Bloquear o celular roubado pelo IMEI é uma das primeiras medidas recomendadas após um crime, mas a proteção, sozinha, não impede que o aparelho seja reutilizado. Uma investigação do Ministério Público de São Paulo revelou como quadrilhas conseguem neutralizar diferentes mecanismos de segurança e recolocar os dispositivos em funcionamento.A descoberta ocorreu durante a Operação Frank Mobile, realizada pelas polícias de São Paulo e pelo MP-SP contra uma organização criminosa especializada no desbloqueio, recondicionamento e comercialização de celulares roubados.Segundo relatório do Ministério Público, os criminosos conseguem contornar tanto o bloqueio do IMEI quanto mecanismos criados por Google e Apple para dificultar o uso de aparelhos roubados.O que acontece quando o IMEI é bloqueado?O IMEI é um número único associado a cada celular e funciona, em uma comparação feita na reportagem, como uma espécie de “chassi” do aparelho;Depois de um roubo ou furto, o proprietário pode solicitar à operadora o bloqueio do IMEI. Também é possível utilizar o aplicativo Celular Seguro. Com isso, o dispositivo deixa de conseguir se conectar às redes de telefonia no Brasil;O bloqueio, porém, não torna o aparelho completamente inutilizável;O relatório do MP afirma que a organização criminosa investigada consegue “neutralizar mecanismos de bloqueio” e reinserir os celulares no mercado;Uma das estratégias identificadas envolve justamente a alteração do IMEI. Com isso, um aparelho que teve seu identificador bloqueado passa a se apresentar à rede usando outra identificação.Segundo o MP-SP, os criminosos utilizam softwares capazes de manipular o identificador único do celular. Outra possibilidade é a substituição da placa-mãe, fazendo com que o aparelho passe a ter o IMEI associado à nova peça.Algumas lojas chegavam a cobrar cerca de R$ 300 para desbloquear celulares roubados.Criminosos também tentam contornar proteções do Google e da AppleAlterar o IMEI não é a única etapa. Os criminosos também tentam superar os mecanismos desenvolvidos por Google e Apple para impedir que aparelhos roubados sejam reutilizados. De acordo com o relatório, alguns programas conseguem forçar a restauração de fábrica de celulares Android sem que seja necessário informar a senha ou o login da conta Google associada ao dispositivo.Nos aparelhos da Apple, a investigação cita o uso de servidores para desbloquear contas do iCloud. Também foi identificada uma ferramenta capaz de contornar o bloqueio relacionado à utilização de peças não originais, facilitando o reaproveitamento de componentes de iPhones.Depois de superar essas barreiras, os aparelhos podem voltar ao mercado de diferentes maneiras. Alguns são vendidos como celulares seminovos ou recondicionados, inclusive em comércios populares e plataformas de comércio eletrônico. Outros são desmontados e têm suas peças e componentes comercializados para utilização na manutenção de outros aparelhos.Leia mais:Celular Seguro: como bloquear IMEI de celular roubado pelo appCelular Seguro: governo ativa sistema que identifica celular roubado ao trocar chipCelular Seguro agora tem consulta oficial de celular roubado; veja como usarAlterar o IMEI não é a única etapa; criminosos também tentam superar os mecanismos desenvolvidos por Google e Apple para impedir que aparelhos roubados sejam reutilizados – Imagem gerada por inteligência artificial-GPTBloquear o IMEI não é suficientePara Hiago Levi, presidente do Instituto Brasileiro de Resposta a Incidentes Cibernéticos (Ibrinc), o bloqueio do IMEI continua sendo importante, mas não deve ser tratado como a única medida de proteção.“Bloquear o IMEI é importante, mas sozinho não impede totalmente a reutilização dos aparelhos”, afirmou ao UOL.Segundo ele, uma proteção mais eficaz combina o bloqueio na rede móvel com mecanismos que dificultem a reutilização do aparelho e medidas destinadas a proteger os dados e as contas do proprietário.O que fazer depois de um rouboA primeira recomendação é registrar um boletim de ocorrência e entrar em contato com a operadora para bloquear a linha telefônica.Também é importante solicitar o bloqueio do IMEI. O número pode ser encontrado na caixa do aparelho ou consultado por meio de um código no próprio celular. Todos os IMEIs associados ao dispositivo devem ser bloqueados junto à operadora.O aplicativo Celular Seguro também pode ajudar nesse processo e permite notificar bancos sobre a subtração do aparelho. O serviço ainda possibilita cadastrar contatos de confiança que podem fazer a comunicação às instituições em caso de roubo.Outra medida é manter ativas as proteções contra reutilização.No iPhone, o recurso Buscar deve permanecer ativado. Ele aciona o Bloqueio de Ativação mesmo depois que o aparelho passa por uma limpeza remota.No Android, devem ser utilizados os mecanismos de proteção contra restaurações não autorizadas, que exigem a conta ou as credenciais previamente associadas ao dispositivo.Também é recomendado utilizar os recursos de localização, bloqueio e apagamento remoto para proteger as informações armazenadas no aparelho.Por fim, o proprietário deve trocar as senhas de serviços sensíveis, como e-mail, bancos e redes sociais, além de monitorar possíveis acessos indevidos às contas.O post Celular roubado pode voltar a funcionar mesmo após bloqueio; entenda apareceu primeiro em Olhar Digital.