A produção de petróleo da Venezuela pode entrar em uma nova fase? Na avaliação de analistas de mercado, sim, e pode afetar empresas da Bolsa brasileira. Nesta segunda-feira (21), cabe ressaltar, a Halliburton anunciou a assinatura de memorandos de entendimento com a Eneva (ENEV3) e a WESCA para apoiar oportunidades de desenvolvimento energético na Venezuela e auxiliar clientes no avanço de projetos no setor de petróleo e gás do país. Halliburton e Eneva trabalharão em conjunto na identificação e no desenvolvimento de oportunidades de negócios na Venezuela“O interesse demonstrado por uma companhia brasileira em oportunidades no setor petrolífero venezuelano evidencia a crescente atratividade do país como destino de investimentos”, avalia o Bradesco BBI. Entre as empresas da cobertura do banco, Petrobras (PETR3;PETR4) também poderia avançar sobre oportunidades na Venezuela, apontou a equipe de analistas, em breve análise sobre o tema. Em relatório desta segunda-feira, a equipe de analistas do Goldman Sachs destacou ver renascimento do petróleo venezuelano e apontou outros vencedores globaisO banco americano vê que os recentes acordos firmados por empresas internacionais no país devem impulsionar fortemente a produção de hidrocarbonetos na próxima década, recolocando a Venezuela entre os principais polos de crescimento energético do mundo.A estimativa do banco é que a produção de petróleo venezuelana alcance cerca de 1,9 milhão de barris por dia em 2030, alta de aproximadamente 945 mil barris por dia em relação aos níveis de 2025. A projeção sobe para 2,3 milhões de barris diários em 2035, com potencial de crescimento adicional dependendo da entrada de novos operadores.Leia tambémIbovespa Hoje Ao Vivo: Bolsa sobe com exterior e eleições em focoBolsas dos EUA avançam com petróleo em queda Os analistas atribuem essa revisão principalmente aos anúncios recentes de expansão da Chevron e da ENI, além do acordo entre os governos dos Estados Unidos e da Venezuela que abriu espaço para novos investimentos privados em reservas do país.Segundo o Goldman Sachs, a maior parte da expansão deverá vir de projetos liderados por Chevron e ENI.A Chevron pretende elevar sua produção na Venezuela para cerca de 600 mil barris por dia até 2031, ante aproximadamente 280 mil barris atualmente, dentro de um plano de investimentos de US$ 7 bilhões ao longo de cinco anos.Já a ENI assumiu a operação exclusiva do campo Junin-5, na Faixa do Orinoco, que possui cerca de 35 bilhões de barris de petróleo certificados. A companhia obteve uma licença de 25 anos e pretende elevar significativamente a produção do ativo.A espanhola Repsol também aparece entre os principais beneficiários do movimento. A empresa pretende triplicar sua produção de petróleo na Venezuela até 2028, enquanto a GeoPark planeja elevar a produção do bloco Bare para cerca de 90 mil barris por dia até 2038.O banco também vê espaço para uma expansão importante na produção de gás, estimando que os projetos Dragon, da Shell, e Loran, desenvolvido por BP e parceiros, adicionem o equivalente a cerca de 140 mil barris por dia até o início da próxima década. O gás seria direcionado para a planta de liquefação Atlantic LNG, em Trinidad e Tobago.Os analistas também apontam potencial adicional nos projetos Perla, operados por ENI e Repsol, que estudam exportações por meio de unidades flutuantes de liquefação de gás natural (FLNG).Nova legislação melhora atratividadeUm dos principais fatores por trás deste movimento é a mudança no regime fiscal venezuelano.Segundo o banco, a nova Lei Orgânica de Hidrocarbonetos de 2026 reduziu significativamente os custos econômicos dos projetos. Com isso, o preço de equilíbrio (“breakeven”) dos campos de petróleo caiu para cerca de US$ 58 por barril, colocando a Venezuela no segundo quartil da curva global de custos de produção.Leia tambémNovo programa para dívidas pode ajudar bancos, mas também traz incentivo “negativo”Proposta em estudo pelo governo pode gerar recuperação de créditos considerados perdidos No gás natural, o breakeven estimado é de aproximadamente US$ 3,8 por milhão de pés cúbicos, também abaixo da mediana global dos projetos analisados pelo banco.Quem mais ganha com a retomada?Em termos de criação de valor, o Goldman Sachs aponta a Chevron como a principal beneficiária da reabertura venezuelana.Segundo os cálculos da instituição, os ativos venezuelanos têm valor presente líquido estimado em US$ 6,4 bilhões para a Chevron. A ENI aparece em seguida, com US$ 4,8 bilhões, enquanto a Repsol soma cerca de US$ 1,9 bilhão.Shell e BP também podem capturar valor adicional à medida que os projetos de gás avancem para decisões finais de investimento. O banco estima potencial de aproximadamente US$ 300 milhões para a Shell e US$ 100 milhões para a BP.O efeito também chega à indústria de equipamentos. O Goldman Sachs calcula que a demanda por tubos especiais utilizados na perfuração de poços, conhecidos como OCTG, pode atingir entre 140 mil e 240 mil toneladas por ano até 2030. Isso representaria um mercado potencial entre US$ 600 milhões e US$ 1 bilhão anuais.Nesse cenário, fabricantes como Tenaris e Vallourec aparecem como possíveis beneficiárias do aumento da atividade exploratória, especialmente por fornecerem produtos de maior valor agregado necessários para a exploração do petróleo pesado da Faixa do Orinoco.The post Petróleo na Venezuela renascerá? Veja ações que podem ganhar – incluindo brasileiras appeared first on InfoMoney.