operação consiste em comprar uma opção de venda (put) de R$ 5 e vender duas de R$ 4,80, desenho em que o prêmio recebido nas vendas ajuda a financiar a compra e reduz o custo da montagem. O posicionamento reflete uma aposta em valorização moderada do real, que perde eficácia caso a moeda se aprecie muito além dos 4,80.Já no mercado de títulos, o banco não vê distorção a ser explorada: “vemos os mercados de juros precificando com acurácia os riscos eleitorais e o espaço para volatilidade significativa à frente”, afirmam os analistas de mercados emergentes do banco, Tania Jacob, Gisela Brant, Santiago Calcano e Anezka Christovova.The post Mercado se anima com eleições e aumenta aposta em ativos brasileiros, que disparam appeared first on InfoMoney.