A Ripio começou a comunicar clientes brasileiros que deixará de manter saldos diretamente em reais em sua plataforma a partir de 30 de outubro. A partir dessa data, qualquer valor em moeda brasileira depositado na exchange será convertido automaticamente, sem custo, para wBRL, stablecoin da própria empresa pareada ao real.Segundo o comunicado, os clientes continuarão podendo converter wBRL para reais e sacar os recursos via Pix para contas bancárias próprias. O processamento será realizado por meio do Banco Genial.A wBRL faz parte da família wFIAT desenvolvida pela Ripio e busca manter paridade de 1 para 1 com o real. Segundo a empresa, o ativo é integralmente colateralizado por reservas mantidas em instituições financeiras reguladas. A stablecoin já está disponível em diferentes redes blockchain e, recentemente, passou a integrar também a Arc.Além da mudança envolvendo o real, a Ripio informou que deixará de oferecer 37 criptoativos em seu aplicativo. A lista inclui DAI, PYUSD, RLUSD, SUI, ONDO, XAUT, TAO, WIF e ativos tokenizados vinculados a empresas e ETFs, como AAPLx, GOOGLx, MSTRx, NVDAx, SPYx e TSLAx.Leia também: Crypto.com anuncia que vai encerrar conta em reais no BrasilOs clientes terão até 26 de outubro para vender ou transferir esses ativos. Depois dessa data, eventuais saldos remanescentes serão convertidos automaticamente para USDC pelo preço de mercado.O Portal do Bitcoin entrou em contato com a Ripio para entender os motivos das mudanças e os planos da empresa para continuar operando no país, mas não recebeu resposta até a publicação desta matéria.Mudança ocorre em meio ao avanço da regulaçãoA escolha de 30 de outubro chama atenção porque coincide exatamente com uma das datas mais importantes da nova regulação brasileira de criptomoedas.As empresas que já prestavam serviços de ativos virtuais quando o novo regime entrou em vigor precisam cumprir o cronograma de transição e formalizar o processo de autorização perante o Banco Central. A partir de 30 de outubro de 2026, bancos, instituições de pagamento e outras instituições supervisionadas pelo BC ficam proibidos de realizar ou viabilizar operações com prestadoras de serviços de ativos virtuais que não estejam autorizadas ou em processo de autorização no país. A restrição alcança, entre outros serviços, contas de pagamento, transações, câmbio, negociação, intermediação e custódia.Até agora, porém, a Ripio não relacionou publicamente a alteração de sua estrutura em reais às novas exigências regulatórias. Por isso, a coincidência de datas não permite concluir que a medida tenha sido provocada pelas regras do BC.O marco regulatório, estabelecido principalmente pelas Resoluções BCB 519, 520 e 521, trouxe exchanges e outras empresas cripto para uma estrutura mais próxima daquela aplicada ao sistema financeiro tradicional. As exigências envolvem governança, controles internos, segurança, proteção de clientes e prevenção à lavagem de dinheiro, além de regras específicas para operações cambiais com ativos virtuais.Nesta semana, o Banco Central ainda fez novos ajustes nas normas. Entre eles está a obrigatoriedade de comunicação ao Coaf de transferências iguais ou superiores a US$ 10 mil envolvendo carteiras autocustodiadas. As alterações começam a entrar em vigor em outubro.Exchanges reduzem operações no Brasil antes de outubroA mudança da Ripio ocorre em meio a uma reorganização mais ampla do mercado brasileiro às vésperas do prazo regulatório.A Crypto.com também decidiu acabar com sua conta em reais. A partir de 25 de outubro, usuários brasileiros não poderão mais depositar BRL, sacar reais para contas bancárias nem negociar diretamente pares entre real e criptomoedas. Eventuais saldos restantes serão convertidos para USDC. A empresa, no entanto, continuará permitindo depósitos, saques e negociação de mais de 400 criptomoedas e não anunciou saída completa do Brasil.A Coinext foi além e anunciou o encerramento de sua atividade como corretora de criptomoedas. A própria empresa relacionou a decisão à nova regulação, afirmando que avaliou as exigências necessárias para continuar operando, buscou alternativas e parceiros, mas não encontrou uma opção considerada viável.A Digitra.com também decidiu não solicitar autorização ao Banco Central e está encerrando de forma ordenada suas operações de negociação e custódia para o varejo brasileiro. A companhia afirmou explicitamente que tomou a decisão após avaliar as possibilidades diante das novas regras.Já a NovaDAX encerrou todas as atividades de negociação em 1º de julho. Desde então, a plataforma passou a funcionar basicamente para permitir retiradas de recursos e consulta ao histórico dos clientes. A empresa não atribuiu publicamente a decisão exclusivamente à nova regulação.A Bitso, por sua vez, está encerrando o atendimento direto ao varejo brasileiro e firmou uma parceria para migrar clientes ao Mercado Bitcoin. Depósitos via Pix deixam de funcionar em outubro e os serviços do aplicativo para esses usuários serão encerrados ao final do mês.Também houve a saída da Lemon, que anunciou o fim da operação brasileira e relacionou publicamente a decisão às mudanças regulatórias.O caso da Ripio é diferente, pelo menos com as informações disponíveis até agora. A exchange não anunciou saída do Brasil e continuará permitindo que clientes entrem e saiam da plataforma por meio do Pix. A principal mudança é que o real deixa de permanecer como saldo dentro da conta: entre o depósito e o saque, passa a ser substituído por uma representação tokenizada da moeda brasileira, a wBRL.A proximidade entre essa alteração e o prazo de 30 de outubro, contudo, coloca a Ripio na lista crescente de grandes plataformas que estão reformulando suas operações locais justamente quando o novo regime regulatório brasileiro entra em sua fase decisiva.Quer investir na maior criptomoeda do mundo? 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