A demissão mais doída na Globo para Boni foi encomendada pela Ditadura Militar

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José Bonifácio de Oliveira, o Boni, revelou que a demissão mais difícil de sua trajetória na Globo foi a de Dercy Gonçalves (1907-2008). Em vídeo publicado nas redes sociais nesta quarta-feira (9), o ex-vice-presidente de operações da emissora contou que precisou dispensar a atriz em meio à pressão da censura durante a Ditadura Militar (1964-1985).Ao responder a um seguidor que perguntou qual havia sido a demissão mais dolorosa que precisou fazer, Boni afirmou que a resposta era difícil, mas citou Dercy, de quem era amigo e admirador. Segundo ele, o programa da atriz, exibido ao vivo, era alvo de sucessivas intervenções.“Foi a da Dercy Gonçalves, minha querida amiga. Eu sou apaixonado pelo trabalho dela, apaixonado pela pessoa e, de repente, nós não tínhamos outra solução. Primeiro porque o programa da Dercy era ao vivo e era objeto de várias intervenções da censura do governo militar. Eles acabaram exigindo que o programa fosse gravado”, afirmou.A mudança não impediu os cortes. Boni explicou que a equipe gravava três horas de conteúdo, mas perdia uma hora ou mais por causa das intervenções dos censores. Com o aumento das restrições, a emissora chegou a não ter material suficiente para colocar o programa no ar.“A gente gravava três horas e perdia uma hora ou mais, porque a censura cortava. O corte foi aumentando e chegou um momento que a gente não tinha nenhum programa para exibir no ar. Muita gente diz que isso é uma invenção nossa, porque houve uma pressão do governo militar. Houve pressão através da censura”, declarou.Além da interferência direta sobre o conteúdo, a situação passou a gerar consequências financeiras para a Globo. De acordo com Boni, a emissora foi punida economicamente pelos cortes e, naquele período, ainda enfrentava dificuldades de caixa.“Não conseguimos resistir à questão financeira. Nós fomos punidos financeiramente. Naquele momento, a Globo ainda tinha uma dificuldade de caixa e não dava para sustentar a Dercy sem que ela fosse ao ar e tivesse os seus patrocínios”, explicou.Diante do cenário, Boni precisou comunicar pessoalmente a saída de Dercy Gonçalves. Ele contou que prometeu chamar a atriz de volta assim que fosse possível e classificou o episódio como um dos momentos mais dolorosos de sua vida profissional.“Tive que chamar a Dercy, nossa rainha, e dizer que, dentro das circunstâncias, não poderia mantê-la, mas assim que fosse possível, eu chamaria ela de volta. Foi um momento extremamente dolorido da minha vida ter que ficar sem a minha querida Dercy Gonçalves”, completou.Dercy Gonçalves morreu em 2008, aos 101 anos. Durante a ditadura militar, ela comandou na Globo os programas Dercy Espetacular (1966) e Dercy de Verdade (1966-1969).O post A demissão mais doída na Globo para Boni foi encomendada pela Ditadura Militar apareceu primeiro em Vitrine do Cariri.