O mercado de ativos tokenizados no Brasil cresceu cerca de dez vezes em apenas 12 meses e ultrapassou R$ 10 bilhões em agosto de 2026, segundo o Brazil Tokenization Report 2026, elaborado pela Nexa. Um ano antes, o volume estava pouco acima de R$ 1 bilhão.O avanço brasileiro foi bem mais rápido do que o observado globalmente no mesmo período. De acordo com o levantamento, enquanto o valor tokenizado no país aumentou aproximadamente dez vezes, o mercado mundial dobrou de tamanho.O crescimento, porém, está longe de ser distribuído igualmente entre diferentes tipos de ativos. Crédito privado responde por 88% do valor tokenizado no Brasil, mostrando que a tecnologia começa a ganhar escala justamente em um dos segmentos mais dependentes de processos manuais e com menor liquidez do mercado financeiro.Dos mais de R$ 10 bilhões mapeados, cerca de R$ 7 bilhões estão ligados a sete categorias de crédito privado, outros R$ 2 bilhões a recebíveis e aproximadamente R$ 1 bilhão a fundos multiativos. Todas as demais classes somadas representam apenas R$ 26 milhões, segundo o estudo.Mesmo depois da disparada, os números mostram o tamanho do espaço ainda disponível para crescimento. Apenas cerca de 0,3% dos R$ 2,75 trilhões do mercado brasileiro de crédito corporativo estaria atualmente tokenizado.Leia também: CVM finaliza proposta de piloto para testar tokenização no mercado de capitaisO relatório foi produzido a partir de seis pesquisas proprietárias e contou com mais de 90 parceiros de pesquisa, além de mapear mais de 150 empresas e 50 casos de uso ligados à tokenização.Crédito privado deve liderar próxima faseA concentração atual não parece ser apenas consequência das emissões realizadas até agora. Na pesquisa com participantes do mercado, o crédito privado também aparece como principal candidato a protagonizar a próxima etapa da tokenização brasileira.Ao serem perguntados sobre qual produto financeiro deverá ser tokenizado em grande escala a seguir, 48% dos entrevistados apontaram o crédito privado. A opção ficou muito à frente dos títulos públicos, escolhidos por 20%. Cotas de fundos, ações e títulos bancários receberam 7% das respostas cada.Quando a pergunta foi sobre qual setor deverá gerar esse volume, 41% indicaram empresas da economia real. Agro e infraestrutura aparecem em seguida, ambos com 10%, enquanto o segmento imobiliário recebeu 9%.A explicação apresentada pelo relatório é que a tokenização tende a gerar mais valor justamente onde existem maiores ineficiências. Crédito privado ainda envolve processos mais manuais, menor liquidez e custos de intermediação mais elevados, criando espaço para que registros em blockchain facilitem emissão, negociação e liquidação.O estudo também aponta que a tokenização poderia ampliar o mercado secundário de ativos tradicionalmente ilíquidos e reduzir custos associados às diferentes camadas de intermediação.Esse movimento já começa a alterar a maneira como os ativos tokenizados chegam aos investidores brasileiros.A Resolução CVM 88, originalmente criada para regular ofertas de crowdfunding, tornou-se uma das principais portas de entrada para ofertas tokenizadas devido à estrutura mais simples e barata. Com o aumento do tamanho das operações, porém, parte do mercado passou a recorrer à CVM 160 e a ofertas privadas.Somente no primeiro semestre de 2026, as emissões pela estrutura da CVM 160 chegaram a R$ 3,1 bilhões em ativos tokenizados, segundo o levantamento.Tokenização cresce mais rápido que ETFsO relatório também compara o momento atual da tokenização com uma das principais transformações do mercado financeiro nas últimas décadas: a ascensão dos ETFs.O primeiro ETF foi lançado em 1993 com apenas US$ 6,5 milhões. Mais de três décadas depois, esses produtos administram cerca de US$ 21,8 trilhões globalmente. A popularização aconteceu porque os ETFs facilitaram o acesso a diferentes classes de ativos por meio de instrumentos padronizados e negociados em bolsa.Segundo o estudo, porém, os ativos do mundo real tokenizados apresentam um ritmo de adoção superior ao registrado pelos ETFs em seus primeiros anos.Incluindo stablecoins, o mercado de ativos tokenizados chegou a aproximadamente US$ 339 bilhões no nono ano de sua trajetória, aponta o levantamento. A comparação não significa que a tokenização necessariamente alcançará ou ultrapassará o mercado de ETFs, mas mostra uma curva inicial de crescimento mais rápida.A diferença está também no tipo de ativo que pode se beneficiar da tecnologia. Enquanto ETFs funcionam especialmente bem para produtos líquidos e padronizados, a tokenização promete atingir mercados como crédito privado, imóveis e outros ativos que historicamente apresentam dificuldades para negociação no mercado secundário.O mercado, contudo, ainda está em uma fase intermediária dessa transformação. Dos 593 ativos analisados pelo relatório, 77,6% ainda funcionam no modelo chamado de “wrapper” — na prática, um token que representa um ativo mantido fora da blockchain, enquanto custódia e registro jurídico continuam dependendo da infraestrutura tradicional.Apenas 2,7% são considerados totalmente nativos, nos quais emissão, custódia e resgate acontecem diretamente na infraestrutura on-chain.Stablecoins e regulação criam infraestrutura para próxima etapaOutro elemento apontado pelo relatório como fundamental para a expansão da tokenização é o amadurecimento das stablecoins.Globalmente, o valor de mercado dessas moedas digitais permaneceu praticamente estável acima de US$ 300 bilhões entre 2025 e 2026. O uso, no entanto, aumentou fortemente: o volume mensal de transferências passou de mais de US$ 3,5 trilhões para mais de US$ 7 trilhões, enquanto o número de endereços ativos dobrou de 28 milhões para 56 milhões.No Brasil, as stablecoins já representaram 80% do volume declarado de criptoativos em 2025, segundo os dados compilados no estudo. O país também reúne características que podem facilitar a adoção de novas infraestruturas financeiras: aproximadamente 30 milhões de brasileiros já tiveram algum criptoativo, enquanto Pix e Open Finance criaram uma população acostumada a serviços financeiros digitais.A regulação também entrou em uma nova fase. O relatório destaca que o debate deixou de estar concentrado apenas em definir o que é um ativo tokenizado e passou a discutir como esses produtos podem efetivamente operar dentro do mercado financeiro.A revisão da CVM 88, o piloto de tokenização da ANBIMA e a criação de um grupo específico sobre o tema na CVM são exemplos dessa mudança. A própria CVM passou a estudar adaptações relacionadas a custódia, escrituração, liquidação e outros intermediários que fazem parte da infraestrutura tradicional.A combinação entre crescimento do volume, entrada de instituições e avanço regulatório coloca o Brasil em uma nova etapa desse mercado. Os mais de R$ 10 bilhões já tokenizados representam uma expansão de dez vezes em um ano, mas ainda são uma pequena fração dos trilhões de reais em crédito, fundos, títulos públicos, ações e imóveis que poderiam, em tese, migrar total ou parcialmente para uma infraestrutura tokenizada.Procurando uma alternativa para aumentar seus ganhos? A Renda Fixa Digital do MB é a solução: até 18% de ganho ao ano, risco controlado e a segurança que seu dinheiro merece. Conheça agora!O post Tokenização cresce 10 vezes e supera R$ 10 bilhões no Brasil, puxada por crédito privado apareceu primeiro em Portal do Bitcoin.