Polícia Civil abre inquérito contra Haddad por supostos ataques a Nunes

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A Polícia Civil de São Paulo instaurou um inquérito para apurar eventual crime de difamação do candidato ao governo de São Paulo Fernando Haddad (PT) contra o prefeito da capital paulista Ricardo Nunes (MDB) por uma declaração do petista feita durante o debate entre os candidatos ao governo de São Paulo na TV Bandeirantes, em 9 de agosto.De acordo com a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo (SSP), a investigação foi aberta no Distrito Polícial do Morumbi após a apresentação de uma queixa-crime apresentada pela defesa de Nunes.Ex-prefeito de São Paulo, Haddad afirmou que Nunes teria afirmado que o endividamento de São Paulo seria de R$ 50 bilhões e que os contratos assinados pela Prefeitura de São Paulo com a Instituto Conhecer Brasil (ICB) para instalação de pontos de Wi-Fi teria sido utilizado para financiar o filme Dark Horse, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. A notícia-crime protocolada por Nunes também pede que Haddad seja intimado para prestar esclarecimentos às autoridades.Em nota, a assessoria de Haddad afirmou que “as declarações dadas no debate foram baseadas em notícias amplamente divulgadas pela imprensa, incluindo fatos que estão sendo apurados pela Polícia Federal a pedido do STF”.Já a Secretaria de Comunicação da Prefeitura afirmou que Haddad “fez acusações levianas, inverídicas e irresponsáveis e terá que responder na Justiça por tais declarações” e que “o prefeito Ricardo Nunes refuta as acusações, reitera que tem trajetórias pessoal e política marcadas pela honra e não permitirá, em hipótese alguma, acusações dessa ou de qualquer outra natureza”. Leia também São PauloNunes nega irregularidades em contrato de Wi-Fi da prefeitura alvo da Civil São PauloDark Horse: prefeitura consulta STF sobre rompimento de contrato com ONG São PauloDatafolha: Tarcísio vence Haddad por 56% a 35% no 2º turno em SP São PauloHaddad aciona TRE-SP contra gravações de Tarcísio em obras estaduais Na última quinta-feira (10/9), Nunes negou irregularidades no contrato e afirmou que e que o Tribunal de Contas do Estado (TCE) “está acompanhando” o caso.O emedebista também negou quaisquer relações com Karina Ferreira da Gama, produtora do filme Dark Horse e ligada ao ICB, mas afirmou que a prefeitura cumprirá qualquer decisão judicial — antes de autorizar a operação da PF nesta quinta, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), pediu dados da investigação em SP.Entenda a investigação da PFEm junho deste ano, a dona da produtora GoUp Entertainment, responsável pelo filme Dark Horse, foi alvo da Operação Wi-Fi Livre por suspeitas de que parte da produção cinematográfica tenha sido financiada por contrato público firmado entre a ONG e a Prefeitura de São Paulo.As autoridades apuram possíveis irregularidades no termo de colaboração firmado entre a Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia (SMIT) e o ICB para a contratação e instalação de Wi-Fi em comunidades periféricas da cidade. As investigações apontaram uma série de falhas consideradas graves e indícios de conduta ilegal desde a origem da contratação.Falta de capacidade técnica: a polícia apontou que o chamamento público para fornecimento de Wi-Fi teve a participação exclusiva do ICB, entidade considerada sem experiência no setor de telecomunicações, com atuações somente em feiras de livros e eventos religiosos.Superfaturamento: enquanto a empresa pública Prodam cobrava R$ 306 pela manutenção mensal por ponto, o acordo com o ICB estipulou o pagamento de R$ 1.800 fixos por ponto, um valor injustificadamente superior aos parâmetros de mercado.Descumprimento de metas e fraude em aditivos: a entidade instalou apenas 3.200 dos 5.000 pontos previstos. Para ocultar a demora, foram celebrados três termos aditivos em intervalos de poucos dias.Pagamentos indevidos e antecipados: a administração municipal teria realizado a antecipação de R$ 26 milhões sem a devida contraprestação. Foram identificados repasses relativos a 3.200 pontos, quando, na realidade, apenas seis funcionavam no período.Conforme publicado pelo Metrópoles, a gestão Nunes informou ter pagado R$ 114 milhões para a instalação e manutenção de pontos de Wi-Fi em um contrato com o ICB.De acordo com os dados enviados pela prefeitura, os valores foram divididos entre R$ 68 milhões a título de instalação e manutenção de pontos entre julho de 2024 e junho de 2025. Depois, foram mais R$ 45 milhões para manutenção entre julho do ano passado e maio de 2026.O Metrópoles procurou a defesa de Karina da Gama e de Mario Frias e aguarda retorno.