IA entra em nova fase e reduz risco de bolha, diz gestor

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A inteligência artificial está entrando em uma nova fase, em que deixa de ser apenas uma ferramenta de apoio e passa a executar tarefas dentro das empresas. Para Gabriel Raoni, sócio da IP Capital Partners, esse avanço da adoção ajuda a afastar o risco de uma bolha financeira.Em entrevista ao programa Café com o Investidor, parceria entre o NeoFeed e a CNN Brasil, Raoni afirmou que a tecnologia caminha para um mercado trilionário, impulsionada principalmente pela expansão das ferramentas de software baseadas em IA.Para o especialista, o risco de uma bolha aparece quando existe um descasamento entre o avanço tecnológico e a velocidade de adoção pela sociedade e pelas empresas. Na avaliação dele, esse movimento não está acontecendo atualmente. Leia Mais Ações ligadas à IA saltam 20% no 1º semestre em meio a desafios globais IA entrou em uma nova fase e o investidor também deveria Análise: Investimentos em Inteligência Artificial mais que dobram em 2026 “A gente está entrando numa fase que a inteligência artificial realiza tarefas para você, e isso é muito transformacional do ponto de vista de curva de adoção”, afirmou.Um dos exemplos citados por Raoni é o crescimento do Copilot, da Microsoft. Segundo ele, a ferramenta passou de 15 milhões para 20 milhões de usuários e chegou a 30 milhões no último trimestre.O especialista também destacou o potencial de expansão do mercado de software, estimado em cerca de US$ 700 bilhões globalmente. Com a incorporação da inteligência artificial, ferramentas que antes apenas auxiliavam os funcionários passam a executar tarefas administrativas e operacionais dentro das empresas. “A IA vai para um mercado trilionário”, afirmou.Investimentos em tecnologiaA tese da IP Capital Partners está concentrada em quatro grandes empresas de tecnologia: Microsoft, Meta, Alphabet e Amazon. Segundo Raoni, junto com a Oracle, essas cinco companhias respondem por cerca de 70% de todo o investimento em inteligência artificial feito na cadeia.Em 2023, as cinco empresas investiram aproximadamente US$ 150 bilhões em bens de capital, segundo os números apresentados pelo executivo. Desde então, os investimentos aceleraram. Para 2026, as estimativas apontam para mais de US$ 800 bilhões em investimentos das cinco companhias, enquanto, para 2027, a projeção chega a cerca de US$ 1,2 trilhão.Na avaliação do gestor, um dos fatores que reduzem o risco desses investimentos é justamente o poder de distribuição das grandes empresas de tecnologia.A Meta, por exemplo, possui mais de 3,5 bilhões de usuários. A Microsoft conta com cerca de 450 milhões de usuários corporativos do Office 365, enquanto o Google tem dez produtos com mais de 1 bilhão de usuários cada.Outro ponto destacado por Raoni é a verticalização de algumas dessas companhias. A Alphabet, por exemplo, pode atuar em quatro das cinco camadas da cadeia de inteligência artificial, desde o desenvolvimento de chips próprios até as aplicações utilizadas pelos consumidores. “Quando você está mais verticalizado, você mitiga isso”, afirmou.IPOs de empresas de IAApesar da visão positiva sobre a expansão da inteligência artificial, Raoni demonstra cautela em relação a empresas que ainda estão construindo seus modelos de negócio.Questionado sobre possíveis IPOs da OpenAI e da Anthropic, o sócio da IP Capital Partners afirmou que considera os valuations dessas companhias elevados e que as vantagens competitivas ainda estão em construção.“Eu prefiro uma história mais solidificada, você tem um histórico de geração de valor, onde você tem um negócio que é extremamente dominante, quase um monopólio, com efeitos de rede muito claros”, afirmou.Entre os riscos apontados pelo especialista estão a pressão deflacionária sobre os preços dos modelos de inteligência artificial e a concorrência de modelos de código aberto.A estratégia da IP Capital PartnersA avaliação sobre empresas de tecnologia está alinhada à filosofia de investimentos da IP Capital Partners, que busca negócios com características específicas.O primeiro pilar é encontrar empresas com um motor de crescimento próprio, capazes de crescer independentemente do cenário macroeconômico. O segundo é identificar companhias com um forte escudo competitivo e capacidade de gerar retornos acima do custo de capital. O terceiro envolve empresas com equipes de gestão alinhadas, éticas e que respeitem os acionistas minoritários.“Esses três atributos são o segredo para ter um bom investimento em ações”, afirmou Raoni.A busca por empresas que atendam a esses critérios também levou a gestora a ampliar o olhar para o exterior. Segundo o especialista, o mercado internacional se torna mais “convidativo” pela maior quantidade de companhias que apresentam essas características.A IP Capital Partners tem 38 anos de existência e é descrita por Raoni como a primeira gestora de recursos independente do Brasil. A casa começou a operar antes mesmo da criação da regulamentação específica do setor. “Quando a IP começou, a gente operava por conta e ordem, através de procuração”, afirmou.O principal fundo da gestora, o IP Participações, acumula uma trajetória de 33 anos. Como exemplo da performance de longo prazo, Raoni afirmou que R$ 10 mil aplicados na origem do Plano Real teriam se transformado em mais de R$ 3 milhões.Bolsa brasileiraApesar da preferência por determinadas empresas globais de tecnologia, Raoni também vê oportunidades no mercado brasileiro. Na avaliação do especialista, o momento atual representa um ponto de entrada interessante para a bolsa.Ele considera que o período entre 2019 e 2026 foi marcado por um aumento expressivo do custo de capital no Brasil, com juros reais de curto prazo próximos de 10% e de longo prazo perto de 8%.Esse cenário pressionou os ativos de renda variável e elevou o prêmio exigido pelos investidores para assumir risco na bolsa. Mesmo assim, Raoni afirma que ainda é possível encontrar empresas brasileiras com retornos potenciais elevados.Um dos exemplos citados é o Itaú. Segundo o gestor, a ação negocia atualmente com um retorno implícito de IPCA mais 12%. “Mesmo que não caia o custo de capital, ter um investimento com uma empresa como o Itaú é um excelente retorno”, concluiu.Café com InvestidorO programa Café com Investidor é uma produção do NeoFeed com a CNN Brasil e é apresentado por Ralphe Manzoni. Acompanhe os episódios inéditos, quinzenalmente, às 19h45, no CNN Money. Os textos gerados por inteligência artificial na CNN Brasil são feitos com base nos cortes de vídeos dos jornais de sua programação. Todas as informações são apuradas e checadas por jornalistas. O texto final também passa pela revisão da equipe de jornalismo da CNN. Clique aqui para saber mais.