O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta terça-feira (22), na abertura do debate geral da Assembleia Geral da ONU, em Nova York, que a organização atravessa uma crise de credibilidade e tem falhado em sua missão de evitar guerras. Em seu discurso, Lula disse estar movido pela “indignação” diante do cenário internacional e responsabilizou também o Conselho de Segurança pela incapacidade de responder aos conflitos.“A ONU está falhando em uma das suas missões mais elevadas, a de livrar o mundo, a humanidade, do flagelo da guerra. Sua credibilidade nunca esteve tão baixa. Sua capacidade de proteger os mais vulneráveis, os que não têm exército, nem arsenais, nunca foi tão pequena”, afirmou.Na sequência, Lula declarou que “somos todos reféns do imobilismo de um Conselho de Segurança que não cumpre o seu papel” e classificou o atual cenário como o mais grave desde sua primeira participação na Assembleia, em 2003.Guerra em Gaza Ao tratar do Oriente Médio, Lula evocou Yasser Arafat e Yitzhak Rabin para defender uma saída negociada para o conflito entre israelenses e palestinos. “Yasser Arafat e Rabin foram estadistas. Desafiaram o passado para projetar um futuro de paz. Foram derrotados pelo ódio”, afirmou o presidente durante o discurso na Assembleia Geral.Lula voltou a empregar o termo “genocídio” para descrever a atuação do governo do primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, na Faixa de Gaza. “Gerações de palestinos carregarão a dor e o trauma deixados pelo genocídio praticado pelo governo Netanyahu contra mulheres e crianças em Gaza”, declarou. Na mesma passagem, condenou os ataques cometidos pelo Hamas contra Israel: “Civis israelenses pagaram o preço do radicalismo e da intolerância dos atos terroristas do Hamas.”O presidente também criticou pressões contra o Tribunal Penal Internacional (TPI) e defendeu a relatora especial da ONU para os territórios palestinos, Francesca Albanese. “Perseguir o Tribunal Penal Internacional e seus integrantes é um estímulo para que estes crimes fiquem impunes. A relatora especial da ONU, Francesca Albanese, não pode ser silenciada por dizer a verdade”, disse.Na sequência, Lula voltou a defender a solução de dois Estados e criticou a expansão dos assentamentos israelenses na Cisjordânia. “Os assentamentos ilegais na Cisjordânia tornam cada vez menos viável a solução de dois Estados, essencial para que Israel e o Estado da Palestina possam viver em paz”, afirmou.Discurso de 2025No ano passado, o presidente também chegou a Nova York em meio a tensões com os Estados Unidos, enquanto o governo brasileiro buscava uma saída diplomática para as tarifas impostas por Donald Trump e Washington discutia sanções contra o ministro Alexandre de Moraes com base na Lei Magnitsky. Apesar do cenário, um encontro informal entre Lula e Trump nos corredores da ONU abriu caminho para uma reaproximação. O norte-americano afirmou na ocasião que os dois tiveram uma “ótima química”, e os contatos posteriores resultaram na retirada de tarifas e sanções ao Brasil. A relação voltou a se deteriorar nos últimos meses, e Lula retorna à Assembleia Geral a menos de duas semanas das eleições brasileiras, com divergências comerciais ainda pendentes e diante do risco de novas sanções americanas contra autoridades do país.