O que seria a vida se não fossem os pequenos luxos?A internet parece bem empenhada em discutir isso. As trends “Eu acho chique” e “Luxos que me permito ter” são bons exemplos de como esse pensamento pode ser reproduzido em um formato de conteúdo padrão. E o que chega na internet, claro, é sintoma de um movimento maior. Ao longo do tempo, o nosso conceito do que é alto padrão mudou muito. Em especial depois da era da logomania, marcado pelo excesso de marcas, o mercado fez um movimento contrário. A estética que passou a determinar o mercado de luxo foi a do quiet luxury, o chamado luxo silencioso. As grifes continuaram presentes, mas sem “dar na cara”. Mas a necessidade de diferenciação sempre foi inerente ao ser humano e, em especial, do brasileiro. E como seria possível se diferenciar em um contexto no qual o poder aquisitivo não está tão aparente assim?O segredo está no capital cultural. Esse conceito criado pelo sociólogo Pierre Bourdieu implica que grande parte do prestígio de alguém vem do seu repertório. A habilidade de tocar um instrumento, falar outras línguas, os livros que você leu, os países que visitou…Afinal de contas, quem tem tempo para se dedicar às artes ou à intelectualidade se não os mais ricos?E isso repercute nas estratégias de marca. A Coach viralizou com chaveiros que também são livros. Chanel e Dior investiram na criação de clubes presenciais. A Bottega Veneta transformou uma de suas lojas em galeria de arte.Bottega Venetta Galleria Vittorio Emanuele IIOu seja, o novo símbolo de status não precisa estar pendurado no braço. Pode estar na estante, na agenda ou na conversa que você consegue ter.Recentemente, eu me deparei com o conceito de “viver deliciosamente”. Ou seja, incluir pequenos rituais e momentos ao longo da rotina que a tornam mais prazerosa. Talvez esse seja um bom caminho para alguém que, como eu, almeja o luxo intelectual mas ainda precisa trabalhar.