A popularização da creatina se deve ao aumento do público fitness nas redes sociais. Mas, não são só os marombeiros que contribuem para o consumo do suplemento, a tendência também alcança mulheres no pós-parto que desejam alinhar a maternidade com uma vida mais saudável.Influenciadoras como Virgínia Fonseca e Carol Borba já compartilharam conteúdos sobre o produto e outros suplementos relacionados à prática de exercícios. A influência recaí sobre as mães que as acompanham: será que é possível amamentar e tomar whey? como manter uma vida fitness alinhada à maternidade?Em entrevista à CNN Brasil, a ginecologista e obstetra Núbia Fontes, contou que ainda não há evidências suficientes para determinar como a suplementação altera a concentração no leite materno ou quais seriam os efeitos sobre o bebê. Apesar disso, o uso não é proibido, mas deve ser moderado.“Sabemos que a creatina e compostos relacionados fazem parte da fisiologia normal do organismo, mas não há evidências suficientes para estabelecer com segurança quanto uma suplementação modifica sua concentração no leite materno ou quais seriam os efeitos de uma exposição adicional no lactente. Por isso, não considero adequado recomendar o suplemento de maneira indiscriminada durante a lactação”, explicou a especialista. Leia Mais Claudia Raia conta como engravidou naturalmente após tentativas de FIV Colágeno vira alternativa para produção de novas bebidas proteicas Bruna Biancardi revela ter pensado terminar com Neymar Jr.: "Meu limite" A creatina deixou de ser associada exclusivamente à prática esportiva e se tornou um dos suplementos mais consumidos no mundo. No Brasil, o crescimento também é observado entre as mulheres, que representam uma em cada quatro compras do produto, segundo pesquisa da Soldiers Insights, divulgada no primeiro trimestre de 2026.No entanto, para a especialista, o ideal é não iniciar o consumo apenas pela popularidade nas academia ou nas redes sociais: ” A mulher que está amamentando deve conversar com o obstetra e, quando necessário, com o pediatra e o nutricionista. Precisamos avaliar a fase do puerpério, alimentação, prática de exercícios, função renal, uso de medicamentos, outras suplementações e o estado de saúde da mãe e do bebê.”, contou.Entenda as alternativas para maternidade buscadas pelas mulheres | LIVE CNNA creatina pode trazer benefícios?Fora do contexto específico da amamentação, a creatina é estudada por sua participação na produção rápida de energia e por possíveis vantagens relacionados à força, ao desempenho físico e à preservação ou ganho de massa muscular quando associada ao treinamento adequado.Segundo Núbia, os efeitos despertam interesse entre mulheres no pós-parto que buscam recuperar força e condicionamento. No entanto, esses “benefícios” precisam ser olhados com cuidado pelas mães.“Uma possível vantagem para a mãe não elimina a necessidade de avaliar a segurança para o bebê durante a lactação. No pós-parto, também precisamos considerar individualmente alimentação, qualidade do sono possível nessa fase, recuperação obstétrica, retorno ao exercício e condições clínicas da mulher antes de pensar em suplementação”, disse.Como manter uma rotina saudável após a maternidade?Para a especialista, manter uma rotina saudável após a gravidez não significa recuperar rapidamente o corpo de antes da gestação. A prioridade deve ser a alimentação adequada, a hidratação, o acompanhamento médico e o retorno gradual às atividades físicas.“O organismo passou por gestação, parto e agora enfrenta as demandas da amamentação e dos cuidados com o bebê. A recuperação pós-parto é um processo, e saúde nessa fase está muito mais relacionada a oferecer ao corpo condições para se recuperar do que a cumprir metas estéticas ou de performance”, conclui.Whey e creatina: suplementos podem fazer mal? Veja como usá-los