O subprocurador-geral da República Francisco Sanseverino votou nesta sexta-feira (25) contra a abertura de uma investigação sobre a atuação do procurador-geral da República, Paulo Gonet, no caso Banco Master. O julgamento ocorre no Conselho Superior do Ministério Público Federal (MPF).O relator também votou para não analisar os pedidos de afastamento de Gonet dos processos relacionados ao caso que tramitam no Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo ele, cabe à própria Corte, e não ao Conselho Superior do MPF, decidir sobre eventual impedimento do procurador-geral.Sanseverino afirmou que não há elementos mínimos que indiquem a ocorrência de crime ou a participação de Gonet. Para o subprocurador, a ausência de mensagens trocadas diretamente entre o chefe da PGR e Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, enfraquece a alegação de que os dois mantinham uma relação de amizade íntima.O relator também defendeu a atuação de Gonet nas negociações de colaboração premiada apresentadas pela defesa de Vorcaro. Segundo ele, o procurador-geral tratou as propostas com o rigor exigido pelo cargo. As tratativas com a PGR e a Polícia Federal (PF) não avançaram porque as informações apresentadas pelo banqueiro foram consideradas insuficientes.O voto ainda precisa ser analisado pelos demais integrantes do colegiado. Portanto, não representa, por si só, uma decisão definitiva sobre os pedidos.Entenda o casoO questionamento sobre a atuação de Gonet surgiu após a divulgação de um relatório da Polícia Federal que reuniu mensagens e outros elementos sobre a relação de Daniel Vorcaro com autoridades. O documento também trouxe referências ao procurador-geral da República e ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues.Em 1º de setembro, Gonet pediu ao STF o encerramento da investigação conduzida por André Mendonça sobre a relação entre Alexandre de Moraes e Vorcaro. O procurador-geral argumentou que o ministro havia extrapolado suas atribuições ao determinar o aprofundamento da apuração sem provocação do Ministério Público ou iniciativa da própria Polícia Federal.A Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF) também pediu que Gonet se declarasse impedido de atuar na investigação. A entidade questionou a abertura de um procedimento pela PGR para apurar a elaboração do relatório policial e defendeu a atuação dos agentes responsáveis pelo documento.