A confirmação do El Niño até o início de 2027 pode reduzir a oferta de farelo e óleo de peixe e aumentar a pressão sobre os custos da aquicultura. O alerta foi feito por Adolfo Fontes, especialista global de inteligência de mercado da dsm-firmenich, durante encontro com a imprensa.O principal ponto de atenção está na pesca da anchoveta no Peru e no Chile, países que concentram uma parcela relevante da produção mundial de óleo e farelo de peixe. Segundo o especialista, apenas o Peru responde por cerca de 20% da produção global desses dois produtos.O especialista afirmou que a produção de farelo de peixe no país apresentou uma queda inicial de 20% durante o atual episódio de El Niño. A redução, segundo ele, pode chegar a 50%, dependendo da evolução das condições climáticas nos próximos meses. Leia Mais Análise: El Niño começa no campo, mas termina no supermercado El Niño pode afetar oferta de mandioca e pressionar produtores e indústrias El Niño pode mudar cenário da produção de leite e pressionar preços em 2027 “Eu posso dizer aqui um deles, destacar a questão […] da pesca da anchoveta, principalmente ali no Peru e no Chile. Só o Peru corresponde aí a 20% da produção global de farelo e de óleo de peixe”, afirmou.O executivo lembrou que o último El Niño de maior intensidade, em 2023, provocou uma queda de aproximadamente 50% no farelo produzido pelo Peru. A preocupação agora é que o novo episódio climático tenha efeitos semelhantes sobre a disponibilidade do ingrediente.“Quando a gente olha, no caso do farelo do Peru, caindo 50% no último El Niño, que foi em 2023, e agora a gente vivendo um outro El Niño em 2026, aí com uma queda já inicial de 20%, podendo chegar também nesses 50%, dependendo do desenvolvimento do clima nos próximos meses”, disse.O risco é especialmente relevante para a aquicultura, setor que utiliza farelo e óleo de peixe na alimentação dos animais. Com menor disponibilidade da matéria-prima, a cadeia pode enfrentar aumento de custos e maior necessidade de buscar alternativas para a formulação das rações.A perspectiva é agravada pela possibilidade de continuidade do fenômeno climático. Segundo a análise apresentada pela DSM-Firmenich, a probabilidade de ocorrência de El Niño permanece elevada nos próximos trimestres, com possibilidade de o fenômeno continuar até o começo de 2027.Para Fontes, as temperaturas mais altas dificultam a pesca da anchoveta e afetam diretamente a disponibilidade de matéria-prima para a produção de farelo e óleo de peixe.“Ele traz, por um lado, as questões de temperatura mais alta que dificultam a pesca desse peixe para se transformar em farelo e óleo de peixe, o que impacta a aquacultura”, explicou.O cenário do farelo de peixe faz parte de um quadro mais amplo de pressão sobre os custos da cadeia de proteína animal. A DSM-Firmenich também chama atenção para os efeitos do clima sobre a produção de grãos, que representam aproximadamente dois terços dos custos de produção de proteína animal, segundo a apresentação.O especialista afirmou que algumas regiões do Brasil têm registrado condições mais secas, o que pode atrasar o plantio da soja e, posteriormente, afetar o calendário da segunda safra de milho.Consumo de peixe deve crescer 30% na Semana Santa