O secretário-geral da ONU, António Guterres, alertou nesta terça-feira (22) para os riscos do avanço acelerado da inteligência artificial (IA) durante a abertura da 81ª Assembleia Geral das Nações Unidas. Segundo ele, a tecnologia está evoluindo mais rápido do que a capacidade da humanidade de compreender completamente seus efeitos.“Até mesmo aqueles que criaram a inteligência artificial estão nos dizendo que estão ficando cegos diante dela”, afirmou Guterres. Para o secretário-geral, a velocidade do desenvolvimento da IA exige que os países estabeleçam mecanismos de cooperação e supervisão antes que os riscos se agravem.Guterres compara IA às armas nuclearesDurante o discurso, Guterres comparou os desafios impostos pela inteligência artificial aos riscos das armas nucleares durante a Guerra Fria. Segundo ele, mesmo em um período marcado pela rivalidade entre grandes potências, os países reconheceram a necessidade de administrar riscos que poderiam afetar toda a humanidade.“Precisamos criar canais para reduzir mal-entendidos, controlar escaladas e prevenir desastres”, disse o secretário-geral ao fazer a comparação.Para Guterres, a inteligência artificial exige uma resposta internacional semelhante. “A inteligência artificial exige a mesma clareza de propósito e o mesmo senso de urgência”, afirmou.O secretário-geral também chamou atenção para o ritmo de desenvolvimento da tecnologia. Segundo ele, a IA avança mais rapidamente do que a capacidade de compreender suas consequências.“O perigo está na tecnologia sem responsabilização, capacidade sem supervisão e tomada de decisões sem transparência”, declarou.Guterres discutiu IA em seu discurso desta terça-feira (22) – Imagem: Reprodução/ONUONU pede regras para o desenvolvimento da IAGuterres defendeu que os países que lideram o desenvolvimento tecnológico compartilhem informações sobre riscos emergentes, cooperem em testes e avaliações de sistemas de IA e estabeleçam salvaguardas comuns.Ele também afirmou que a ONU deve participar da definição das regras para o desenvolvimento da tecnologia, citando o Pacto Digital Global e o Painel Científico Internacional Independente sobre IA.O objetivo, segundo o secretário-geral, é garantir que a tecnologia seja desenvolvida “pela humanidade, com a humanidade e para toda a humanidade”.Guterres também destacou a necessidade de proteger crianças de sistemas ainda não regulamentados. “Crianças não devem ser cobaias de sistemas não regulamentados”, afirmou.Outro ponto levantado pelo secretário-geral foi o uso da IA em decisões que envolvam a vida humana. Para ele, esse tipo de decisão não deve ser delegado a máquinas.“Decisões de vida ou morte nunca devem ser entregues às máquinas”, disse Guterres. Na sequência, acrescentou: “Robôs assassinos não devem ter lugar no nosso futuro”.IA está mudando a distribuição de poderNa avaliação de Guterres, os riscos da inteligência artificial estão relacionados a uma transformação mais ampla na forma como o poder é exercido e distribuído.“Não estamos diante de crises separadas. Estamos diante de capítulos da mesma história: a história do poder — como ele é usado e como está mudando”, afirmou.O secretário-geral disse que a IA está “remodelando os Estados” e alterando relações econômicas, políticas e sociais.Apesar dos riscos, Guterres também reconheceu o potencial da tecnologia. Segundo ele, a inteligência artificial pode ampliar oportunidades, estimular a inovação e contribuir para a solução de problemas.A preocupação, portanto, está relacionada à forma como esse desenvolvimento será conduzido. “O perigo não é a tecnologia. É a tecnologia usada sem responsabilidade”, afirmou Guterres durante o discurso.O post “Estão ficando cegos”: ONU alerta que avanço da inteligência artificial supera capacidade humana de entendê-la apareceu primeiro em Olhar Digital.