Um nova cirurgia, capaz de tratar o glaucoma e a catarata simultaneamente, será implementada no SUS (Sistema Único de Saúde). A decisão do Ministério da Saúde foi publicada no Diário Oficial da União na última quinta-feira (17).A atualização no tratamento dessas doenças foi proposta pela SCTIE (Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação em Saúde) junto à Conitec (Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias) no SUS.Nova técnicaA abordagem é direcionada para casos leves a moderados de glaucoma primário de ângulo aberto e é menos invasiva que as opções atuais. Leia Mais Cirurgia inédita trata doença rara pela 1ª vez no Brasil; entenda Tecnologia inédita promete avanço no combate a casos complexos de câncer Saiba como identificar problemas de visão em crianças Os benefícios da cirurgia incluem a recuperação mais rápida, a redução no risco de complicações e o melhor controle da pressão intraocular, que pode causar cegueira se não for tratada.O tratamento atual do glaucoma na rede pública é orientado pelo Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) da doença, com colírios para reduzir a pressão intraocular.Se os medicamentos não apresentam o efeito esperado ou o paciente encontra dificuldades para utilizar, são incluídas intervenções a laser ou cirurgias, como o implante de drenagem oftalmológico, conhecido como iStent.O novo procedimento, que também será incluído no PCDT, traz duas possibilidades:Cirurgia feita por meio de uma pequena incisão na córnea, chamado de goniotomia excisional;Cirurgia feita a partir de um microcateter ou fio cirúrgico introduzido no canal natural de drenagem do olho, a trabeculotomia transluminal.De acordo com documento elaborado pela Conitec,a opção goniotomia excisional representa uma redução de aproximadamente R$ 18 mil a cada ano de vida saudável ganho pelo paciente em comparação ao iStent, enquanto a goniotomia excisional poderá resultar em uma economia de R$ 22,4 milhões no primeiro ano.Entenda as doençasA catarata é caracterizada pela perda de transparência (opacificação) do cristalino, que fica opaco, reduzindo a capacidade visual e afetando, principalmente, a população idosa.Já o glaucoma é uma doença crônica que afeta o nervo óptico, estrutura responsável por conduzir as imagens do olho ao cérebro. A condição provoca a perda progressiva de células da retina e limita gradualmente a visão periférica, que é a capacidade de enxergar ao redor.Segundo dados da Conitec, a doença é a segunda maior causa de cegueira no mundo, atrás apenas da catarata.