O verão terminou e a procura por escapadinhas de outono já começa a desenhar outro mapa de Portugal. Menos dependente do litoral e das geografias que tradicionalmente concentram o turismo, esse mapa aponta para o interior, para o Alentejo e territórios onde a natureza, o espaço e a escala mais pequena parecem ganhar valor quando chega setembro.Dados internos da Airbnb sobre pesquisas realizadas em Portugal para estadias no outono de 2026 mostram precisamente esse movimento. Guarda e Castelo Branco registam os maiores crescimentos entre os destinos rurais procurados pelos portugueses, com aumentos superiores a 75%, enquanto Portalegre, Viseu, Évora e Beja completam a lista dos territórios rurais com maior crescimento da procura.O movimento não significa, contudo, um abandono dos destinos mais conhecidos. O Algarve continua a ocupar uma posição central, sobretudo entre famílias e Millennials, enquanto diferentes gerações parecem estar a descobrir no interior e no Alentejo uma alternativa para os dias mais curtos e as temperaturas mais brandas.Quando o mapa turístico começa a afastar-se do litoralA Guarda surge no topo dos destinos rurais portugueses com maior crescimento de procura para o outono, seguida de Castelo Branco. Portalegre, Viseu, Évora e Beja completam o conjunto identificado pela Airbnb.A tendência ganha particular relevância porque ocorre fora da época tradicionalmente associada às férias no interior. Em vez do pico estival, são agora os meses de setembro a novembro que concentram esta procura, sugerindo uma valorização de viagens mais curtas, de natureza e de lugares afastados dos grandes centros urbanos.Segundo Jaime Rodríguez de Santiago, Diretor-Geral para Espanha e Portugal da Airbnb Marketing Services SL, os dados «mostram o potencial do interior de Portugal», com Guarda e Castelo Branco a liderarem o crescimento das pesquisas e Odemira a aparecer entre os destinos que mais crescem junto de duas gerações distintas.Para o responsável, a expansão da procura para estas regiões pode contribuir para a descentralização turística e para as economias locais, ao mesmo tempo que reduz a concentração nos destinos tradicionalmente mais procurados.A Geração Z procura natureza, mas não abdica do AlgarveEntre os viajantes portugueses mais jovens, o Algarve continua a ter um peso considerável. Loulé surge como o destino com maior crescimento de procura entre a Geração Z, mas a lista revela uma geografia mais dispersa do que aquela que poderia esperar-se de uma geração associada a destinos urbanos e de maior concentração turística.Odemira aparece em segundo lugar, seguida do Porto, de Terras de Bouro e de Vieira do Minho.É sobretudo a presença dos dois últimos municípios, ambos no distrito de Braga, que dá espessura à tendência: a procura dos viajantes nascidos entre 1995 e 2009 não se limita às cidades ou ao litoral, estendendo-se a territórios marcados pela paisagem, pela serra e pelo turismo de natureza.A lista da Geração Z fica assim dividida entre destinos consolidados e localidades cuja procura parece crescer precisamente pela possibilidade de oferecer uma experiência diferente da habitual escala urbana.Millennials entre o Algarve e o AlentejoNos Millennials, nascidos entre 1980 e 1994, o Algarve volta a assumir protagonismo. Vila Real de Santo António e Portimão estão entre os destinos portugueses com maior crescimento de procura, acompanhados por Odemira e Alcobaça.O padrão é, ainda assim, menos exclusivamente algarvio do que poderia sugerir a força histórica da região. Odemira volta a aparecer como ponto de convergência entre gerações, enquanto Alcobaça acrescenta outro destino de menor escala à lista.A Airbnb salienta que, neste grupo, foram considerados destinos com crescimento simultâneo de pesquisas e reservas, uma diferença metodológica relevante face aos restantes dados apresentados.Para as famílias, o Algarve continua a ser a escolha dominanteSe entre os viajantes mais jovens o mapa se torna progressivamente mais disperso, entre as famílias com crianças a concentração mantém-se.O distrito de Faro lidera o crescimento da procura para o outono, mantendo o Algarve como principal referência para quem procura viajar em família depois da época alta. A região parece, assim, prolongar a sua capacidade de atrair visitantes para além dos meses tradicionalmente associados às férias balneares.É uma diferença geracional que ajuda a explicar o retrato global: enquanto as famílias continuam a privilegiar um destino turístico consolidado, os viajantes mais jovens distribuem a procura por geografias distintas, algumas delas claramente associadas à natureza e ao interior.Odemira é o ponto onde as gerações se encontramNo conjunto dos dados, há um nome que perpassa diferentes mapas: Odemira.O município alentejano surge entre os destinos com maior crescimento tanto para a Geração Z como para os Millennials, ao mesmo tempo que o Alentejo ganha expressão na lista geral de destinos rurais, com Évora e Beja entre os territórios em crescimento.A particularidade de Odemira está nessa transversalidade. Não aparece apenas como alternativa rural para um determinado segmento, mas como destino capaz de despertar interesse em viajantes de diferentes idades.Entre o Atlântico e o interior alentejano, Odemira representa uma espécie de síntese da tendência que os dados da Airbnb deixam perceber para este outono: a procura continua a existir nos destinos turísticos clássicos, mas cresce também o interesse por lugares onde a viagem pode ser feita a um ritmo diferente.Os dados analisados pela Airbnb comparam as pesquisas originadas em Portugal no segundo trimestre de 2025 e de 2026 para estadias realizadas entre setembro e novembro dos respetivos anos. São, portanto, indicadores de crescimento da procura e não uma medição global do número de visitantes em cada território.Ainda assim, quando o verão começa a desaparecer, o mapa turístico português parece ganhar novas margens e algumas delas ficam bem longe da praia.O conteúdo Portugal está a fugir à praia: o interior ganha força no outono aparece primeiro em Revista Líder.