Dia da Doação de Órgãos: veja como vidas são transformadas por transplantes

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O Dia Nacional da Doação de Órgãos é celebrado no dia 27 de setembro, em meio ao Setembro Verde, campanha que busca conscientizar a população sobre a importância da doação de órgãos para salvar vidas. Entre as muitas vidas salvas por doadores estão a de Wesley Alves, de 27 anos, e de Enzo Vilardo, de 23.Wesley é ex-militar e se descreve como uma pessoa ativa e apaixonada por esportes, mas que passou por uma mudança repentina nos hábitos nos últimos anos.O jovem apresentou sinais de cansaço extremo, que revelou uma insuficiência cardíaca grave e irreversível. Durante três anos, ele passou por diversas internações, um AVC e desenvolveu limitações severas, até descobrir que a última opção de tratamento seria o transplante.A espera de Wesley não foi longa: um doador compatível apareceu em 45 dias e o transplante foi realizado. Leia Mais Filho de jogador morre e pais anunciam doação de órgãos; entenda processo Bebê de 29 dias é o doador de órgãos mais jovem da história de Goiás Paciente viveu 271 dias com rim suíno em estudo liderado por brasileiro A médica cardiologista Ana Luiza Ferreira Sales, coordenadora do programa de transplante cardíaco do hospital Pró-Cardíaco, da Rede Américas, na zona sul do Rio de Janeiro, explica que a cirurgia do ex-militar correu sem intercorrências e que a recuperação foi rápida.Ele teve um progresso brilhante e recebeu alta em apenas duas semanas, que é o melhor tempo possível no pós-operatório. Além disso, ele sempre demonstrou muita vontade de ser saudável.afirma Ana LuizaWesley Alves é ex-militar e passou por transplante de coração no Rio de Janeiro • Divulgação/Redes AméricasTransplante de medulaPara Enzo Vilardo, o recomeço veio pela medula óssea. Quando tinha 19 anos e cursava a faculdade de Direito, o jovem foi surpreendido por um diagnóstico de aplasia grave de medula óssea — condição em que o órgão para completamente de produzir células sanguíneas.Sem doadores 100% compatíveis no cadastro nacional, a alternativa foi realizar o transplante a partir da irmã do jovem, Caroline, que tinha apenas 40% de compatibilidade.A decisão foi considerada “uma aposta de alto risco” pela equipe do Hospital Vitória, na Barra da Tijuca, onde a cirurgia foi realizada.Foram necessárias mais de 50 transfusões de sangue, semanas de internação e uma espera de 50 dias até que a medula “pegasse”. Isso significa que as células-tronco transplantadas conseguiram migrar até o interior dos ossos, se alojar na cavidade medular e começar a produzir novas células sanguíneas de forma autônoma.Atualmente, Enzo tem 23 anos, retomou os estudos, está no oitavo período de Direito e mantém uma rotina intensa de exercícios, praticando musculação e jiu-jitsu.À esquerda, Enzo, a irmã Caroline e a Dra. Paula Bigni na época do trabsplante. À direita, Enzo nos dias de hoje, com 23 anos. • Divulgação/Redes AméricasComo funciona a doação de órgãosNo Brasil, a doação de órgãos e tecidos de pessoas falecidas só é realizada após a autorização familiar. Com isso, mesmo que a pessoa tenha dito em vida que seu desejo era se tornar um doador, se possível, apenas os familiares podem realizar a decisão final. Se a família não autorizar, os órgãos não serão retirados.O doador falecido pode doar órgãos como: rins, coração, pulmão, pâncreas, fígado e intestino; e tecidos: córneas, válvulas, ossos, músculos, tendões, pele, cartilagem, medula óssea, sangue do cordão umbilical, veias e artérias.A doação também pode ser feita por um doador vivo, que deve ser maior de idade e juridicamente capaz, saudável e consentir com a doação, desde que não prejudique a própria saúde. Além disso, pela legislação brasileira, parentes de até quatro graus e cônjuges podem ser doadores. A doação de órgãos de pessoas vivas que não são parentes do receptor é feita mediante autorização judicial.Um doador vivo pode doar um dos rins, parte do fígado, parte da medula ou parte dos pulmões, a compatibilidade sanguínea é necessária em todos os casos. Para doar órgão em vida, o médico deverá avaliar a história clínica do doador e as doenças prévias.