Depois de chuvas fortes em diversas regiões produtivas do Brasil, o sábado chega com alta de temperaturas em partes do Centro-Oeste, Sudeste e Sul do país, onde a safra verão de grãos, em especial de soja, está prestes a disparar. Se o calor severo se prolongar deve prejudicar o arranque da semeadura da oleaginosa, enquanto pressiona itens frescos e de ciclo curto no campo, como frutas e hortaliças.Segundo boletim do Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia), algumas localidades já atingiram ou superaram 40°C na última quinta-feira (24), mas isso não significa, necessariamente, que tenha ocorrido uma onda de calor. Mas neste fim de semana até a próxima terça-feira (29) o calor se intensifica e é um ponto de atenção para agricultores e para pecuaristas que estejam com o gado livre no pasto.“As maiores temperaturas devem ocorrer principalmente em partes de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Tocantins, Piauí, Bahia, São Paulo e Minas Gerais. Para o período está vigente um aviso vermelho para onda de calor, que pode afetar parte das regiões Centro-Oeste, Sudeste e Sul do Brasil”, informa o Inmet. Leia Mais "Contraste térmico": semana terá calor de 42°C, granizo e chuvas de 150 mm Chuvas fortes e risco de raios atingem três regiões do Brasil nesta quarta Frente fria traz chuva e queda na temperatura em pelo menos 7 estados Marco Antonio, sócio-fundador da Rural Clima chama a atenção para a velocidade que as oscilações climáticas extremas devem tomar nas próximas semanas ao passo que o El Niño, já ativo no mundo, se aproxima do pico de força previsto anteriormente por entidades globais. Para ele são dois problemas cruciais, antes até do calor.“O excesso de chuvas na metade sul d Brasil nas últimas semanas afetou bastante todo o setor hortifruti e o outro ponto é com relação ao El Niño. Estamos caminhando para um fenômeno de forte intensidade que está trazendo as chuvas mais precocemente para as regiões Sul, Sudeste e parte do Centro-Oeste”, detalha o especialista.Para frutas, verduras e legumes, o risco envolve tanto a redução da quantidade colhida quanto a perda de qualidade dos produtos que chegam ao consumidor. Ele lembra que Sudeste e Sul são os principais polos de produção de hortaliças e frutíferas, o que já vem afetando a cadeia do campo à entrega nas cidades.Mesmo assim, ele atenta para o cuidado que todo produtor deve ter, independente da cultura principal que tenha já plantada ou para plantar. “Desafios bastante significativos ao produtos e à cadeia do agro e, muitas vezes, quem vai pagar a conta é o consumidor final”, acrescenta.O cenário deve piorar em novembro, quando o El Niño atinge o maior pico de intensidade.Até setembro, a cana-de-açúcar foi bastante prejudicada pelo excesso de chuvas, que interrompeu a moagem nas usinas, além do café que, no final da colheita, “sobreviveu” a temporais de granizo no Sul de Minas Gerais, um dos locais mais importantes para produção do arábica no país.“O milho no Sul também foi prejudicado pelo excesso de chuvas e temos iminência de problemas na soja da safra 2026/27”, completa Marco Antonio.Estresse térmico “trava” desenvolvimento nas lavourasO estresse térmico ocorre quando a temperatura ultrapassa a faixa que a planta tolera para se desenvolver adequadamente. O calor excessivo pode prejudicar o crescimento e a formação dos frutos. A intensidade dos danos depende da espécie, da duração da exposição e da etapa de desenvolvimento da lavoura.A chuva anterior não elimina esse risco. Quando excessiva, a umidade favorece doenças e podridões, especialmente em culturas sensíveis.Segundo publicações técnicas da Embrapa, períodos quentes e chuvosos podem provocar queda de flores, perda de frutos em formação e redução da qualidade das hortaliças. Isso não significa, porém, que toda chuva seguida de calor resulte em perdas.Entre as folhosas, a alface exige atenção: temperaturas elevadas aceleram o florescimento precoce de variedades pouco tolerantes ao calor, prejudicando o aproveitamento comercial. No tomate, temperaturas acima de 40°C afetam a produção de pólen, uma etapa essencial para a formação dos frutos.As frutas também podem perder qualidade. No caso da melancia, a Embrapa aponta que o excesso de chuva durante a maturação pode prejudicar a conservação após a colheita. O resultado pode ser menos produto em condições de comercialização, mesmo quando a lavoura mantém parte do volume produzido.Para os preços, o efeito não é automático. O calor pode acelerar a maturação e aumentar temporariamente a oferta, como mostram levantamentos do Hortifruti/Cepea sobre o tomate. Se houver perdas e redução do abastecimento depois, a pressão pode se inverter. Por isso, não há um prazo único nem uma alta garantida para todos os alimentos.