Mais dois grandes sistemas hospitalares dos Estados Unidos deixarão de fornecer cuidados a pessoas transgênero, como bloqueadores da puberdade, tratamentos hormonais e procedimentos cirúrgicos para pacientes menores de 18 anos, sob um acordo com o Departamento de Justiça.O NYU Langone Health e o University of Pittsburgh Medical Center (UPMC) concordaram em pagar quase US$ 9,5 milhões no total para encerrar uma investigação do Departamento de Justiça sobre alegações de que os centros médicos estavam cobrando indevidamente por cuidados de afirmação de gênero prestados a menores.Os acordos se somam a outros similares fechados com o Mount Sinai Health System em Nova York, o Texas Children’s Hospital, a Cleveland Clinic Foundation e o Connecticut Children’s Hospital. Leia Mais Polícia da Turquia prende 150 pessoas em protesto a favor de grupos LGBTQ+ Como a Suprema Corte dos EUA mudou os direitos de pessoas trans desde 2020 Governo Trump ameaça cortar verbas de escolas por políticas para trans Em comunicados separados, o NYU Langone Health e o UPMC afirmaram que o acordo também protege a confidencialidade de pacientes, responsáveis legais e profissionais de saúde cuja privacidade foi ameaçada por intimações emitidas pelo Departamento de Justiça como parte de sua investigação.Além disso, os dois sistemas de saúde afirmaram que seus acordos incluem negações expressas de qualquer irregularidade ou responsabilidade. Os programas de saúde mental pediátrica e o atendimento de afirmação de gênero para pacientes com 18 anos ou mais continuarão, disseram eles.O Departamento de Justiça informou que o NYU Langone concordou em pagar US$ 8,5 milhões como parte do acordo, enquanto o UPMC de Pittsburgh pagará US$ 950 mil.“Acreditamos que esta resolução atende aos melhores interesses de nossos pacientes e suas famílias, protegendo-os, bem como nossos profissionais e a instituição, de litígios prolongados”, afirmou o NYU Langone em comunicado. A UPMC expressou a mesma justificativa.No caso do NYU Langone, uma das principais redes hospitalares da cidade de Nova York, a instituição já havia descontinuado seu programa de tratamento para jovens transgêneros em fevereiro, citando o “ambiente regulatório atual”. A UPMC não abordou a situação atual de seu programa de saúde para jovens transgêneros.O acordo resulta de uma campanha mais ampla do presidente Donald Trump e de sua administração para acabar com os tratamentos médicos de afirmação de gênero para crianças trans.Uma parte fundamental da iniciativa do governo Trump incluiu investigações do Departamento de Justiça e do Departamento de Saúde e Serviços Humanos dos EUA, que acusaram dezenas de hospitais e prestadores de serviços de saúde de cobrança fraudulenta por cuidados de afirmação de gênero.As investigações alegam que os prestadores de serviços de saúde submetem rotineiramente diagnósticos falsos de doenças para obterem reembolsos de planos de saúde privados e governamentais.Existe um amplo consenso entre os profissionais de saúde, tanto da área médica quanto da saúde mental, de que o atendimento de afirmação de gênero salva vidas, reduzindo o risco de depressão e suicídio entre jovens transgêneros.Os críticos das intervenções de saúde para pessoas transgênero afirmam que os efeitos a longo prazo não são totalmente compreendidos e que os jovens são muito novos para tomar decisões que alteram tanto suas vidas, mesmo com a supervisão dos pais.O governo Trump finalizou, no mês passado, uma norma que impede dois importantes programas federais de saúde de financiarem tratamentos médicos de afirmação de gênero.