Rubio diz que vai buscar US$ 45 milhões em segurança para o Equador

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O Secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, disse nesta quarta-feira (9) que vai buscar US$ 45 milhões em financiamento adicional de segurança para o Equador, bem como equipamentos extras, para ajudar a combater o tráfico de drogas.Durante visita ao país, Rubio se reuniu com o presidente Daniel Noboa, em uma agenda que deve passar por três países latino-americanos cujos líderes estão fortemente alinhados ao presidente dos EUA, Donald Trump, e aos esforços de sua administração para reafirmar a dominância americana na região.Após a reunião, Rubio afirmou que Washington tem trabalhado cada vez mais com o governo de Noboa para combater organizações de tráfico de drogas, inclusive por meio de operações conjuntas contra embarcações suspeitas de serem utilizadas por contrabandistas de entorpecentes. Leia Mais Rubio visitará Colômbia, Equador e Peru na próxima semana Peru integra aliança dos Estados Unidos contra cartéis e narcotráfico EUA fazem operações militares contra cartéis e narcotráfico no Equador “Não são grupos comuns. Claramente, eles se envolvem em crimes convencionais, mas possuem capacidades terroristas em toda a região, e isso precisa ser enfrentado. Eles devem ser desmantelados, devem ser derrotados, e estamos comprometidos em fazer isso”, disse Rubio.Na quarta-feira, Rubio classificou a gangue equatoriana “Los Tiguerones” como uma organização terrorista estrangeira, seguindo designações semelhantes feitas contra outras duas gangues do Equador no ano passado.O Departamento de Estado informou que o grupo está ligado ao narcotráfico e a outras atividades ilícitas, incluindo a invasão ao vivo de uma emissora de televisão equatoriana em 2024.Rubio disse que os EUA também imporiam sanções a sete ex-autoridades equatorianas acusadas de suborno.A administração Trump solicitará ao Congresso US$ 45 milhões para financiar novos compromissos com o Equador, além de uma iniciativa de US$ 10 milhões voltada para o combate à mineração ilegal de ouro, ao recrutamento por gangues e a fluxos financeiros ilícitos, afirmou Rubio.Ele disse que os EUA forneceriam um navio de patrulha da Guarda Costeira de aproximadamente 33 metros e cinco embarcações interceptadoras para a Marinha do país, somando-se às sete já entregues ao Equador este ano para o combate ao tráfico marítimo de drogas.Trump já elogiou Noboa no passado; o presidente equatoriano assumiu o cargo em 2023 prometendo combater com firmeza a violência decorrente do papel crescente do Equador como ponto de trânsito de drogas.Defensores dos direitos humanos expressaram preocupação de que essa abordagem de mão pesada tenha apenas gerado mais caos. Na terça-feira, Rubio fez uma promessa semelhante de maior cooperação na área de segurança com a vizinha Colômbia, onde se reuniu com o recém-empossado presidente de direita Abelardo De La Aspriella, que havia recebido o apoio de Trump.Os compromissos dos EUA fazem parte de uma renovada atuação na América Latina, que o governo Trump descreveu como uma reformulação da Doutrina Monroe do século XIX — a qual afirmava a primazia dos EUA nas Américas, mas que críticos associam a décadas de intervenção norte-americana.A viagem de Rubio à América Latina coincidiu com a convenção de meio de mandato de Trump em Dallas, onde o presidente republicano espera mobilizar sua base de apoio e ajudar o partido a manter as maiorias no Congresso, apesar de pesquisas mostrarem que ele é amplamente impopular — em grande parte devido à guerra com o Irã e ao agravamento da crise do custo de vida.Ataques a embarcaçõesAo falar com repórteres em Quito, Rubio reconheceu que a campanha dos EUA para atacar embarcações suspeitas de tráfico de drogas havia passado a envolver ações conjuntas com o Equador, e afirmou que as decisões sobre os alvos eram tomadas caso a caso, com a cooperação equatoriana.“Nosso objetivo não é perseguir pescadores. Nosso objetivo é perseguir traficantes de drogas”, disse ele em resposta a perguntas sobre críticas à campanha.Na semana passada, o ministro da Defesa do Equador também defendeu várias operações recentes nas quais embarcações equatorianas foram interceptadas e afundadas, afirmando que elas resultaram de investigações conjuntas para desmantelar o tráfico de drogas.Os afundamentos fazem parte de uma campanha militar mais ampla dos EUA conhecida como Operação Southern Spear (Lança do Sul), que destruiu cerca de 70 embarcações e matou mais de 220 pessoas no último ano, gerando críticas de grupos de direitos humanos e de alguns líderes latino-americanos, que classificam os ataques como execuções extrajudiciais.Embora o governo dos EUA tenha assumido a responsabilidade por dezenas de ataques no âmbito da Southern Spear, não reivindicou a autoria de outros três incidentes ocorridos este ano que apresentam características típicos de ataques norte-americanos, envolvendo embarcações de pesca da província equatoriana de Manabí.Nesses incidentes, tripulantes — incluindo alguns entrevistados pela Reuters — relataram que suas embarcações foram atingidas por ataques. Um barco desapareceu, e as tripulações dos outros dois foram repatriadas via El Salvador.